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Mercado do milho segue travado no Brasil, enquanto preços recuam na B3 e em Chicago
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O mercado de milho no Brasil permanece travado em diversas regiões produtoras, mesmo com o avanço da colheita da segunda safra. A combinação entre oferta restrita, demanda contida e recuo nas cotações internacionais tem mantido a comercialização lenta e os preços pressionados. Veja abaixo os destaques por região e no mercado futuro:
Colheita avança, mas negócios seguem travados no Sul e Centro-Oeste
Rio Grande do Sul:
Segundo a TF Agroeconômica, os preços do milho seguem estáveis no estado, mesmo com a colheita avançada. A liquidez é baixa devido à combinação entre oferta limitada e compradores defensivos. As cotações seguem inalteradas:
- R$ 66,00/saca em Santa Rosa e Ijuí
- R$ 67,00 em Não-Me-Toque
- R$ 68,00 em Marau, Gaurama e Seberi
- R$ 70,00 em Arroio do Meio, Lajeado e Montenegro
Santa Catarina:
Apesar da safra recorde e da colheita acelerada, o mercado continua travado. A diferença entre os preços pedidos pelos produtores e os ofertados pelos compradores mantém os negócios paralisados:
- No Planalto Norte, produtores pedem R$ 82,00, mas ofertas não passam de R$ 79,00
- Em Campos Novos, pedidos variam de R$ 83,00 a R$ 85,00, enquanto ofertas CIF estão em R$ 80,00
Paraná:
O estado também enfrenta um mercado travado, aguardando a consolidação da segunda safra. Nos Campos Gerais, o milho disponível é ofertado a R$ 76,00/saca FOB, com pedidos pontuais de até R$ 80,00. Já as ofertas CIF para entrega em junho estão em R$ 73,00, voltadas principalmente para a indústria de ração. A colheita da segunda safra ainda está praticamente parada.
Mato Grosso do Sul:
A colheita segue lenta e o mercado permanece enfraquecido. Compradores estão cautelosos e vendedores relutam em aceitar os preços atuais. As últimas cotações são:
- R$ 50,81 em Dourados
- R$ 53,00 em Campo Grande
- R$ 54,00 em Sidrolândia
- R$ 53,00 em Maracaju
- R$ 44,02 em Chapadão do Sul, onde a pressão nos preços foi mais intensa
Mercado futuro recua na B3 com dólar em baixa e exportações fracas
O milho registrou queda na B3 nesta segunda-feira, influenciado pela desvalorização do dólar — no menor nível desde outubro — e pela retração das cotações em Chicago. O desempenho fraco das exportações brasileiras também contribuiu para a pressão negativa nos preços.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou apenas 7,8% do volume registrado no mesmo período de 2023, o que impacta a regulação dos estoques internos e a paridade internacional.
Estimativas de safra indicam produção elevada em 2024/25
Segundo o Cepea, as boas condições climáticas favorecem o desenvolvimento da segunda safra de milho no Brasil, colaborando para o cenário de pressão nos preços. A Conab revisou suas estimativas para a produção total em 2024/25 para 128,25 milhões de toneladas — um aumento de 1,37 milhão em relação a maio. Só a segunda safra deve alcançar 101 milhões de toneladas, 12% acima do ciclo anterior e a segunda maior da história.
Chicago também registra queda nas cotações
No mercado internacional, os preços do milho em Chicago também caíram, pressionados pelas condições climáticas favoráveis às lavouras nos Estados Unidos e pelo avanço do plantio.
- O contrato de julho caiu 2,19%, para US$ 4,3475/bushel
- O contrato de setembro recuou 2,04%, para US$ 4,1975/bushel
O mercado também foi impactado pela ausência de estímulos ao setor de etanol, após cortes obrigatórios no uso de biocombustíveis nos EUA.
Cotações futuras na B3 em queda
Os contratos futuros do milho na B3 encerraram o dia com desvalorização:
- Julho/2025: R$ 62,41/saca, queda de R$ 0,88 no dia e R$ 1,70 na semana
- Setembro/2025: R$ 67,31/saca, recuo de R$ 0,64 no dia e R$ 0,85 na semana
Com mercado interno travado, exportações fracas e cenário internacional desfavorável, o milho brasileiro enfrenta um momento de incertezas, com preços pressionados e negociações pouco dinâmicas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas
A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.
A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.
Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.
No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.
Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.
A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.
O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.
As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.
Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.
Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.
A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.
Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.
A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.
No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.
Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.
O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.
Fonte: Pensar Agro


