AGRONEGOCIOS
Ibovespa inicia a semana com leve oscilação diante de temores sobre novas tarifas dos EUA
AGRONEGOCIOS
O principal índice da Bolsa brasileira abriu a semana com variação modesta, refletindo o clima de cautela nos mercados globais diante do agravamento das tensões comerciais. A nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos voltou a acender alertas sobre os possíveis impactos de uma guerra comercial nas economias mundiais.
Abertura em queda leve
Na manhã desta segunda-feira, por volta das 10h12, o Ibovespa registrava leve queda de 0,04%, aos 135.084,72 pontos. O movimento acompanha o desempenho negativo dos índices futuros norte-americanos, pressionados por novas medidas tarifárias impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Contratos futuros também recuam
O contrato futuro do Ibovespa com vencimento mais curto, previsto para o dia 18 de junho, apresentava queda de 0,2% no mesmo horário. A retração reflete o aumento da aversão ao risco por parte dos investidores, que monitoram com atenção os desdobramentos da política comercial norte-americana.
Cenário internacional influencia o mercado
As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos reforçaram os receios de uma escalada nas tensões comerciais globais, fator que tem influenciado o comportamento dos mercados acionários ao redor do mundo. A medida reacende preocupações quanto ao impacto de uma possível desaceleração econômica global, o que tende a afetar o apetite por ativos de risco, como ações.
Com isso, o mercado brasileiro segue atento aos desdobramentos externos, em um início de semana marcado por prudência e volatilidade moderada.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro


