CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Exportações de café na Bahia disparam 480% em abril e agro registra crescimento de 32%, aponta Faeb

Publicados

AGRONEGOCIOS

As exportações do setor agropecuário da Bahia alcançaram US$ 579,6 milhões em abril de 2025, um crescimento de 32% em comparação ao mesmo mês de 2024. Os dados são do relatório mensal da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb).

Café lidera crescimento com alta de 480%

O destaque do período foi o café, que teve um aumento expressivo de 480% nas exportações, saltando de US$ 9 milhões para US$ 52,6 milhões. O desempenho está relacionado à valorização da commodity no mercado internacional e à ampliação de mercados compradores, principalmente nos Estados Unidos.

Balança comercial da Bahia vira superávit graças ao agro

O avanço das exportações agropecuárias foi decisivo para mudar o quadro comercial do estado, que passou de um déficit de US$ 87,7 milhões em abril de 2024 para um superávit de US$ 49,6 milhões em abril de 2025. O setor agro respondeu por 52% do total exportado pelo estado no mês.

Agro se destaca em meio à retração de outros setores

Enquanto outros setores da economia baiana apresentaram resultados negativos no comércio exterior, o agro manteve saldo positivo, com crescimento de quase 15% no superávit da balança comercial do setor, que totalizou US$ 401,9 milhões em abril de 2025.

Leia Também:  STF julga constitucionalidade de lei de MT que veta incentivos a empresas
Soja é principal produto exportado, com 45% do total

A soja continuou sendo o produto de maior valor exportado pelo agro baiano, com US$ 263,1 milhões vendidos em abril, o que representa um aumento de 47,3% em relação a abril de 2024. O principal destino é a China, que absorveu mais de US$ 170 milhões em soja, evidenciando a forte relação comercial com o país asiático.

Outros produtos com desempenho positivo e setores em queda

Produtos que apresentaram crescimento significativo nas exportações incluem:

  • Cacau: +71,4% (de US$ 26,6 milhões para US$ 45,6 milhões)
  • Chá, mate e especiarias: +132,4%
  • Sucos: +57,3%
  • Produtos oleaginosos (exceto soja): +202,8%

Em contrapartida, houve queda nas exportações dos setores de:

  • Produtos florestais (celulose): -7,7%
  • Fibras têxteis: -9,4%
Principais destinos das exportações agropecuárias baianas

Os principais mercados compradores dos produtos agrícolas baianos em abril foram:

  • China: soja (71% das exportações do estado para o país) e celulose
  • Alemanha: soja e frutas
  • França: soja e chá
  • Estados Unidos: produtos florestais e café

A diversidade de destinos e produtos fortalece a resiliência da pauta exportadora baiana, com perspectivas positivas para os próximos meses.

Leia Também:  Caravana do Agro Exportador debate acesso de vinhos e cachaças brasileiras ao mercado internacional
Sobre o relatório da Faeb

O relatório “Exportações do Agronegócio” é produzido mensalmente pela Assessoria Econômica da Faeb, com base em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Comex Stat, entre outras instituições. O objetivo é fornecer informações de mercado e indicadores que auxiliem os produtores rurais da Bahia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Propaganda

AGRONEGOCIOS

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicados

em

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia Também:  STF julga constitucionalidade de lei de MT que veta incentivos a empresas

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia Também:  Estado inicia amanhã campanha de atualização do estoque de rebanhos

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA