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Farsul prevê 2026 como um ano de safra melhor, mas crise de crédito continua

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A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) vê 2026 como um ano de safra melhor, mas dentro de uma crise de crédito prolongada e de uma economia brasileira em desaceleração, com impactos diretos sobre o agro gaúcho e nacional.

Em coletiva nesta terça-feira (16.12), a entidade apresentou projeções que combinam recuperação de produção no campo com juros ainda muito altos, queda de recursos para políticas agrícolas e endividamento crescente dos produtores.

Segundo a entidade, entre 2020 e 2025, os produtores rurais gaúchos já sofreram uma perda de faturamento acumulada de R$ 126,3 bilhões devido a problemas climáticos, como estiagens e enchentes​

Segundo o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz, o PIB do Brasil deve crescer 2,35% em 2025 e desacelerar para 1,75% em 2026. Para o setor agropecuário nacional, a projeção é de alta de 10,52% em 2025, seguida de retração de 1,1% no ano seguinte, num movimento de correção após um ciclo de forte expansão. No Rio Grande do Sul, se a safra em andamento se confirmar, o PIB estadual pode avançar 4,40% em 2026, com o PIB do agro gaúcho saltando 36,75% depois de uma queda prevista de 10,66% em 2025.

A Farsul projeta IPCA de 3,83% em 2026 e taxa Selic encerrando 2025 em 15% e 2026 em 12%, patamar considerado muito elevado para a realidade do campo. Para Da Luz, o desequilíbrio fiscal do governo federal sustenta juros altos e alimenta a “maior crise de crédito da história” no agronegócio, com inadimplência no crédito rural em torno de 11,4% e retração estimada de 15% no volume de financiamentos tomados em 2026. O economista avalia que políticas como Plano Safra, Proagro e Seguro Rural tendem a perder força porque as despesas discricionárias federais estão em queda, o que deixa o produtor cada vez mais dependente de capital próprio e de soluções privadas.

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Nas palavras da Farsul, “produtor que for dependente de governo vai ter muitas dificuldades”, pois a restrição fiscal e o custo do dinheiro não são conjunturais, mas estruturais. A entidade destaca que o Brasil vive hoje o maior descompasso entre crédito rural anunciado e efetivamente desembolsado, o que se soma ao encarecimento das garantias exigidas e à piora da inadimplência. Diante desse quadro, a orientação é que o produtor fortaleça gestão de risco, diversifique fontes de receita e trate o governo como apoio complementar, não como pilar central do financiamento.

Questionada sobre a Medida Provisória 1.314, que abre espaço para novas linhas de crédito destinadas à renegociação de dívidas, a Farsul informou ter mantido conversas recentes com o Ministério da Fazenda e aguarda a edição de uma nova MP ajustando pontos como encargos financeiros e critérios de enquadramento.

A entidade, porém, sinaliza que, se o texto revisado não atender às demandas dos produtores, partirá para a defesa da aprovação do Projeto de Lei 5.122, que trata da securitização ampliada das dívidas rurais. Para o presidente atual, Gedeão Pereira, e o presidente eleito, Domingos Lopes, as medidas em discussão ainda são “capengas” frente ao tamanho do endividamento, e a prioridade é manter o produtor “à tona” até que um ciclo de safra boa e preços melhores permita reorganizar o passivo.

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Ao projetar o cenário até o fim da década, Gedeão Pereira afirma que o desafio não é apenas 2026, mas todo o período até 2030, em um país cuja economia “vai afundando numa rapidez impressionante”. Na avaliação da Farsul, esse quadro macroeconômico pesa sobre investimentos, modernização e competitividade do agro gaúcho, mesmo em anos de safra cheia, e exige planejamento mais conservador, foco em produtividade e negociações firmes com o sistema financeiro.

Fonte: Pensar Agro

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Preço do milho segue estável no Brasil à espera da safrinha; exportações avançam mais de 70%

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O mercado brasileiro de milho registrou pouca movimentação ao longo da semana, refletindo a postura cautelosa de compradores e vendedores diante da proximidade da entrada mais intensa da segunda safra no país. A expectativa de aumento da oferta mantém o ritmo de negociações lento, enquanto produtores buscam sustentar os preços em meio ao avanço da colheita.

