AGRONEGOCIOS
ExpoFrísia muda data para novembro a partir de 2026 e reforça calendário da pecuária leiteira
AGRONEGOCIOS
A ExpoFrísia, uma das principais feiras de pecuária leiteira do Brasil, terá nova data a partir de 2026. O evento, que chega à sua 19ª edição, será realizado entre os dias 12 e 14 de novembro, no Pavilhão de Exposições Frísia, anexo ao Parque Histórico de Carambeí (PR).
Mudança de data atende produtores e expositores
Segundo Eduardo Ichikawa, gerente executivo de Pecuária da Cooperativa Frísia, a alteração do calendário atende a uma demanda dos expositores de animais:
“A nova data permite um preparo melhor dos animais ao longo do ano e maior disponibilidade, considerando que muitos partos ocorrem no inverno. Além disso, cria um intervalo maior entre eventos como ExpoFrísia, Expoleite e Agroleite, facilitando o planejamento dos criadores.”
Atualmente, a ExpoFrísia ocorre em abril, a Expoleite em julho e o Agroleite em agosto, deixando pouco tempo entre as feiras regionais.
Novembro como período estratégico para a pecuária
Ichikawa destaca que novembro é ideal para os Campos Gerais:
- Milho e soja já estão plantados, proporcionando maior disponibilidade de tempo para os agricultores.
- É época de pico de lactação, aumentando a diversidade e qualidade dos animais que podem participar do evento.
“Essa mudança permite que os criadores apresentem animais em melhores condições e com maior variedade”, reforça o gerente.
Atrações e atividades da feira
A ExpoFrísia mantém tradição de reunir o melhor em genética e manejo animal, com entrada e estacionamento gratuitos. Entre os destaques da programação estão:
- Exposição de bovinos da raça holandesa;
- Julgamentos técnicos de animais;
- Clube de Bezerras, que incentiva jovens na prática do manejo e cuidado com os animais;
- Copa dos Apresentadores, reunindo cooperativas parceiras em competição tradicional do evento.
A feira segue como referência nacional na pecuária leiteira, combinando inovação, educação e tradição para produtores e visitantes.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro
A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.
Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.
O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.
A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.
O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.
Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.
A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.
Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.
O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.
A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.
Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.
Fonte: Pensar Agro



