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MACRO/CEPEA: Estudo inédito mostra que PIB da cadeia de flores e plantas ornamentais supera os R$ 7 bi
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Cepea, 25/08/2022 – Estudo inédito realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com o Ibraflor (Instituto Brasileiro de Floricultura) mostra que o PIB da cadeia de flores e plantas ornamentais foi de R$ 7,16 bilhões em 2017. Diante disso, essa cadeia representou 0,53% do agronegócio brasileiro de 2017. Quando deflacionado, esse PIB a preços atuais atinge os R$ 9,1 bilhões.
Segundo pesquisadores do Cepea, 2017 foi escolhido como ano-base por se tratar da última divulgação do censo agropecuário – que contempla informações detalhadas sobre as atividades agropecuárias brasileiras que são utilizadas na estimação. A partir de 2017, o PIB da cadeia será evoluído pelo Cepea/Ibraflor, criando-se uma série histórica que alcança os anos correntes e que se manterá sempre atualizada, a ser explorada nos próximos relatórios, que, por sua vez, serão divulgados no site do Cepea.
Pesquisadores do Cepea e profissionais do Ibraflor avaliam que a existência de informações confiáveis e sempre atualizadas sobre a dimensão e o desempenho da cadeia de flores e plantas ornamentais se torna essencial diante do dinamismo atual, da perspectiva de crescimento e dos desafios que essa cadeia ainda enfrenta.
PRIMEIROS RESULTADOS – O PIB gerado dentro da porteira (na produção de flores e plantas ornamentais) somou R$ 1,67 bilhão em 2017, 23% do total da cadeia. O PIB per capita deste segmento foi estimado em R$ 35,3 mil, 76% superior ao médio da agropecuária, o que, segundo pesquisadores do Cepea, evidencia a elevada agregação de valor por trabalhador na atividade, que é formada predominantemente por pequenos estabelecimentos familiares e intensiva em tecnologia. Importante lembrar que o PIB gerado deve remunerar todos os fatores de produção envolvidos, convertendo-se em pagamentos de salários, juros, aluguéis, impostos e remuneração do empregador/autônomo.
Os segmentos de comércio e serviços pós-porteira (exceto agrosserviços), em conjunto, geraram PIB de R$ 2,19 bilhões (31% do total), sendo R$ 178 milhões no comércio atacadista, R$ 321 milhões nos super e hipermercados, R$ 624 milhões nas floriculturas, R$ 728 milhões nos serviços de decoração e R$ 335 milhões nos serviços de paisagismo e jardinagem. Esse resultado explicita a importante agregação de valor que continua ocorrendo na economia enquanto as flores e plantas ornamentais que saem do produtor chegam ao consumidor final.
Como usualmente ocorre, no agronegócio como um todo e também na economia brasileira, a maior agregação de valor deveu-se ao segmento de agrosserviços da cadeia, cujo PIB somou R$ 3,23 bilhões (45% do total), de acordo com o Cepea. Esse valor é uma estimativa do que foi gerado pelas atividades econômicas do País ao prestarem, à cadeia de flores e plantas ornamentais, serviços de transporte, financeiros, jurídicos, contábeis, de consultoria, de telecomunicações, entre outros.
A cadeia movimentou R$ 14,6 bilhões (soma dos valores brutos de produção de todos os segmentos). Essa medida não é uma boa aferição da dimensão da cadeia no sistema econômico (e contém duplas contagens), mas é um indicativo do valor que a cadeia fez “girar” na economia em 2017.
Estimou-se também a elasticidade-renda da demanda da cadeia: um incremento de 1% na renda per capita da população implica aumento no gasto de consumo per capita com flores e plantas ornamentais de 1,235%. De acordo com pesquisadores do Cepea, essa sensibilidade é similar à de outros produtos considerados superiores ou de luxo, como vinhos, frutas mais caras e alimentos light, diet e orgânicos.
NOTAS METODOLÓGICAS – O objetivo desta etapa do projeto entre o Cepea e o Ibraflor foi dimensionar o PIB do agronegócio da cadeia no ano de 2017, trazendo uma fotografia da geração de renda ao longo de seus segmentos. Esse objetivo foi alcançado mediante aplicação de metodologia própria do Cepea, adotada para o PIB do agronegócio brasileiro desde 1999 e adaptada e aplicada a diversas outras cadeias agropecuárias. A base de cálculo dos valores monetários do PIB foi uma Matriz de Insumo-Produto (MIP), estimada neste estudo para o ano de 2017, com base nas matrizes e Tabelas de Recursos e Usos divulgadas pelo IBGE.
Lembra-se que o PIB é uma medida de VALOR ADICIONADO. O PIB, em cada etapa da cadeia, é medido pela ótica do produto ou pelo Valor Adicionado (VA) acrescido dos Impostos Indiretos Líquidos de Subsídios (IIL). O VA é obtido pela diferença entre o Valor Bruto da Produção (VBP) e o Consumo Intermediário (CI), que diz respeito ao custo dos insumos consumidos na produção. A renda gerada, por sua vez, se destina à remuneração de todos os fatores de produção – tal que o PIB não é um indicativo de lucratividade.
A cadeia de flores e plantas ornamentais, especificamente, apresenta grande variedade de agentes atuando no pós-porteira, formando uma complexa rede de interrelações. Mas, a estimação do PIB envolve algumas simplificações e agrupamentos de atividades. Veja mais detalhes aqui.
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o PIB da cadeia de plantas e flores ornamentais: https://cepea.esalq.usp.br/br/pib-da-cadeia-de-flores-e-plantas-ornamentais.aspx , por meio da Comunicação Cepea, com o prof. Geraldo Barros e a pesquisadora Nicole Rennó: [email protected]
Fonte: CEPEA
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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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