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Inspeção a Produtos de Origem Animal implantado em Mato Grosso
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A recente adesão de novos consórcios municipais de Mato Grosso ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), recolocou em evidência um instrumento criado para ampliar o mercado de pequenas e médias agroindústrias no País. Embora exista há quase duas décadas, o sistema ainda está longe de alcançar a maior parte dos municípios brasileiros.
O Sisbi-POA foi instituído em 2006 como parte do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. A proposta foi criar um modelo nacional que permitisse reconhecer a equivalência entre os diferentes serviços de inspeção sanitária existentes no País — federal, estaduais e municipais — para produtos de origem animal.
Na prática, o sistema funciona como um selo de equivalência sanitária. Quando um serviço de inspeção estadual ou municipal comprova que segue padrões técnicos equivalentes aos adotados pelo governo federal, os estabelecimentos registrados nesse serviço passam a poder vender seus produtos em todo o território nacional.
Sem essa equivalência, a comercialização é restrita. Produtos fiscalizados por serviços municipais, por exemplo, normalmente só podem ser vendidos dentro do próprio município. Já aqueles registrados em inspeções estaduais ficam limitados ao mercado do Estado. O Sisbi rompe essa barreira ao permitir a circulação interestadual.
O mecanismo é particularmente relevante para pequenas agroindústrias que produzem alimentos como queijos artesanais, carnes processadas, embutidos, ovos e derivados de leite. Muitas dessas empresas não possuem escala ou estrutura para se registrar diretamente no serviço de inspeção federal, processo considerado mais complexo e oneroso.
Apesar desse potencial, a expansão do sistema foi lenta durante muitos anos. Entre 2006, quando foi criado, e 2022, apenas 331 municípios haviam aderido ao modelo em todo o País. Nos últimos anos, porém, o ritmo de integração acelerou. De 2023 até março de 2026, outros 1.184 municípios passaram a integrar o sistema, elevando o total nacional para 1.515.
Mesmo com essa expansão recente, o Sisbi ainda cobre uma parcela relativamente pequena do território brasileiro. O Brasil possui mais de 5.500 municípios, o que significa que menos de um terço das cidades está vinculada ao sistema.
Uma das estratégias que vêm sendo utilizadas para ampliar a cobertura é a formação de consórcios públicos de municípios. Nesse modelo, várias cidades compartilham estrutura técnica, veterinários e serviços de fiscalização, reduzindo custos e facilitando a adequação às normas sanitárias exigidas pelo Ministério da Agricultura.
Foi justamente esse caminho que impulsionou o avanço recente em Mato Grosso. Com a integração de novos consórcios, o Estado passou a reunir 72 municípios vinculados ao Sisbi, cerca de metade de seu território municipal. Outros consórcios já iniciaram o processo de qualificação, o que pode elevar a cobertura para mais de 90% das cidades mato-grossenses nos próximos anos.
O avanço regional, porém, contrasta com a realidade nacional, onde muitos Estados ainda apresentam baixa adesão ao sistema ou mantêm serviços de inspeção municipal com estrutura limitada.
Para especialistas em defesa agropecuária, a ampliação do Sisbi tem dois efeitos principais. De um lado, permite que agroindústrias locais ampliem seu mercado e agreguem valor à produção. De outro, fortalece o controle sanitário ao exigir padronização de procedimentos, rastreabilidade e fiscalização mais estruturada.
Nesse contexto, o desafio agora é expandir o modelo para outras regiões do País, reduzindo a distância entre o potencial do sistema — integrar pequenas agroindústrias ao mercado nacional — e sua efetiva capilaridade no território brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
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Produtores gaúchos concluem colheita do milho e já projetam próxima safra com foco no El Niño e maior investimento em área
A colheita do milho no Rio Grande do Sul está praticamente finalizada, alcançando 99% da área cultivada, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar. Com o encerramento da safra se aproximando, os produtores já voltam suas atenções ao planejamento da próxima temporada, especialmente diante das expectativas climáticas associadas ao fenômeno El Niño.
Colheita do milho atinge etapa final no Estado
De acordo com o levantamento, restam apenas pequenas áreas a serem colhidas, principalmente em propriedades de menor porte distribuídas em diferentes regiões do estado.
Nas áreas administradas pela Emater/RS-Ascar, os trabalhos estão praticamente concluídos, com exceção de lavouras tardias e cultivos de safrinha, que ainda representam menos de 5% dos 56.571 hectares cultivados na região.
Na Serra e nas Hortênsias, a colheita ocorre de forma escalonada, utilizando máquinas de pequeno porte ou colheita manual. Após a retirada dos grãos, o milho é armazenado em espiga ou a granel, sendo destinado principalmente ao consumo interno nas propriedades rurais.
Em outras regiões, o avanço da colheita foi parcialmente impactado por condições climáticas recentes, como nevoeiros, excesso de umidade nas manhãs e chuvas registradas no dia 12 de junho. Ainda assim, 87% das lavouras já foram colhidas, com o restante em fase final de maturação.
Condições climáticas influenciam maturação e qualidade do grão
As lavouras semeadas em períodos intermediários e tardios do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) seguem em fase de enchimento de grãos. Apesar dos desafios climáticos ao longo do ciclo, o desempenho produtivo é considerado satisfatório pelos técnicos.
As temperaturas mais baixas e a menor incidência de radiação solar contribuíram para um alongamento do ciclo, resultando em grãos colhidos com maior teor de umidade. Isso exige atenção redobrada no processo de secagem antes do armazenamento, etapa essencial para preservar a qualidade do produto.
Produtores já planejam próxima safra e ampliam investimentos
Com o encerramento da colheita, os agricultores gaúchos já iniciam o planejamento da próxima safra de milho. Em municípios como Maçambará, a expectativa de ocorrência do fenômeno El Niño tem influenciado as decisões de investimento, especialmente em áreas de sequeiro.
A projeção de maior disponibilidade hídrica no próximo ciclo tem incentivado produtores a ampliar a área destinada à cultura, reforçando o papel estratégico do milho na rotação de culturas e na produção de grãos no estado.
Mercado registra leve recuo no preço do milho
No mercado gaúcho, a pesquisa semanal da Emater/RS-Ascar apontou leve queda no preço pago ao produtor. O valor médio da saca de 60 quilos passou de R$ 58,98 para R$ 58,91, uma redução de 0,12% em relação ao levantamento anterior.
O movimento reflete um mercado relativamente estável, com ajustes pontuais em meio ao encerramento da safra e à expectativa de reorganização da oferta nas próximas semanas.
Cenário combina safra finalizada e foco no novo ciclo
O Rio Grande do Sul encerra praticamente toda a colheita do milho 2025 com produtividade considerada satisfatória, apesar das variações climáticas ao longo do ciclo. Ao mesmo tempo, o setor produtivo já direciona atenção para a safra seguinte, com decisões influenciadas por clima, custos e estratégias de manejo, em um cenário que tende a manter o planejamento como fator central para o desempenho da cultura no estado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