Segundo análise da Safras & Mercado, o cenário continua marcado por baixa liquidez e poucas alterações nas cotações, tanto no mercado físico quanto nas negociações futuras.

Compradores aguardam maior oferta da safrinha

Os consumidores seguem atuando de forma pontual, adquirindo apenas volumes necessários para reposição imediata. O comportamento demonstra conforto nos estoques e expectativa de que a colheita da segunda safra amplie a disponibilidade do cereal nas próximas semanas.

Do lado da oferta, os produtores avançam na comercialização da produção, mas mantêm resistência em aceitar preços considerados baixos. Em diversas regiões, as pedidas continuam acima dos valores ofertados pelos compradores, limitando o fechamento de novos negócios.

A expectativa do mercado é que o avanço da colheita da safrinha aumente a pressão sobre os preços, principalmente nas regiões de maior produção.

Clima segue no radar dos agentes do mercado

As condições climáticas continuam sendo acompanhadas de perto pelos participantes do setor.

O mercado monitora a possibilidade de novas chuvas na Região Sul, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e em áreas produtoras de Goiás. Apesar das especulações sobre eventuais impactos na produtividade, ainda não há confirmação de perdas relevantes.

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Outro fator observado é o risco de geadas. No entanto, as previsões meteorológicas atuais não indicam ocorrência de frio intenso capaz de provocar danos significativos às lavouras.

Relatório do USDA influencia expectativas globais

No cenário internacional, as atenções estiveram voltadas para a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O documento trouxe atualizações importantes para o mercado global de grãos e reforçou a percepção de ampla disponibilidade de milho, fator que continua pressionando os preços na Bolsa de Chicago.

A queda das cotações internacionais tem reduzido a competitividade do milho brasileiro nos portos, mesmo com a valorização do dólar frente ao real.

Exportações avançam em volume, mas preços médios recuam

Apesar dos desafios relacionados à paridade de exportação, os embarques brasileiros de milho apresentaram crescimento expressivo no início de junho.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 126,061 mil toneladas de milho nos quatro primeiros dias úteis do mês, com média diária de 31,515 mil toneladas.

A receita acumulada alcançou US$ 29,451 milhões, com média diária de US$ 7,362 milhões.

Na comparação com junho de 2025, os resultados mostram:

  • Alta de 57,9% na receita média diária;
  • Crescimento de 70,6% no volume médio diário exportado;
  • Queda de 7,4% no preço médio por tonelada.

O valor médio da tonelada exportada ficou em US$ 233,60.

Cotações do milho permanecem estáveis nas principais regiões produtoras

O preço médio da saca de milho no Brasil foi cotado em R$ 61,12 no dia 11 de junho, praticamente estável em relação aos R$ 61,14 registrados na semana anterior.

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Nas principais praças acompanhadas pelo mercado, os preços apresentaram poucas variações:

  • Cascavel (PR): R$ 60,00 por saca;
  • Campinas (SP/CIF): R$ 65,00 por saca;
  • Mogiana Paulista (SP): R$ 60,00 por saca;
  • Rondonópolis (MT): R$ 51,00 por saca;
  • Erechim (RS): R$ 69,00 por saca;
  • Uberlândia (MG): R$ 60,00 por saca;
  • Rio Verde (GO): R$ 58,00 por saca.

A estabilidade observada reforça o momento de transição vivido pelo mercado, que aguarda uma definição mais clara sobre o tamanho da safra e o ritmo efetivo da colheita.

Safrinha deve definir tendência dos preços nos próximos meses

O comportamento do mercado de milho nas próximas semanas dependerá diretamente do avanço da colheita da segunda safra, considerada a principal do país.

Caso a produtividade se confirme dentro das expectativas atuais, a entrada de grandes volumes no mercado poderá ampliar a oferta disponível e exercer pressão adicional sobre as cotações.

Por outro lado, eventuais problemas climáticos ou atrasos na colheita podem limitar esse movimento e sustentar os preços por mais tempo.

Enquanto esse cenário não se define, compradores seguem cautelosos e produtores mantêm postura firme nas negociações, resultando em um mercado de baixa liquidez e pouca variação nos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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