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Fundos intensificam pessimismo com trigo e reduzem otimismo com milho na Bolsa de Chicago

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Enquanto aprofundam o pessimismo em relação ao trigo, especialmente com os contratos futuros atingindo mínimas históricas, os gestores também reduziram significativamente sua exposição otimista ao milho, sinalizando um momento de incerteza no comércio global de grãos. A seguir, confira os principais pontos sobre esse movimento dos fundos e os impactos no mercado.

Trigo atinge mínimas contratuais e atrai maior volume de apostas pessimistas

Na semana encerrada em 29 de abril, os contratos futuros de trigo da CBOT recuaram para os menores níveis contratuais, refletindo uma postura cada vez mais negativa dos especuladores. Os gestores de fundos ampliaram sua posição líquida vendida para 121.415 contratos, o maior volume em dois anos e um salto expressivo em relação aos cerca de 90.000 contratos da semana anterior.

Essa foi a maior liquidação semanal dos fundos em trigo desde 2017, impulsionada principalmente por novas apostas de venda.

Milho: otimismo reduzido diante de incertezas comerciais

Apesar de manterem uma visão ainda positiva, os fundos reduziram consideravelmente sua posição líquida comprada em contratos futuros e opções de milho da CBOT, que caiu de 112.805 para 71.329 contratos até 29 de abril.

Essa redução indica uma menor confiança dos investidores, que vinham sustentando otimismo com o milho nos últimos seis meses. A posição atual, contudo, está bem abaixo do pico do ano, registrado em fevereiro, quando chegou a 364.217 contratos.

Descompasso entre milho e trigo volta a se destacar

Historicamente, posições pessimistas sobre o trigo costumam estar alinhadas com posturas similares em relação ao milho — o que não é o caso no momento. Embora o desvio atual não seja tão intenso quanto o observado no início do ano, ele chama a atenção dos analistas.

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Essa assimetria pode indicar que os fundos estão sendo excessivamente pessimistas em relação ao trigo ou, por outro lado, mantendo otimismo exagerado com o milho.

Na semana passada, o contrato de julho do trigo da CBOT foi negociado, em média, com um prêmio de US$ 0,58 por bushel sobre o milho de julho. Trata-se de um valor bem abaixo da média histórica de US$ 1,30 por bushel registrada na última década. Vale lembrar que em 2021 e 2023 os dois contratos chegaram à paridade por breves períodos.

Trigo de Kansas City também sofre forte liquidação

O pessimismo dos fundos com o trigo não se limita à CBOT. Na mesma semana de 29 de abril, os gestores estabeleceram uma posição líquida vendida recorde em futuros e opções de trigo da Bolsa de Kansas City, somando 67.269 contratos. A visão negativa persiste desde agosto de 2023.

Adicionalmente, o contrato de trigo da CBOT superou, pela primeira vez em cinco meses, o preço do trigo de Kansas City, que tradicionalmente é mais valorizado. Essa mudança foi influenciada pelas chuvas recentes que favoreceram a safra de trigo vermelho duro de inverno nos Estados Unidos, pressionando os preços na Kansas City.

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Mercado global e clima afetam perspectiva para o trigo

O complexo do trigo tem enfrentado dificuldades também devido à recuperação da oferta global de trigo exportável, que não deve mais atingir os mínimos plurianuais previstos anteriormente. Esse fator contribui para reforçar a posição vendedora dos fundos.

Soja: fundos ampliam apostas no óleo e mantêm cautela no farelo

No mesmo período, os fundos mantiveram uma postura próxima dos níveis mais pessimistas já registrados em contratos futuros e opções de farelo de soja da CBOT. No entanto, o cenário é diferente para o óleo de soja: os investidores estenderam, pela quinta semana consecutiva, sua posição líquida comprada, reforçando o otimismo nesse segmento.

Também houve um leve aumento na posição líquida comprada em contratos de soja em grão, que atingiu 38.202 contratos.

Mercado à espera do próximo relatório do USDA

Os investidores seguem atentos a possíveis desdobramentos políticos e comerciais, enquanto se preparam para a divulgação do próximo relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para 12 de maio.

Esse documento trará as primeiras estimativas para o ano de comercialização 2025/26 e atualizações relevantes para 2024/25, com destaque para um possível aumento nas exportações de milho dos EUA — um dado que poderá influenciar diretamente a reavaliação das posições dos fundos nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais

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As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.

A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.

O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.

No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.

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Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.

A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.

Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.

O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.

Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.

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Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.

A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.

Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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