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Demanda global por fertilizantes deve recuar em 2026 com preços elevados e menor acessibilidade, aponta RaboResearch

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O relatório “RaboResearch Semiannual Fertilizer Outlook – Outubro 2025”, divulgado pelo Rabobank, aponta que o mercado global de fertilizantes entra em um novo ciclo de retração. O motivo é a combinação entre preços elevados e menor capacidade de compra dos produtores rurais, o que deve reduzir o consumo em 2025 e, de forma mais acentuada, em 2026.

De acordo com o estudo, o índice global de acessibilidade dos fertilizantes segue em queda, atingindo níveis semelhantes aos observados durante a crise de 2022. Esse movimento indica o início de um novo período de demanda enfraquecida, especialmente em países dependentes de importações.

Nitrogênio: alta de preços limita uso e deve reduzir consumo em 2026

O Rabobank estima que os preços da ureia — principal fonte de nitrogênio — devem recuar levemente nos próximos meses, mas ainda se manterão em patamares altos. A combinação de custos elevados e menor rentabilidade nas lavouras já tem levado produtores, sobretudo no Brasil, a substituir a ureia por alternativas como o sulfato de amônio.

O relatório prevê que o consumo global de nitrogenados, que deve crescer ligeiramente em 2025, sofra uma queda expressiva em 2026 devido à piora da acessibilidade.

Fosfatados: preços continuam elevados e retraem a demanda mundial

O estudo mostra que os preços de MAP e DAP (fosfatados) aumentaram até 15% no primeiro semestre de 2025, reduzindo o poder de compra dos produtores. Como consequência, o consumo global deve cair 4% em 2025 e continuar recuando em 2026.

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O relatório destaca a redução das exportações chinesas e o aumento das remessas de Marrocos e Arábia Saudita, embora o comércio internacional ainda esteja em volume reduzido.

Potássio: estabilidade em 2025 e possível queda em 2026

O potássio apresentou forte recuperação da demanda em 2024, mas a alta dos preços em 2025 deve limitar novos avanços. O Brasil, no entanto, deve atingir recorde de importações, compensando parcialmente o desaquecimento em outros mercados.

Ainda assim, o Rabobank alerta que a demanda global pode voltar a cair em 2026, caso os preços permaneçam em alta.

Commodities agrícolas abundantes pressionam margens e insumos

A produção recorde de milho, soja e trigo em 2025 está pressionando as cotações globais das commodities agrícolas. Segundo o Rabobank, o excesso de oferta e a queda na rentabilidade das lavouras tendem a reduzir a capacidade de compra de fertilizantes, reforçando o cenário de retração.

Europa: novas tarifas e CBAM devem elevar custos

A partir de 2026, entra em vigor o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), da União Europeia, que criará uma taxa de carbono sobre fertilizantes importados. O Rabobank estima que o preço do amônio suba até 20% já no primeiro ano da medida, e o da ureia, até 15%, com aumentos graduais até 2030.

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Essa mudança deverá favorecer produtores de menor pegada de carbono, como Egito e Argélia, e penalizar exportadores com maiores emissões, como China e Trinidad e Tobago.

Destaques regionais
  • África: países como Marrocos, Egito e Tunísia ampliam a produção e exportação de fosfatados, enquanto Gana e Namíbia investem em fábricas e projetos de fertilizantes verdes.
  • Austrália: enfrenta custos elevados e câmbio desfavorável, reduzindo a competitividade dos produtores.
  • Brasil: deve atingir recorde de entregas, estimadas em 46,6 milhões de toneladas em 2025, apesar de margens apertadas e crédito limitado.
  • China: mantém foco no mercado interno e reduz exportações, com destaque para aumento nas vendas de compostos NP.
  • Índia: segue como principal compradora global, sustentando preços de ureia e fosfatados.
  • Estados Unidos e Canadá: enfrentam o pior nível de acessibilidade a fosfatados em 17 anos, com risco de forte redução da demanda.
Perspectiva geral

O Rabobank prevê um cenário de ajuste global para o setor de fertilizantes em 2026, com preços ainda altos, menor consumo e adaptação dos produtores. Mesmo com o avanço de tecnologias e alternativas de adubação, a rentabilidade agrícola continuará sendo o fator decisivo para o ritmo de compras no próximo ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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