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Guerra no Oriente Médio pressiona cadeia de carnes e desafia exportações de Santa Catarina
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Tensões geopolíticas afetam cadeia global de carnes
O acirramento das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, já provoca impactos diretos na cadeia global de produção e exportação de carnes.
Para o estado de Santa Catarina, líder nacional na produção de suínos e segundo maior produtor de aves, os reflexos incluem aumento dos custos logísticos e maior incerteza em mercados estratégicos.
De acordo com Jorge Luiz de Lima, diretor executivo do Sindicarne e da ACAV, os efeitos dos conflitos são imediatos e abrangem toda a cadeia produtiva.
“São impactos globais com consequências locais. A elevação dos custos e as restrições logísticas afetam diretamente a competitividade do setor”, afirma.
Santa Catarina se destaca como potência na proteína animal
Mesmo ocupando pouco mais de 1% do território nacional, Santa Catarina mantém uma das cadeias de proteína animal mais eficientes do mundo.
O setor gera mais de 60 mil empregos diretos e cerca de 480 mil postos de trabalho, envolvendo mais de 19 mil famílias integradas na produção de aves, suínos e ovos.
- A escala produtiva também chama atenção:
- Mais de 4 milhões de aves abatidas por dia
- Cerca de 34 mil suínos processados diariamente
- Mais de 5.200 viagens de carga por dia
- Aproximadamente 344 contêineres movimentados diariamente
Exportações recordes reforçam importância econômica
A estrutura produtiva sustenta um desempenho expressivo no comércio exterior. Em 2025, Santa Catarina exportou:
- 748,8 mil toneladas de carne suína (US$ 1,85 bilhão)
- 1,2 milhão de toneladas de carne de aves (US$ 2,45 bilhões)
O agronegócio representa cerca de 70% das exportações do estado e aproximadamente 31% do Produto Interno Bruto (PIB) catarinense, movimentando mais de R$ 10 bilhões na economia.
Logística internacional enfrenta pressão com conflitos
A intensificação dos conflitos no Golfo Pérsico trouxe impactos relevantes para a logística global. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional, enfrenta restrições que elevam custos e aumentam a imprevisibilidade.
Entre os principais efeitos observados estão:
- Aumento de até US$ 4 mil por contêiner refrigerado no frete marítimo
- Ampliação do tempo de trânsito das cargas
- Redução da validade dos produtos
- Suspensão de reservas de embarques para determinadas rotas
Além disso, limitações na infraestrutura portuária e problemas energéticos em alguns destinos dificultam o armazenamento de cargas refrigeradas, provocando o chamado “rollover”, quando mercadorias ficam retidas sem embarque.
Custos de insumos também são impactados por conflitos globais
Os efeitos geopolíticos vão além da logística. A guerra entre Rússia e Ucrânia já demonstrou o impacto sobre insumos essenciais para a produção de proteínas.
A Ucrânia, importante produtora de milho, teve sua produção comprometida, o que elevou em cerca de 50% o preço do grão no período inicial do conflito.
O milho representa até 70% da composição da ração animal, enquanto o custo de produção do frango tem cerca de 80% de sua base vinculada ao campo. Dessa forma, oscilações nesse insumo impactam diretamente o preço final das carnes.
Demanda global por proteína abre oportunidades
Apesar dos desafios, o cenário também aponta oportunidades para o setor. Atualmente, cerca de dois terços da população mundial estão concentrados no Oriente, com projeção de atingir três quartos até 2040, o que indica crescimento contínuo na demanda por proteína animal.
Santa Catarina, que já exporta para mais de 150 países, possui posição estratégica nesse mercado. Entre os principais destinos estão Japão, China, Filipinas, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.
Setor precisa reforçar estratégia diante da volatilidade
Diante de um cenário internacional mais instável, a avaliação do setor é de que será necessário reforçar estratégias para mitigar riscos.
Segundo Jorge Luiz de Lima, a cadeia de proteína animal é altamente sensível a variáveis externas, exigindo maior eficiência operacional e diversificação de mercados.
“A cadeia é muito dependente do cenário global. Precisamos avançar em eficiência interna e ampliar mercados para reduzir a exposição a riscos”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportações de algodão do Brasil devem bater recorde em 2025/26 e reforçam liderança global no mercado internacional
As exportações brasileiras de algodão devem encerrar o ciclo comercial 2025/2026 em nível recorde, com estimativa de aproximadamente 3,3 milhões de toneladas embarcadas, segundo projeções apresentadas durante a abertura do XXIII Anea Cotton Dinner, em reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados.
O desempenho reforça o protagonismo do Brasil no comércio internacional da fibra, com o país consolidado como principal exportador mundial de algodão, superando concorrentes tradicionais como os Estados Unidos. O resultado é sustentado pela forte demanda de mercados da Ásia, Europa e Oriente Médio.
Produção brasileira mantém crescimento e produtividade elevada
A safra 2025/2026 de algodão no Brasil deve alcançar cerca de 3,9 milhões de toneladas de pluma, cultivadas em aproximadamente 1,9 milhão de hectares, com produtividade média próxima de 1.954 quilos por hectare, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
Para o ciclo 2026/2027, as primeiras estimativas indicam nova expansão, com produção projetada em 3,96 milhões de toneladas, reforçando a tendência de crescimento consistente da cultura no país.
Brasil registra recordes de exportação e consolida liderança global
A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) destacou que o Brasil registrou recordes mensais de embarques em sete meses dentro do ciclo atual, mantendo ritmo forte de exportações e encerrando a temporada na liderança global do setor.
“O algodão brasileiro alcançou um novo patamar no mercado internacional. Tivemos sete meses de recorde de exportação, e junho deve seguir o mesmo ritmo. Hoje, o desafio já não é apenas produzir mais, mas garantir infraestrutura, competitividade e previsibilidade para sustentar esse crescimento”, afirmou o presidente da Anea, Dawid Wajs.
O avanço das exportações reflete não apenas o aumento da produção, mas também a consolidação da confiança internacional na qualidade da fibra brasileira.
Cenário global pode sustentar preços do algodão
No mercado internacional, o cenário de oferta e demanda segue apertado. A projeção aponta consumo global de aproximadamente 26,510 milhões de toneladas, acima da oferta estimada em 25,265 milhões de toneladas, o que pode contribuir para sustentar as cotações da fibra no mercado mundial.
Mercado interno mais cauteloso e busca por qualidade
No Brasil, o mercado doméstico apresenta comportamento mais conservador. As fiações têm adotado postura cautelosa nas compras, priorizando qualidade da matéria-prima e reduzindo o apetite por contratos de longo prazo, especialmente em um ambiente de juros elevados.
Uso do algodão avança para além do setor têxtil
Durante as discussões do setor, também ganhou destaque a valorização das fibras naturais e a ampliação do uso do algodão em novas aplicações industriais. Além do vestuário, o produto vem sendo incorporado em segmentos como saúde, construção civil, defesa e materiais funcionais, ampliando seu potencial de inovação e agregação de valor na cadeia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


