AGRONEGOCIOS
Komet Irrigation inaugura primeiro hub e departamento de engenharia digital no Brasil e transforma país em polo global de inovação
AGRONEGOCIOS
A multinacional austríaca Komet Irrigation, líder mundial em soluções de aspersores e canhões para irrigação por pivô central, deu um passo decisivo em sua estratégia de expansão ao lançar o primeiro Departamento de Engenharia de Aplicação e Sistemas Digitais da empresa no Brasil. A nova estrutura, instalada em Paulínia (SP), é acompanhada do Komet Experience Hub, um centro de tecnologia e inovação que servirá como espaço para testes, treinamentos e demonstrações de campo.
O projeto é liderado por Gustavo Hossri, engenheiro agrônomo e gerente geral da Komet para a América Latina e Caribe, e tem como foco o desenvolvimento de soluções digitais e métricas inéditas para otimizar o uso da água, aumentar a produtividade agrícola e fortalecer a sustentabilidade do agronegócio global.
Tecnologia e dados a serviço da irrigação inteligente
Segundo Hossri, a agricultura do futuro será moldada pela tecnologia de aplicação de irrigação, capaz de gerar dados em tempo real e orientar decisões mais precisas no campo.
“Nosso laboratório foi criado para estabelecer novas bases tecnológicas e desenvolver ferramentas que tornem a irrigação mais eficiente, precisa e inteligente”, explica.
O departamento digital e o Experience Hub trabalham de forma integrada para criar sistemas conectados de irrigação, que transformam informações em insights práticos. O objetivo é oferecer aos agricultores maior controle e visibilidade operacional, reduzindo custos e impactos ambientais enquanto se mantém a alta performance produtiva.
Brasil se torna centro de inovação global da Komet
A escolha do Brasil como sede do novo centro tecnológico não foi por acaso. A Komet registrou um crescimento expressivo no país nos últimos sete anos, alcançando cerca de 35% de participação no mercado de pivôs de irrigação.
“O Brasil é um mercado-chave, mas as inovações desenvolvidas aqui terão uso global. As soluções que estamos criando vão apoiar a eficiência da irrigação em várias regiões do mundo”, destaca Hossri.
O Komet Experience Hub abriga um laboratório de última geração voltado à avaliação de desempenho de aspersores e ao desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico em tempo real. Além disso, o espaço oferece capacitação técnica a engenheiros e produtores rurais, fortalecendo a formação de profissionais na área de irrigação de precisão.
Entre os nomes que compõem a equipe, está Antonio Pires de Camargo, ex-professor e ex-chefe do Laboratório de Hidráulica e Irrigação da Unicamp. Para ele, o Hub é um elo entre ciência e prática:
“O Komet Experience Hub é o ponto de encontro entre o conhecimento científico e as necessidades reais do campo. A experiência que reunimos aqui repercutirá muito além das fronteiras brasileiras, contribuindo para a evolução da irrigação em escala global”, afirma Camargo.
Lançamento oficial será em 2026
A nova estrutura já vem recebendo visitantes e profissionais do setor, que participaram de uma prévia das instalações com mais de seis horas de atividades imersivas. O evento oficial de lançamento está programado para 2026 e contará com a presença de autoridades governamentais, pesquisadores, agricultores, imprensa e parceiros do setor agrícola.
Irrigação de precisão ganha importância em meio aos desafios climáticos
Com o aumento da instabilidade climática e a pressão global por maior produtividade com uso racional dos recursos naturais, a irrigação de precisão torna-se um pilar essencial para o futuro da agricultura.
A Komet destaca que suas soluções contribuem diretamente para:
- Maior produtividade, ao complementar a chuva com irrigação controlada;
- Gestão eficiente da água, protegendo as lavouras contra riscos climáticos;
- Produção contínua ao longo do ano, maximizando o uso das áreas cultiváveis.
De acordo com Hossri, sustentabilidade e rentabilidade caminham juntas:
“Combinamos padrões globais de engenharia com o conhecimento local. Nosso objetivo é fornecer dados, ferramentas e capacitação para que produtores de todos os portes se adaptem às mudanças climáticas, melhorando seus resultados”, enfatiza.
Compromisso com a sustentabilidade e o futuro do agro
Com o novo departamento e o Experience Hub, a Komet posiciona o Brasil como referência mundial em inovação e agricultura de precisão. A empresa pretende ampliar o compartilhamento de conhecimento e dados por meio de sua rede global, fortalecendo a cooperação entre pesquisa, tecnologia e sustentabilidade.
Desde suas origens na engenharia europeia até sua atuação no agronegócio brasileiro, a Komet reforça seu compromisso de alimentar o mundo de forma mais eficiente, promovendo o uso inteligente da água e o avanço das soluções de irrigação sustentáveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro



