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Biocombustíveis podem injetar R$ 403 bilhões no PIB e impulsionar empregos e descarbonização no Brasil, aponta FGV
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Os biocombustíveis se consolidam como uma das principais alavancas da transição energética no Brasil, com potencial para adicionar até R$ 403,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) entre 2030 e 2035. A projeção faz parte do estudo “Potencial Econômico das Práticas Sustentáveis na Agricultura e Pecuária”, desenvolvido pelo Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro).
O levantamento avalia os impactos socioeconômicos e ambientais de tecnologias ligadas ao Plano ABC+ e destaca o papel estratégico da bioenergia na economia nacional, com efeitos diretos sobre o agronegócio, a indústria e o mercado de trabalho.
Impacto econômico e expansão da produção
De acordo com o estudo, a produção de biocombustíveis pode alcançar 64 bilhões de litros no período analisado, considerando etanol de cana, etanol de milho, etanol de segunda geração e biodiesel.
Esse avanço pode gerar um retorno de até R$ 62 para cada R$ 1 investido, evidenciando o alto potencial multiplicador da bioenergia na economia brasileira.
Além disso, o setor pode crescer até 70%, impulsionando cadeias como:
- Transporte
- Indústria de transformação
- Agropecuária
- Agroindústria
A expansão também deve elevar a produção de cana-de-açúcar em 31,34%, reforçando a importância da cultura para a matriz energética do país.
Geração de empregos e desenvolvimento regional
O crescimento da bioenergia deve resultar na criação de aproximadamente 225,5 mil novos empregos, com destaque para o interior do país.
As oportunidades se concentram principalmente em:
- Atividades agropecuárias
- Agroindústria
- Cadeias de serviços e comércio
O efeito multiplicador contribui para dinamizar economias locais e ampliar a renda em regiões produtoras.
Redução de emissões e preservação ambiental
No campo ambiental, os biocombustíveis apresentam ganhos relevantes. A substituição de combustíveis fósseis pode reduzir em até 27,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (Mt CO₂e).
O etanol de cana, por exemplo, pode emitir entre 70% e 90% menos gases de efeito estufa em comparação à gasolina.
Outro destaque é o impacto sobre o uso da terra. A expansão da produção de biocombustíveis pode evitar o desmatamento de cerca de 480 mil hectares, especialmente em biomas sensíveis como o Cerrado e a Amazônia.
Eficiência produtiva e uso sustentável da terra
O estudo reforça que o avanço da bioenergia não ocorre em detrimento da produção de alimentos. Pelo contrário, tecnologias de baixo carbono permitem ganhos simultâneos de produtividade agrícola e energética.
Isso significa:
- Melhor aproveitamento da área disponível
- Redução de pressão por abertura de novas áreas
- Integração entre produção de alimentos e energia
Desafios e condições para crescimento
Apesar do potencial, o avanço do setor depende de condições estruturais, como:
- Ampliação do acesso ao crédito
- Linhas de financiamento mais atrativas
- Mecanismos de mitigação de riscos
A previsibilidade regulatória e o incentivo à inovação também são apontados como fatores-chave para consolidar o crescimento da bioenergia.
Perspectiva: liderança global em bioenergia
O Brasil reúne vantagens competitivas relevantes, como escala produtiva, tecnologia consolidada e disponibilidade de recursos naturais.
Com políticas adequadas e ambiente favorável a investimentos, o país pode se posicionar como líder global na produção de biocombustíveis, conciliando crescimento econômico e descarbonização.
Nesse cenário, a bioenergia tende a se firmar como um dos principais motores do agronegócio brasileiro nos próximos anos, conectando sustentabilidade, inovação e geração de valor em toda a cadeia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Pesca industrial em debate no Pará
O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, cumpriu nesta quarta-feira (23), em Belém (PA), agenda com representantes da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) para discutir propostas voltadas à sustentabilidade e ao fortalecimento da pesca industrial no estado. O encontro também tratou de medidas para ampliar as exportações brasileiras de pescado, abrir novos mercados e apoiar empresas do setor.
Durante a reunião, a direção da FIEPA apresentou propostas de ações para a sustentabilidade da pesca industrial paraense. O ministro destacou que o Pará tem papel estratégico na cadeia nacional e reforçou a necessidade de ampliar as oportunidades para o pescado brasileiro no mercado internacional. “Estamos tratando aqui também das exportações. Isso fica muito claro com a política do Brasil Soberano: o Brasil não pode ficar refém de país nenhum. Por isso nós estamos trabalhando em ampliar nossas exportações e diversificar os caminhos do nosso pescado”, afirmou Edipo.
O ministro também destacou que o Plano Brasil Soberano III inclui a cadeia do pescado e prevê medidas de apoio a empresas exportadoras impactadas pelo cenário econômico internacional. Segundo Edipo, são mais de R$ 18,5 bilhões disponíveis para o público alcançado pela iniciativa. “Quero chamar todas as empresas que foram impactadas a procurar as instituições financeiras e o BNDES para que possam realmente alcançar esse recurso e salvaguardar as empresas exportadoras de pescados”, disse.
Na agenda com o setor produtivo, também foram discutidas estratégias para ampliar a presença do pescado brasileiro no exterior, com destaque para a abertura de mercados na Europa e no Reino Unido e o fortalecimento das relações comerciais com países da América do Sul, como Peru, Colômbia e Argentina. “Temos uma missão e um compromisso de ampliar o consumo de pescado interno, mas também ampliar as nossas exportações”, ressaltou o ministro.
Crédito para pescadores e aquicultores
Outro tema tratado foi o acesso ao crédito por pescadores e aquicultores, por meio do Pronaf Azul, iniciativa que reúne linhas específicas para o público das águas, incluindo Pronaf B, Pronaf Mais Alimentos e Pronaf Custeio. Edipo reforçou a importância de que os projetos sejam acompanhados por profissionais de assistência técnica e extensão rural, para que pescadores e aquicultores possam acessar as melhores condições de financiamento e evitar o endividamento.
O Pará tem uma das maiores concentrações de trabalhadores ligados à atividade pesqueira do país. Dados do Painel Unificado do Registro Geral de Atividade Pesqueira (RPG) apontam mais de 454 mil pescadores registrados no estado, além de 1.352 aquicultores, evidenciando a dimensão social e econômica da cadeia da pesca e da aquicultura paraense.
Apoio às populações das águas
A agenda também abordou medidas de apoio às populações que vivem da pesca diante dos impactos provocados por eventos climáticos e alterações nas condições dos rios. O ministro destacou que o Governo Federal trabalha na construção de políticas para reduzir os danos e garantir segurança alimentar e recursos às comunidades afetadas.
“Os rios não são apenas o local de trabalho, mas também as ruas dessa população. Então a gente precisa garantir que chegue alimento, chegue água potável, mas também que nós possamos construir uma política para salvaguardar e colocar recursos financeiros na mão e no bolso dessa população”, afirmou. Entre as medidas em discussão estão a possibilidade de criação de auxílio extraordinário e a antecipação do seguro-defeso, além da articulação para garantir a distribuição de cestas básicas às populações afetadas.
A agenda em Belém integra a programação do ministro Edipo Araujo no Norte do país. Após os compromissos no Pará, o ministro segue para Manaus (AM), onde cumpre agenda voltada ao fortalecimento das políticas públicas para a pesca e a aquicultura na região.
Élen Gorski
Ministério da Pesca e Aquicultura
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