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Embrapa apresenta genética e manejo do trigo irrigado para minimizar acamamento em Dia de Campo

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A Embrapa apresentou as principais cultivares de trigo tropical irrigado de alta produtividade e qualidade industrial durante o Dia de Campo – Trigo Irrigado 2025, realizado em 17 de setembro na Fazenda Maragato e Chimango, no PAD-DF. O evento, promovido pela Coopa-DF, reuniu cerca de 200 produtores, técnicos e consultores da região.

Segundo Cláudio Malinski, engenheiro agrônomo da Coopa-DF, o trigo tem se destacado no Brasil Central como uma cultura de alta tecnologia e importância estratégica, com cerca de 400 mil hectares cultivados. “O trigo contribui para quebrar ciclos de pragas, reduzir nematoides e plantas daninhas, além de apresentar qualidade incomparável devido à genética e ao ambiente de cultivo”, destacou.

Principais variedades de trigo irrigado

O pesquisador Júlio Albrecht, da Embrapa Cerrados, apresentou as cultivares BRS 254, BRS 264, BRS 394 e BRS 404, desenvolvidas para regiões com altitudes acima de 500 metros e indicadas para irrigação. A semeadura recomendada vai de 11 de abril a 31 de maio, com melhor janela na primeira quinzena de maio, para maximizar rendimento e reduzir a brusone, doença que mais afeta o trigo na região.

  • BRS 254: trigo melhorador, força de glúten 340 x 10-4 J, estabilidade acima de 12 minutos e PH de 80 kg/hL. Ciclo precoce (120-125 dias) e produtividade potencial de 110 a 125 sc/ha.
  • BRS 264: ciclo superprecoce (110-120 dias), força de glúten acima de 262 x 10-4 J, estabilidade acima de 15 minutos, PH acima de 81 kg/hL. Produção média de 120 a 130 sc/ha, com recordes de até 160 sc/ha.
  • BRS 394: trigo pão e melhorador, força de glúten acima de 314 x 10-4 J, estabilidade acima de 17 minutos, maior tolerância ao acamamento, ciclo precoce (115-125 dias) e produtividade de 115 a 130 sc/ha.
  • BRS 404: desenvolvida inicialmente para sequeiro, mas também usada irrigada, ciclo precoce (90-125 dias), tolerante à seca e calor, produtividade média de 45 sc/ha, chegando a 71,9 sc/ha em 2023.
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Novidade para 2026: BRS Savana

A Embrapa prepara para 2026 a cultivar BRS Savana, indicada para sistemas de sequeiro e irrigado. A variedade possui translocação 2NS/AS, conferindo maior tolerância à brusone. Testes iniciais mostraram produtividade média de 45 sc/ha, chegando a 93 sc/ha em São Gotardo (MG) e 118 sc/ha no PAD-DF. O lançamento oficial está previsto para maio de 2026 na AgroBrasília.

Manejo para reduzir o acamamento das plantas

O acamamento é um dos maiores desafios para o triticultor, podendo comprometer a produtividade. O pesquisador Jorge Chagas, da Embrapa Trigo, destacou práticas essenciais:

  • Conhecimento da área: histórico de culturas, palhada, fertilidade e homogeneidade do solo.
  • Escolha da cultivar: ciclo, rendimento, tolerância ao acamamento, resistência a doenças e aceitação industrial.
  • Semeadura: profundidade de 2 a 5 cm, densidade adequada de plantas/m², ajuste conforme peso de mil sementes (PMS) e capacidade de germinação.
  • Adubação nitrogenada: seguir recomendação do obtentor, ajustando para áreas férteis ou com palhada.
  • Uso de redutor de crescimento: trinexapaque-etílico aplicado no primeiro nó visível, suspendendo irrigação por 2-3 dias para maior eficiência.
  • Irrigação: controlar o acamamento evitando excesso de água, especialmente no enchimento de grãos e em noites de vento.
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Chagas reforçou que densidades acima de 500 plantas/m² aumentam o risco de acamamento, e que a aplicação uniforme do nitrogênio é fundamental para evitar falhas na lavoura.

Tecnologias e suporte à irrigação

Para auxiliar no manejo, a Embrapa disponibiliza o software gratuito Monitoramento de Irrigação, acessível em https://hidro.nuvem.ti.embrapa.br/.

