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Economia brasileira deve resistir a tarifas de 50% dos EUA, apesar do impacto setorial

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Tarifas elevadas dos EUA afetam exportações brasileiras

Os produtos brasileiros passarão a sofrer uma das maiores tarifas já impostas pelo governo de Donald Trump, de 50%, a partir desta quarta-feira. Apesar disso, economistas e autoridades avaliam que o impacto sobre a economia nacional será limitado, devido às amplas exceções concedidas e ao crescimento das relações comerciais com a China.

Postura firme do governo brasileiro nas negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma postura firme diante dos EUA, rejeitando as ameaças tarifárias e afirmando estar aberto a negociar um acordo comercial. Lula criticou duramente Trump, chegando a chamá-lo de “imperador” e comparando as tarifas a uma forma de chantagem. As tensões foram intensificadas após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Composição das exportações e impacto das tarifas

Diferente do México e do Canadá, que dependem fortemente do mercado americano, o Brasil exporta apenas 12% de seus produtos para os EUA, enquanto 28% das exportações têm como destino a China, mercado que dobrou sua participação na última década. Após as isenções concedidas, a tarifa de 50% incidirá sobre cerca de 36% das exportações brasileiras para os EUA em valor, afetando principalmente commodities como carne bovina e café.

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Economistas preveem impacto econômico contido

Especialistas, como Luiza Pinese, economista da XP, reduziram a previsão de impacto negativo das tarifas sobre o PIB brasileiro para 0,15 ponto percentual neste ano. O Goldman Sachs mantém a projeção de crescimento da economia em 2,3% para 2025, destacando o papel das exceções e o esperado apoio governamental aos setores afetados.

Diversificação comercial do Brasil como fator de resiliência

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, destacou que o Brasil tem relações comerciais importantes com o Brics, Europa e Mercosul, e que o agronegócio destina quase metade das exportações à Ásia, com apenas 10% para os EUA. Na indústria, essa diferença chega a quatro vezes mais exportação para a Ásia do que para o mercado americano.

Menor dependência comercial protege a economia

O Brasil apresenta um grau menor de abertura comercial — exportações e importações equivalem a 36% do PIB, comparado a níveis muito maiores em países latino-americanos e asiáticos voltados para exportação. Essa característica ajuda a limitar os efeitos das perturbações comerciais externas.

Possibilidade de ajuste monetário favorecido pela oferta interna

Segundo Thiago Carlos, gestor da PIMCO, o aumento da oferta interna de alimentos pode ajudar a controlar a inflação, o que pode abrir espaço para que o Banco Central flexibilize a política monetária antes do esperado.

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Perspectivas para 2026 e alertas sobre apoio governamental

Mesmo sem acordo comercial e antes das isenções, analistas preveem que o crescimento do Brasil em 2026 se manterá em torno de 1,6% a 1,7%. Contudo, economistas alertam que o auxílio governamental precisa ser bem direcionado para proteger setores e empregos vulneráveis, pois muitas empresas exportadoras não foram contempladas nas isenções.

Impactos setoriais e regionais distintos

O Banco Central ressalta que as tarifas podem causar efeitos significativos em setores específicos, e que o impacto macroeconômico dependerá das negociações futuras e da reação dos mercados. Regiões como o Nordeste podem ser mais afetadas, devido à sua base exportadora de produtos de baixo valor agregado, como frutas frescas, frutos do mar, têxteis e calçados, todos sujeitos à tarifa integral de 50%.

Embora as tarifas impostas pelos EUA representem um desafio para o comércio bilateral, a diversificação dos parceiros comerciais, as exceções aplicadas e o potencial de ajustes internos apontam para uma economia brasileira capaz de resistir ao impacto, mesmo que com efeitos localizados e setoriais relevantes.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Etanol despenca com avanço da safra de cana e registra menor preço de 2026 no Brasil

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O avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil já começa a provocar impactos diretos no mercado de combustíveis. Com aumento da oferta de biocombustível, o preço do etanol hidratado registrou a maior queda entre os combustíveis na segunda semana de maio e atingiu o menor patamar de 2026.

Levantamento do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, elaborado com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mostra que o litro do etanol caiu 3,83% em relação à última semana de abril, passando para R$ 4,48 na média nacional.

O movimento reforça a pressão baixista provocada pela intensificação da moagem de cana-de-açúcar e pela maior disponibilidade do produto no mercado interno.

Etanol amplia vantagem frente à gasolina

Enquanto o etanol apresentou forte retração, os demais combustíveis tiveram comportamento mais moderado no período analisado.

A gasolina comum recuou 0,27%, para R$ 6,76 por litro, enquanto o diesel S-10 caiu 1,27%, chegando a R$ 7,21 por litro.

Preços médios nacionais – 2ª semana de maio de 2026
  • Gasolina comum: R$ 6,76/litro (-0,27%)
  • Etanol hidratado: R$ 4,48/litro (-3,83%)
  • Diesel S-10: R$ 7,21/litro (-1,27%)

Desde o pico registrado em meados de abril, o etanol já acumula queda próxima de 7%, com redução de R$ 0,34 por litro no período.

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Além de aliviar parcialmente o bolso do consumidor, o movimento também aumentou a competitividade do biocombustível frente à gasolina.

A relação de preços entre etanol e gasolina caiu de 71,7% no fim de abril para 69,7% na segunda semana de maio, retornando ao nível considerado economicamente vantajoso para veículos flex.

Tradicionalmente, o mercado utiliza o percentual de 70% como referência para indicar quando o etanol se torna mais atrativo em relação à gasolina, embora a eficiência varie conforme o modelo do veículo e as condições regionais.

Centro-Sul lidera queda nos preços do etanol

Os maiores recuos no preço do etanol foram observados em estados ligados diretamente à produção sucroenergética do Centro-Sul brasileiro.

Estados com maiores quedas no preço do etanol
  • Goiás: -R$ 0,24 por litro (-4,9%)
  • Distrito Federal: -R$ 0,22 (-4,6%)
  • São Paulo: -R$ 0,21 (-4,7%)
  • Minas Gerais: -R$ 0,20 (-4,2%)
  • Mato Grosso: -R$ 0,19 (-4,1%)

A presença de importantes polos produtores entre as maiores quedas reforça o impacto direto da ampliação da moagem de cana sobre os preços finais ao consumidor.

Safra de cana aumenta pressão sobre o mercado

O mercado acompanha de perto a evolução da safra 2026/27 no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país.

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Com o avanço da colheita e da moagem nas usinas, cresce a disponibilidade de etanol hidratado, ampliando a pressão baixista sobre o combustível renovável.

Além da safra brasileira, investidores e agentes do setor monitoram outros fatores que influenciam os preços:

  • comportamento do petróleo no mercado internacional;
  • oscilações do dólar;
  • demanda doméstica por combustíveis;
  • estratégia das usinas entre produção de açúcar e etanol.

A definição do mix de produção continua sendo um dos principais pontos de atenção do setor sucroenergético, especialmente diante das oscilações nos preços globais do açúcar e da energia.

Mercado de combustíveis segue em ajuste

Analistas avaliam que o comportamento dos preços nas próximas semanas dependerá principalmente do ritmo da safra no Centro-Sul e das condições internacionais do petróleo.

Caso a oferta de etanol continue avançando acima da demanda, o mercado pode registrar novas reduções nos preços do biocombustível ao longo do segundo trimestre.

Para o consumidor, o atual cenário aumenta a competitividade do etanol e reforça a importância do biocombustível na matriz energética brasileira, especialmente em um momento de maior volatilidade no mercado global de energia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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