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IBGE projeta safra recorde de grãos para 2025, com aumento de 11,9% em relação a 2024

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Estimativa da produção total

A estimativa de março do IBGE para a safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2025 é de 327,6 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 11,9% em relação à produção de 2024 (292,7 milhões de toneladas) — um acréscimo de 34,9 milhões de toneladas. O volume também é 1,2% superior à previsão divulgada em fevereiro, equivalente a um aumento de 3,9 milhões de toneladas.

Expansão da área colhida

A área a ser colhida em 2025 está estimada em 81,0 milhões de hectares, crescimento de 2,5% na comparação com a área cultivada em 2024 (mais 1,9 milhão de hectares) e avanço de 0,1% frente à previsão de fevereiro (acréscimo de 42,3 mil hectares).

Principais culturas: soja, milho e arroz

Juntas, as culturas de soja, milho e arroz representam 92,6% da produção estimada e 87,7% da área plantada. Em relação a 2024, houve aumento na área de:

  • Algodão herbáceo (em caroço): +4,4%
  • Arroz em casca: +10,5%
  • Soja: +2,9%
  • Milho: +2,6% (com retração de 1,8% na 1ª safra e expansão de 3,9% na 2ª)
  • Sorgo: +1,9%

Por outro lado, a área plantada com:

  • Feijão teve queda de 1,4%
  • Trigo recuou 8,0%
Variação na produção das principais culturas

Comparando com o ciclo anterior, as projeções de produção indicam crescimento para:

  • Algodão herbáceo (em caroço): +2,3%
  • Arroz em casca: +12,3%
  • Feijão: +7,7%
  • Soja: +13,3%
  • Milho: +11,0% (sendo +11,4% para a 1ª safra e +10,9% para a 2ª)
  • Sorgo: +3,8%
  • Trigo: +8,1%

Números por cultura (em milhões de toneladas)

  • Soja: 164,3
  • Milho: 127,3 (25,5 na 1ª safra e 101,8 na 2ª)
  • Arroz (em casca): 11,9
  • Trigo: 8,1
  • Algodão (em caroço): 9,1
  • Sorgo: 4,1
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Desempenho regional da produção

A produção de grãos em 2025, conforme estimativas de março, apresenta aumento em todas as regiões:

  • Centro-Oeste: +14,5%
  • Sul: +8,5%
  • Sudeste: +13,6%
  • Nordeste: +10,4%
  • Norte: +6,4%

Na comparação com fevereiro, a produção subiu nas regiões:

  • Norte: +2,8%
  • Nordeste: +0,2%
  • Sudeste: +1,3%
  • Centro-Oeste: +3,4%
  • Somente a Região Sul apresentou retração de -2,9%.
Principais estados produtores

O Mato Grosso segue como maior produtor nacional de grãos, com 30,9% da safra. Em seguida vêm:

  • Paraná: 13,7%
  • Goiás: 11,7%
  • Rio Grande do Sul: 10,1%
  • Mato Grosso do Sul: 7,6%
  • Minas Gerais: 5,6%

Esses estados, juntos, respondem por 79,6% da produção brasileira.

Participação regional:

  • Centro-Oeste: 50,5%
  • Sul: 25,9%
  • Sudeste: 9,0%
  • Nordeste: 8,7%
  • Norte: 5,9%
Destaques em relação a fevereiro

Algumas culturas apresentaram crescimento expressivo nas estimativas de produção, como:

  • Cevada: +29,7% (124,5 mil t)
  • Batata 3ª safra: +18,0% (158,8 mil t)
  • Trigo: +12,5% (901,6 mil t)
  • Aveia: +7,3% (78 mil t)
  • Tomate: +4,9% (220,3 mil t)
  • Arroz: +3,0% (343,3 mil t)
  • Café arábica: +2,5% (52,1 mil t)
  • Milho 2ª safra: +2,3% (2,3 milhões t)
  • Laranja: +1,9% (240,7 mil t)
  • Milho 1ª safra: +1,0% (251,9 mil t)

Houve queda nas estimativas para:

  • Feijão 2ª safra: -5,7% (-79 mil t)
  • Batata 1ª safra: -2,0% (-40,5 mil t)
  • Cana-de-açúcar: -1,3% (-9,3 milhões t)
  • Soja: -0,1% (-107,3 mil t)
Variação da produção por estados

As maiores variações positivas ocorreram em:

  • Mato Grosso: +4,7 milhões t
  • Goiás: +1,25 milhão t
  • Paraná: +708 mil t
  • Santa Catarina: +533 mil t
  • São Paulo: +371 mil t
  • Tocantins: +337 mil t

Já as maiores quedas foram registradas em:

  • Rio Grande do Sul: -3,76 milhões t
  • Mato Grosso do Sul: -524 mil t
  • Piauí: -84 mil t
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Destaques por cultura
Arroz (em casca)

A estimativa é de 11,9 milhões de toneladas, aumento de 3,0% frente a fevereiro e de 12,3% em relação à safra anterior. O Rio Grande do Sul responde por 8,1 milhões de toneladas, crescimento de 13,8%, impulsionado por chuvas que favoreceram a irrigação e o aumento da produtividade.

Batata-inglesa

A produção total das três safras está projetada em 4,5 milhões de toneladas, aumento de 4,3% sobre fevereiro. A 1ª safra, que representa 43,4% do total, deve ter produção de quase 2 milhões de toneladas, com queda de 2,0%. A 2ª safra (33,5% do total) deve alcançar 1,5 milhão de toneladas, alta de 4,9%. A 3ª safra teve aumento de 18% e pode chegar a 1 milhão de toneladas. Em São Paulo, a produção da 3ª safra cresceu 143,6%.

Café (em grão)

A produção nacional, somando arábica e canephora, está estimada em 3,2 milhões de toneladas (ou 53,8 milhões de sacas de 60 kg), aumento de 1,8% sobre fevereiro.

Café arábica: 2,1 milhões de toneladas (35,8 milhões de sacas), alta de 2,5% frente a fevereiro, mas queda de 10,6% ante 2024, devido à bienalidade negativa da cultura.

Café canephora (conilon): 1,1 milhão de toneladas (18 milhões de sacas), avanço de 0,5% sobre fevereiro e 5,4% em relação a 2024. No Espírito Santo, maior produtor da variedade, a produção deve crescer 5,6%, totalizando 707 mil toneladas (11,8 milhões de sacas). Em Rondônia, são esperadas 177,4 mil toneladas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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