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Centro-Sul amplia moagem de cana e acelera produção de etanol

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A moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul manteve ritmo firme na primeira quinzena de novembro, impulsionada por clima favorável e maior disponibilidade de matéria-prima no encerramento da safra 2025/26. As usinas processaram 18,76 milhões de toneladas no período, alta de 14,34% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior, segundo levantamento divulgado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

O avanço ocorre em um momento em que parte significativa das unidades já conclui os trabalhos. Apenas na primeira metade de novembro, 42 usinas encerraram a moagem. Desde abril, quando teve início a safra, 120 unidades já finalizaram o processamento, quase o dobro das 70 contabilizadas um ano antes. A tendência é de aceleração: outras 65 usinas tinham programação para encerrar a operação na segunda quinzena de novembro, o que elevaria o total para mais de 180 unidades com safra finalizada.

Mesmo com o maior número de unidades em fase de desligamento, a oferta de cana sustentou a produção. A fabricação de açúcar atingiu 982,9 mil toneladas, crescimento de 8,69% na comparação anual. Ainda assim, o segmento perdeu espaço no mix das usinas. A participação da matéria-prima destinada ao adoçante recuou de 46,02% para 38,61%, marcando a sexta quinzena consecutiva de queda. A retração reflete a menor atratividade do açúcar no período e a redução da qualidade da cana típica do final de safra.

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Com menor direcionamento ao açúcar, o etanol ganhou participação. O volume total produzido chegou a 1,35 bilhão de litros, avanço de 24,45% sobre 2024. O hidratado respondeu por 769,36 milhões de litros (+21,61%), enquanto o anidro alcançou 577,35 milhões de litros (+28,44%). O etanol de milho manteve trajetória ascendente, com 386,24 milhões de litros, 10,31% acima do registrado no mesmo período da safra anterior. A participação do cereal no total produzido atingiu 28,68%.

A qualidade industrial da cana apresentou melhora. O teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou 142,42 kg por tonelada, alta de 6,23% em relação ao ciclo passado. O indicador reforça o ganho de eficiência no processamento, mesmo em um momento em que a maturação do canavial costuma perder vigor.

Com a safra caminhando para o encerramento e grande parte das usinas já em desligamento, a expectativa do setor é de que o ritmo de produção desacelere nas próximas quinzenas. Ainda assim, o resultado acumulado até agora confirma mais uma temporada de forte oferta e maior protagonismo dos biocombustíveis no Centro-Sul.

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Fonte: Pensar Agro

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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