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Mercados europeus recuam após derrota de Friedrich Merz e incertezas sobre tarifas dos EUA
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Os principais índices acionários da Europa operaram em queda nesta terça-feira (6), influenciados por turbulências políticas na Alemanha e pela indefinição em relação às tarifas comerciais dos Estados Unidos. A derrota de Friedrich Merz, líder conservador alemão, em sua tentativa de se tornar chanceler, somada ao clima global de instabilidade econômica, afetou o desempenho das bolsas europeias.
Revés político na Alemanha pressiona ações locais
A Bolsa de Frankfurt liderou as perdas entre os mercados da região, após Friedrich Merz, do bloco conservador CDU/CSU, não conseguir formar uma maioria parlamentar, mesmo após vencer as eleições federais em fevereiro. A expectativa era que ele assumisse o cargo de chanceler em uma coalizão com os social-democratas, mas a articulação fracassou.
“Esse resultado é inédito e atrasa a transição de poder na Alemanha”, destacaram analistas do Société Générale em nota enviada a investidores.
STOXX 600 em queda com clima de cautela
O índice europeu STOXX 600 registrava queda de 0,47%, cotado a 534,81 pontos, refletindo o pessimismo dos investidores diante dos acontecimentos políticos e econômicos. A perda de tração na economia da zona do euro também contribuiu para o movimento de baixa.
Zona do euro cresce, mas a recuperação segue frágil
Apesar de ter registrado expansão em abril, a economia da zona do euro mostra sinais de enfraquecimento. Segundo pesquisa recente, a demanda diminuiu e o setor de serviços praticamente estagnou, o que levanta dúvidas sobre a solidez da recuperação econômica na região.
Tarifas dos EUA e China geram incertezas globais
As tensões comerciais entre Estados Unidos e China permanecem no radar. Embora o governo chinês tenha sinalizado disposição para discutir tarifas com Washington, ainda não há detalhes concretos sobre eventuais acordos.
Além disso, o ex-presidente Donald Trump anunciou no fim de semana uma tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora dos EUA. No dia seguinte, afirmou que pretende ampliar a taxação para o setor farmacêutico, o que gerou preocupação entre investidores globais.
Federal Reserve no foco dos mercados
Investidores também aguardam com atenção a decisão do Federal Reserve (Fed), prevista para esta quarta-feira (7). Embora a expectativa seja de manutenção da taxa de juros, os mercados estarão atentos aos pronunciamentos da instituição sobre os possíveis impactos das tarifas sobre o crescimento econômico dos Estados Unidos.
Desempenho das principais bolsas europeias:
- Frankfurt (DAX): queda de 0,96%, aos 23.121 pontos
- Paris (CAC-A1540): recuo de 0,59%, aos 7.682 pontos
- Milão (FTSE/Mib): baixa de 0,49%, aos 38.286 pontos
- Madri (Ibex-35): queda de 0,21%, aos 1.489 pontos
- Londres (FTSE 100): recuo de 0,18%, aos 8.580 pontos
- Lisboa (PSI20): desvalorização de 0,16%, aos 6.988 pontos
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Em ano de El Niño, Mapa recebe da Embrapa 163 medidas para gestão de riscos climáticos no campo
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu um conjunto de 163 medidas sistematizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para apoiar a gestão de riscos climáticos na agropecuária. As recomendações consideram os possíveis impactos associados ao fenômeno El Niño na safra 2026/2027 e também propõem ações permanentes de prevenção, adaptação e redução de riscos no campo.
A nota técnica foi elaborada no âmbito do Grupo de Trabalho sobre El Niño, instituído pelo Mapa, com a participação de especialistas da Embrapa e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Cerca de 50 profissionais da Embrapa contribuíram para a elaboração das recomendações.
“Embora motivado pelo El Niño 2026/27, o documento adota uma perspectiva mais ampla de gestão de riscos agroclimáticos, reconhecendo que grande parte das ameaças, vulnerabilidades e medidas analisadas é aplicável também a outros eventos e condições climáticas recorrentes”, afirma a presidente da Embrapa Silvia Massruhá.
Das 163 medidas propostas, 14 são transversais a todo o setor agropecuário, 139 são específicas por segmento produtivo e dez correspondem a ações viabilizadoras ou de apoio a programas de política pública.
Para o coordenador do Grupo de Trabalho, Bruno Leite, a nota técnica contribui para dimensionar os impactos associados ao El Niño e reúne referências técnicas que podem orientar ações de prevenção e redução de danos.
