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Endividamento rural no Paraná dispara e ameaça produção agropecuária, alerta Sistema FAEP

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O agronegócio do Paraná enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que o chamado “saldo problemático” das dívidas rurais no Estado alcançou R$ 10,8 bilhões em janeiro de 2026, acendendo um alerta para o risco de colapso financeiro no campo.

O valor engloba financiamentos em atraso, operações inadimplentes e contratos renegociados ou prorrogados. Segundo o Sistema FAEP, o cenário pode ser ainda mais grave atualmente.

De acordo com o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, a estimativa é de que o endividamento já tenha ultrapassado R$ 20 bilhões nos últimos meses.

Endividamento representa 11% do crédito rural do Paraná

O levantamento mostra que o Paraná possuía aproximadamente R$ 99 bilhões em operações de crédito rural contratadas junto às instituições financeiras em janeiro deste ano.

Com isso, o saldo problemático representa cerca de 11% de todo o crédito rural do Estado — índice considerado elevado para um setor historicamente marcado por baixa inadimplência.

O problema não se restringe ao Paraná. Em nível nacional, o Brasil registrava aproximadamente R$ 881 bilhões em financiamentos rurais no mesmo período, dos quais cerca de R$ 153,6 bilhões estavam em situação considerada problemática, equivalente a 17,4% do total.

Dados do Banco Central reforçam o agravamento da crise no campo. A inadimplência superior a 90 dias nas operações rurais atingiu 6,5% em 2025, o maior nível da série recente. Em 2024, o índice era de 2,3%, enquanto em 2023 ficou em apenas 1,1%.

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Clima, juros altos e custos de produção agravam crise no campo

Segundo o Sistema FAEP, a deterioração financeira dos produtores é resultado de uma combinação de fatores econômicos e climáticos.

Entre os principais problemas apontados estão:

  • Quebras consecutivas de safra provocadas por eventos climáticos extremos;
  • Taxas de juros elevadas;
  • Alta nos custos de produção;
  • Encarecimento de fertilizantes e diesel;
  • Queda nos preços das commodities agrícolas;
  • Redução das margens de lucro;
  • Falta de recursos para contratação de seguro rural.
  • O impacto já afeta diretamente produtores de diferentes cadeias agropecuárias.
Produtores relatam perda de renda e dificuldade para manter atividade

O avicultor Luiz Flamengo, do município de Paranacity, no Noroeste do Paraná, afirma que o aumento acelerado dos custos operacionais levou ao acúmulo de aproximadamente R$ 450 mil em dívidas.

Produtor integrado na atividade de postura, ele relata forte pressão financeira nos últimos anos.

“Na avicultura, os custos operacionais crescem em uma ascendência vertiginosa”, afirma.

Segundo o produtor, houve aumento expressivo nas tarifas de energia elétrica, manutenção de equipamentos, compra de insumos, lenha para aquecimento e contratação de mão de obra terceirizada.

Enquanto isso, a remuneração paga pelas integradoras acompanha apenas a inflação, sem compensar o avanço real dos custos de produção.

“O endividamento nos impede de honrar os compromissos financeiros assumidos com fornecedores e agentes financeiros”, relata.

Sistema FAEP cobra programa urgente de renegociação de dívidas

Para o Sistema FAEP, o agravamento do endividamento rural ameaça não apenas a sustentabilidade financeira das propriedades, mas também a produção de alimentos e a segurança alimentar da população.

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Segundo Meneguette, produtores com dívidas em atraso acabam perdendo acesso ao crédito rural, comprometendo investimentos em novas safras e reduzindo a capacidade produtiva do setor.

A entidade defende a criação urgente de um programa federal de renegociação de dívidas, aliado à abertura de novas linhas de financiamento para produtores rurais.

Senado votará projeto para renegociação de dívidas rurais

O tema deve avançar no Congresso Nacional nos próximos dias. Está prevista para a próxima terça-feira a votação, no Senado Federal, do Projeto de Lei 5.122/23, que prevê a renegociação de dívidas rurais com recursos do Fundo Social do Pré-Sal.

Desde o início da tramitação da proposta, o Sistema FAEP vem intensificando o diálogo com parlamentares para defender medidas emergenciais voltadas ao reequilíbrio financeiro dos produtores rurais brasileiros.

A avaliação do setor é de que, sem medidas estruturais de apoio, o aumento da inadimplência pode comprometer a produção agropecuária nacional nos próximos ciclos e ampliar a pressão sobre os preços dos alimentos no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Faesp cobra ampliação das compras da agricultura familiar e propõe mudanças em programas públicos

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A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) apresentou propostas aos governos estadual e federal para ampliar a efetividade das políticas públicas de compras da agricultura familiar. O objetivo é fortalecer a renda dos pequenos produtores, ampliar a participação das famílias rurais nos programas institucionais e garantir o cumprimento das cotas mínimas estabelecidas pela legislação.

No Estado de São Paulo, a entidade encaminhou ao governador Tarcísio de Freitas sugestões para aprimorar o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS) e o subprograma PPAIS Leite.

Segundo a Faesp, os programas exercem papel estratégico para a sustentabilidade econômica da agricultura familiar, especialmente em atividades com margens mais apertadas, como a cadeia leiteira. Nesse segmento, as compras públicas funcionam como importante instrumento de geração de renda e permanência das famílias no campo.

Faesp defende aumento do limite de comercialização

Entre as medidas propostas pela entidade estão o reajuste do limite de comercialização da Declaração de Conformidade ao PPAIS (Deconp), a ampliação da divulgação de editais públicos e a inclusão de mais órgãos estaduais no programa de compras institucionais.

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A Faesp também solicita maior participação das secretarias estaduais nas aquisições de alimentos da agricultura familiar, ampliando o alcance do programa em todo o estado.

De acordo com levantamento realizado pela entidade com base em dados da Secretaria da Fazenda entre 2015 e 2025, a execução do programa ficou muito abaixo do percentual mínimo previsto em lei.

Embora a legislação determine que ao menos 30% das compras públicas de gêneros alimentícios sejam destinadas à agricultura familiar, o índice efetivamente executado no período foi de apenas 3,8%.

Compras públicas abaixo da meta preocupam setor

Segundo a Faesp, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) praticamente concentra as aquisições realizadas pelo programa estadual. Ainda assim, o percentual de compras ficou em 11,32%, distante da exigência legal.

A entidade estima que, caso a legislação fosse plenamente aplicada, aproximadamente R$ 600 milhões poderiam ter sido destinados à agricultura familiar somente em 2025, impulsionando economias regionais e fortalecendo a produção rural de pequeno porte.

Propostas também abrangem alimentação escolar

No âmbito federal, a Faesp encaminhou propostas relacionadas ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A principal reivindicação é a atualização do limite individual de comercialização por agricultor familiar, atualmente fixado em R$ 40 mil anuais e sem reajuste desde 2021.

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Para a entidade, a defasagem do valor compromete a capacidade de crescimento dos pequenos produtores dentro do programa.

O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, afirmou que a ampliação dos limites de comercialização e o cumprimento efetivo das cotas mínimas são fundamentais para fortalecer a agricultura familiar paulista e brasileira.

Segundo ele, o aumento da participação dos órgãos públicos nas compras institucionais também é essencial para promover o desenvolvimento sustentável no meio rural e ampliar a geração de renda no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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