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Nova Lei dos EUA Reduz Incentivos e Abala Produção de Biodiesel, Impactando o Brasil

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A entrada em vigor, em janeiro de 2025, da nova legislação americana de estímulo a biocombustíveis – o Inflation Reduction Act (IRA) – substituiu o antigo programa Biodiesel Blender Tax Credit (BTC). Com isso, o crédito fiscal federal gerado por biodiesel caiu para uma média de US$ 0,45/galão, bem abaixo do valor fixo anterior de US$ 1,00.

Diferente do BTC, o novo crédito (batizado 45Z) depende da intensidade de carbono (IC) do biocombustível, medida com base no ciclo de vida do produto e da matéria-prima. Além disso, apenas produtores locais podem solicitar o benefício, excluindo importações – com exceções apenas para etanol brasileiro de cana e óleo de canola canadense.

Efeitos na Produção e Importações dos EUA

Desde o início de 2025, a produção de biodiesel nos Estados Unidos caiu 54% e a de diesel renovável, 25%. Também houve forte recuo nas importações: biodiesel (-81%) e diesel renovável (-76%), reflexo direto da exclusão dos biocombustíveis importados do crédito 45Z.

A ociosidade da indústria é preocupante. Em fevereiro, a taxa de utilização da capacidade instalada foi de 33% para biodiesel e 57% para diesel renovável, contra médias de 62% e 80% em 2024, respectivamente.

Impactos na Matéria-Prima: Menor Uso de Óleo Vegetal

O novo modelo favorece matérias-primas com menor intensidade de carbono, como sebo e óleo de milho, ambos de origem doméstica. Enquanto o uso de óleo de cozinha usado (UCO), majoritariamente importado, recuou 29%, o óleo de soja e o de canola caíram 33% e 58%, respectivamente. Isso se deve ao fato de produtos agrícolas primários, como a soja, sofrerem penalização maior pela metodologia de cálculo do crédito.

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RFS e o Papel dos Créditos RIN

Nos EUA, o programa Renewable Fuel Standard (RFS) segue ativo e determina metas volumétricas obrigatórias para o uso de biocombustíveis. Ele funciona com a emissão de créditos conhecidos como RINs, que são negociados no mercado. Para 2025, por exemplo, a meta para o diesel à base de biomassa (categoria D4) é de 3,35 bilhões de galões.

Com a queda de produção de biodiesel, a geração de RINs também caiu, o que tende a pressionar os preços desses créditos para cima e incentivar uma eventual retomada da produção.

Estados Também Regulam: Destaque para a Califórnia

Programas estaduais, como o Low Carbon Fuels Standard (LCFS) da Califórnia, continuam ativos e exigem a comprovação de emissões reduzidas com base em metodologias específicas. Esse sistema de “cap-and-trade” para emissões reforça o uso de combustíveis de baixo carbono, como o diesel renovável.

No entanto, com o aumento da eficiência no cumprimento das metas (graças ao diesel renovável e veículos elétricos), os créditos LCFS perderam valor, o que também afeta os incentivos locais.

Cenário Futuro: Retomada Moderada e Propostas no Congresso

Apesar da retração no início de 2025, espera-se que a produção americana de biodiesel se recupere parcialmente nos próximos meses, com a ajuda da elevação dos preços dos RINs. O uso de óleo de soja tende a crescer, dado seu amplo suprimento interno e a possível alteração nas regras do crédito 45Z para excluir o efeito do iLUC (mudança indireta de uso da terra) do cálculo da intensidade de carbono.

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Há ainda propostas no Congresso americano para aumentar os mandatos obrigatórios de biocombustíveis a partir de 2026. Especula-se que o mandato do D4 pode passar de 3,35 para 5,25 bilhões de galões, o que daria novo impulso à produção local.

Reflexos para o Brasil: Efeitos em Sebo e Óleo de Soja

Embora o Brasil exporte pouco biodiesel para os EUA, os impactos indiretos serão sentidos principalmente nas matérias-primas. A expectativa é de queda nas exportações brasileiras de sebo bovino. Já o óleo de soja, com menor demanda americana, pode registrar preços mais baixos no mercado brasileiro – especialmente nos portos, com basis negativo frente à bolsa de Chicago.