“Nós já temos um cardápio bastante grande de tecnologias que ajudam a enfrentar o El Niño e eventos climáticos adversos. O desafio agora é fazer com que esse conhecimento chegue ao produtor rural”, disse.
GRUPO DE TRABALHO APRESENTA RELATÓRIO
Na próxima quinta-feira (3), o Grupo de Trabalho instituído pela Portaria MAPA nº 928/2026, apresenta relatório com propostas e estratégias de adaptação e mitigação diante do fenômeno El Niño. A nota técnica elaborada pela Embrapa integra uma das frentes de trabalho do grupo.
Durante o período de atuação, o GT reuniu informações e contribuições de diferentes instituições, entre elas a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Embrapa, o Inmet e secretarias do Mapa.
Entre as propostas que serão apresentadas pelo grupo está a implantação de um plano de comunicação coordenado entre as instituições. Paralelamente, o Mapa trabalha na elaboração de uma página especial, vídeos informativos e outros materiais voltados à divulgação de informações sobre riscos climáticos e medidas de prevenção e adaptação.
MEDIDAS PARA DIFERENTES CADEIAS PRODUTIVAS
As recomendações da Embrapa estão estruturadas a partir da identificação dos principais riscos e impactos sobre culturas e cadeias produtivas e consideram diferentes formas de tratamento dos riscos, incluindo prevenção, redução de impactos, transferência de riscos e aceitação do risco remanescente.
As 163 medidas indicam, ainda, o horizonte de implementação – imediato, curto, médio ou longo prazo – e as condições necessárias para sua adoção.
Entre as medidas transversais estão o monitoramento de previsões meteorológicas e o uso de dados meteorológicos locais; a utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc); a diversificação espacial e temporal da produção; a adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); a elaboração de planos de contingência para eventos climáticos adversos; a manutenção da infraestrutura da propriedade rural; a avaliação econômica do nível de proteção para cada risco; dimensionamento da capacidade operacional; registro de eventos e impactos climáticos para melhor avaliação sobre as medidas adotadas; avaliação econômica do nível de proteção para cada risco; criação de reservas financeiras; utilização de seguro rural e outros mecanismos de transferência de risco; e capacitação de equipes.
As recomendações específicas para as cadeias produtivas abrangem temas como manejo do solo, escolha de cultivares, planejamento das operações, estruturas de proteção, drenagem e irrigação.
O documento também apresenta medidas de caráter institucional, financeiro, científico, tecnológico e de assistência técnica, cuja implementação depende da atuação de instituições públicas e de políticas voltadas à gestão de riscos climáticos. Entre elas estão o fortalecimento e aperfeiçoamento do Zarc, a ampliação de mecanismos de financiamento para adaptação climática, o aperfeiçoamento de instrumentos de transferência de riscos, como o seguro rural, o fortalecimento da assistência técnica e da pesquisa, além do aprimoramento dos sistemas de monitoramento agrometeorológico e da gestão integrada de recursos hídricos.
GESTÃO PERMANENTE DE RISCOS
O coordenador da Rede Zarc e pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Eduardo Monteiro, destaca que a nota técnica aponta para um desafio que vai além dos efeitos específicos do El Niño: a consolidação de uma política permanente de gestão de riscos agroclimáticos.
“O principal legado desse grupo de trabalho pode ser a transição de uma lógica predominantemente reativa de gestão de crises para uma cultura permanente de antecipação, preparação, adaptação, monitoramento e aprendizagem”, analisa Monteiro.
Na prática, a abordagem considera a necessidade de ampliar a capacidade de antecipar, monitorar e responder a diferentes eventos climáticos, como secas, excesso de precipitação, ondas de calor, geadas, tempestades e incêndios.
IMPACTOS DO EL NIÑO
A nota técnica apresenta o histórico dos efeitos associados ao El Niño no Brasil e as projeções para 2026. As informações, no entanto, não determinam antecipadamente os impactos sobre cada região, cultura ou sistema produtivo.
Entre os cenários considerados está a maior probabilidade de precipitação abaixo da média em áreas do Centro-Norte do país e acima da média na Região Sul. O documento considera riscos como atraso ou irregularidade no início da estação chuvosa, chuvas abaixo da média e déficit hídrico prolongado, temperaturas elevadas, chuvas acima da média e tempestades convectivas severas.
Os impactos e as medidas de gestão são detalhados para diferentes cadeias, incluindo grãos e fibras, fruticultura, silvicultura, olericultura, pastagens e pecuária, culturas industriais e aquicultura.
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