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Dólar mantém estabilidade após Trump adiar tarifas contra a União Europeia
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Cotação da moeda
O dólar abriu estável nesta segunda-feira (26), cotado a R$ 5,6470. Na sexta-feira (23), a moeda norte-americana havia registrado queda de 0,27%, fechando a R$ 5,6460. Já o Ibovespa encerrou o último pregão em alta de 0,40%, aos 137.824 pontos.
Trump adia tarifas e mercado reage com cautela
O mercado financeiro repercute o adiamento das tarifas de 50% sobre produtos da União Europeia, anunciadas na última sexta-feira (23) pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Após um pedido da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Trump concordou em postergar a medida para o dia 9 de julho, abrindo espaço para negociações. As tarifas impactariam itens como medicamentos, bens de luxo e produtos de grandes marcas europeias, como carros da BMW e bolsas francesas.
Agenda internacional: foco na Europa e discurso de Lagarde
Com os Estados Unidos em feriado pelo Memorial Day, as atenções do mercado se voltam para a Europa. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, deve discursar nesta segunda-feira, podendo trazer sinais sobre os rumos das tarifas norte-americanas e da política de juros na zona do euro.
Cenário fiscal no Brasil e expectativa sobre o IOF
No Brasil, os investidores aguardam declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o aumento do IOF. O governo ainda não detalhou a perda de arrecadação após revogar o reajuste da alíquota para investimentos no exterior.
A tentativa de elevar o IOF foi mal recebida pelo mercado, gerando desconforto e interpretações de que o governo buscava aumentar a arrecadação em vez de cortar gastos. Após as críticas, a medida foi retirada. Haddad, no entanto, não descartou novos bloqueios no orçamento.
Repercussões e análise do Banco Central
O presidente em exercício do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou que o objetivo do Ministério da Fazenda era manter o compromisso com a meta fiscal e elogiou a rápida resposta do governo ao recuar da medida.
Galípolo também ressaltou que, diante do desempenho surpreendente da economia brasileira, será necessário manter a taxa de juros em um patamar mais elevado por mais tempo, como forma de controlar a inflação.
Boletim Focus: melhora na previsão do PIB
A nova edição do Boletim Focus elevou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024, de 2,02% para 2,14%. A estimativa para a inflação foi mantida em 5,50%.
Indicadores econômicos da semana
A semana reserva divulgações importantes no cenário econômico brasileiro:
- Terça-feira (27): prévia da inflação (IPCA-15)
- Quinta-feira (29): taxa de desemprego e dados do Caged
- Sexta-feira (30): resultado do PIB do segundo trimestre
Desempenho dos mercados
- Dólar
- Semana: -0,40%
- Mês: -0,55%
- Ano: -8,64%
- Ibovespa
- Semana: -0,98%
- Mês: +2,04%
- Ano: +14,58%
Pacote fiscal dos EUA também influencia os mercados
Nos Estados Unidos, segue a tramitação do projeto batizado de One Big Beautiful Bill Act, proposto por republicanos como parte da campanha de Donald Trump. A proposta, aprovada pela Câmara e agora em análise no Senado, visa tornar permanentes os cortes de impostos sobre renda e herança implementados em 2017. Também propõe isenções sobre gorjetas, horas extras e juros de certos empréstimos, conforme promessas de campanha de Trump.
A estabilidade do dólar nesta segunda reflete o alívio momentâneo com o adiamento das tarifas de Trump e a expectativa por novas decisões econômicas, tanto no Brasil quanto no exterior. O mercado segue atento ao cenário fiscal brasileiro, às falas de autoridades econômicas e aos próximos indicadores que serão divulgados ao longo da semana.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