Essa diferença de preços, observada entre 2022 e 2023, pode se repetir nos próximos meses, com o Brasil se tornando menos competitivo para atender à nova lógica de incentivos nos EUA.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produção avança no Maranhão e Piauí e reforça expansão agrícola do Matopiba

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A produção de grãos continua ganhando espaço no Matopiba. Maranhão e Piauí acrescentaram cerca de 43 mil hectares ao cultivo de soja na safra 2025/26 e já somam aproximadamente 2,72 milhões de hectares plantados com a oleaginosa. O avanço ocorre junto com o crescimento do milho de primeira safra, cuja área aumentou perto de 23% nos dois Estados.

Os dados são da terceira edição da série Mapas Agro, levantamento da Serasa Experian que compara as safras 2024/25 e 2025/26. Os números mostram que a expansão agrícola permanece concentrada em importantes polos de produção do Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O Piauí apresentou o maior crescimento da soja entre os Estados analisados. A área chegou a aproximadamente 1,1 milhão de hectares, 32 mil hectares a mais que no ciclo anterior.

O avanço fica ainda mais evidente quando observado em um período maior. Desde 2020/21, o cultivo de soja no Piauí cresceu 40,2%, com a incorporação de aproximadamente 320 mil hectares. Santa Filomena e Currais lideraram a expansão mais recente, com acréscimos de 8,6 mil e 8,3 mil hectares, respectivamente.

No Maranhão, a soja ocupa cerca de 1,62 milhão de hectares, aumento de aproximadamente 11 mil hectares em uma safra. Em seis ciclos, porém, a expansão acumulada chega a 51,2%, equivalente a cerca de 550 mil novos hectares. Mirador apresentou o maior avanço municipal na temporada, com aproximadamente 5,9 mil hectares adicionais.

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Somada à Bahia, onde levantamento anterior identificou 2,27 milhões de hectares, a soja cultivada nos três Estados se aproxima de 5 milhões de hectares. Os números reforçam o peso crescente do Nordeste na produção brasileira da oleaginosa.

O milho também acompanha esse movimento. Maranhão e Piauí alcançaram juntos 322.842 hectares de milho de primeira safra em 2025/26, crescimento próximo de 23% em relação ao ciclo anterior. O Piauí responde por 166.243 hectares e o Maranhão, por 156.599 hectares.

Municípios como Uruçuí e Baixa Grande do Ribeiro, no Piauí, e Balsas e Bom Jesus das Selvas, no Maranhão, aparecem entre as áreas de expansão do cereal.

O crescimento ganha importância diante dos investimentos na cadeia de etanol de milho na região. A instalação e expansão de unidades industriais tende a criar demanda mais próxima das áreas produtoras, ampliar as alternativas de comercialização do cereal e estimular investimentos em armazenagem, transporte e outros serviços ligados à produção.

O levantamento também mostra que a expansão não ocorre de maneira uniforme no País. Acre e Amazonas, que possuem participação ainda pequena no cultivo nacional, reduziram conjuntamente a área de soja em cerca de 4 mil hectares, para aproximadamente 28 mil hectares. Mesmo assim, a área cultivada nos dois Estados ainda acumula crescimento de 232,6% desde 2020/21.

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Além de medir a evolução das lavouras, o Mapas Agro cruza informações produtivas com indicadores territoriais e socioambientais. A presença de soja em imóveis com registros de desmatamento identificados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também integra a análise.

O registro, por si só, não caracteriza desmatamento ilegal. A regularidade depende das condições e autorizações previstas na legislação ambiental, e a documentação é exigida nas operações sujeitas às regras do Manual de Crédito Rural.

Para o produtor, a consolidação de novas áreas de grãos tem efeitos que ultrapassam a porteira. O aumento da produção tende a elevar a demanda por armazenagem, transporte, insumos, crédito e seguro rural e, ao mesmo tempo, pode favorecer a chegada de indústrias consumidoras de soja e milho.

Os números de Maranhão e Piauí mostram, sobretudo, que o Matopiba continua ampliando sua participação no mapa agrícola brasileiro, com novos polos produtivos e maior diversificação das oportunidades de comercialização de grãos.

Fonte: Pensar Agro

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