O evento também contou com apresentações de Coopa-DF (manejo do sistema de produção), OR Sementes (desempenho de cultivares), Netafim (gotejo subterrâneo) e Sem Mattos Consultoria (controle de plantas daninhas de difícil manejo).

Fonte: Pesquisadores Jorge Chagas e Júlio Albrecht falaram sobre as cultivares de trigo tropical da Embrapa e o manejo para reduzir o acamamento. Foto: Breno Lobato

Fonte: Portal do Agronegócio

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Atacado e exportação estabelecem ritmo recorde em agosto

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Os preços da carne de frango voltaram a subir no mercado interno, enquanto as exportações brasileiras iniciaram agosto no maior ritmo diário já registrado. A combinação de estoques ajustados, recuperação do consumo doméstico e forte procura internacional dá sustentação às cotações neste começo de mês.

Na quinta-feira (13.08), o frango congelado foi negociado no atacado da Grande São Paulo a R$ 7,20 o quilo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O valor acumula alta de 0,84% desde o início de agosto.

A reação ocorre depois de um período de pressão sobre os preços no fim de julho e nos primeiros dias deste mês. O recebimento de salários aumentou o poder de compra das famílias, enquanto a volta às aulas impulsionou a procura por uma proteína amplamente utilizada no consumo doméstico, em restaurantes e na alimentação escolar.

Os estoques também estão relativamente ajustados à demanda. Esse equilíbrio reduz a necessidade de concessão de descontos por atacadistas e frigoríficos e ajuda a conter a pressão provocada pela maior oferta nacional de carne de frango.

A melhora no atacado, entretanto, não significa necessariamente uma recuperação imediata e na mesma proporção para todos os elos da cadeia. O efeito sobre a remuneração dos avicultores depende dos contratos de integração, dos custos de produção e do comportamento dos preços do milho e do farelo de soja, principais componentes da alimentação das aves.

No mercado externo, os números indicam uma procura ainda mais forte. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil embarcou, em média, 30 mil toneladas de carne de frango in natura por dia nos cinco primeiros dias úteis de agosto.

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É a maior média diária para o período desde o início da série histórica, em 1997. Considerada a parcial, aproximadamente 150 mil toneladas foram exportadas nos cinco primeiros dias úteis do mês.

O resultado deve ser interpretado com cautela, porque ainda não permite projetar o volume total de agosto. O ritmo dos embarques pode variar ao longo do mês devido à programação dos portos, à disponibilidade de navios, aos contratos dos frigoríficos e ao calendário dos países compradores.

A arrancada de agosto, porém, dá sequência a um julho de forte desempenho. No mês passado, o Brasil exportou 519,2 mil toneladas de carne de frango, considerando produtos in natura e processados, crescimento de 29,9% em relação a julho de 2025. A receita ficou próxima de R$ 5,2 bilhões, alta de 34,3% na comparação anual, medida originalmente em dólares.

O avanço elevado também reflete a base mais fraca de 2025, quando restrições sanitárias temporárias adotadas após a confirmação de influenza aviária em uma granja comercial afetaram as vendas brasileiras. O foco foi eliminado e o Brasil recuperou gradualmente o acesso aos mercados que haviam suspendido as compras.

No primeiro semestre de 2026, os embarques chegaram a 2,936 milhões de toneladas, alta de 12,9% sobre igual período do ano anterior e recorde para os seis primeiros meses do ano.

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O desempenho reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de carne de frango. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que o país poderá produzir entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, crescimento de até 5,6% sobre as 15,289 milhões de toneladas de 2025.

As exportações podem alcançar 5,875 milhões de toneladas neste ano, avanço de até 10,3%. Mesmo com o crescimento dos embarques, a disponibilidade para o mercado interno está estimada em aproximadamente 10,275 milhões de toneladas, 3,1% acima do volume registrado no ano passado.

A presença simultânea de demanda doméstica mais aquecida e exportações em ritmo elevado tende a reduzir a pressão de oferta sobre o atacado. A continuidade da recuperação, contudo, dependerá do consumo após o período de pagamento de salários e da manutenção das encomendas internacionais.

Para produtores e agroindústrias, o cenário é favorável, mas exige atenção aos custos. A valorização da carne melhora a capacidade de absorver despesas, enquanto uma eventual alta do milho ou do farelo de soja pode limitar as margens. Nas próximas semanas, o mercado acompanhará se o recorde diário dos embarques será mantido e se a reação observada no atacado chegará aos demais elos da cadeia.

Fonte: Pensar Agro

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