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Oscilação nos preços do açúcar marca semana com foco na produção brasileira e demanda internacional
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O mercado futuro do açúcar iniciou esta quarta-feira (30) com leves quedas nas bolsas internacionais, refletindo a cautela dos investidores diante da expectativa pela divulgação dos dados da produção de cana-de-açúcar no Brasil. Por outro lado, o fechamento da terça-feira (29) foi de alta, impulsionado pela valorização do petróleo, recuperação da demanda global e fatores adversos da safra brasileira. Acompanhe os principais destaques:
Leves quedas no mercado futuro nesta quarta-feira (30)
Na ICE Futures de Nova York, os contratos futuros do açúcar apresentaram desvalorizações moderadas no início da sessão:
- Outubro/25: queda de 0,17%, cotado a 16,42 centavos de dólar por libra-peso;
- Março/26: recuo de 0,15%, negociado a 17,04 c/lb;
- Maio/25: baixa de 0,14%, a 16,72 c/lb.
Na ICE Europe, em Londres, o movimento também foi de baixa para o contrato outubro/25, que caiu 6,10 pontos, para US$ 469,30 por tonelada. Em contrapartida, o contrato dezembro/25 avançou 6,30 pontos, negociado a US$ 461,40 por tonelada.
Expectativas sobre a produção no Centro-Sul do Brasil
Os operadores aguardam a divulgação dos dados da produção de açúcar e cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, referentes à primeira quinzena de julho. Segundo projeção da S&P Global Commodity Insights, a produção de açúcar na região deve crescer 12,5%, alcançando 3,3 milhões de toneladas.
Alta registrada na terça-feira (29) foi puxada por petróleo e demanda
Na véspera, os preços do açúcar encerraram o dia em alta, com suporte dos seguintes fatores:
- Valorização do petróleo, o que aumenta a competitividade do etanol e pode incentivar usinas a priorizarem a produção do biocombustível em detrimento do açúcar;
- Aumento nas importações chinesas, que cresceram 1.435% em junho, somando 420 mil toneladas;
- ATR abaixo do esperado no Centro-Sul, conforme dados da Reuters;
- Maior demanda de países como o Paquistão, que contribui para a sustentação dos preços.
Desempenho nas bolsas internacionais
Nova York (ICE Futures US):
- Outubro/25: alta de 16 pontos, fechando a 16,59 c/lb;
- Março/26: alta de 14 pontos, encerrando a 17,19 c/lb.
Londres (ICE Europe):
- Outubro/25: avanço de US$ 0,50, para US$ 475,30/t;
- Dezembro/25: alta de US$ 1,60, negociado a US$ 467,70/t.
Açúcar cristal e etanol hidratado no mercado interno
Açúcar cristal: recuo de 0,26%, com a saca de 50 kg cotada a R$ 120,62, segundo o Indicador Cepea/Esalq (USP).
Etanol hidratado: alta de 0,65%, com o metro cúbico negociado a R$ 2.717,00 pelas usinas, segundo o Indicador Diário Paulínia.
O cenário permanece volátil, com o mercado global reagindo tanto às variáveis climáticas e produtivas no Brasil quanto ao comportamento da demanda internacional e às cotações do petróleo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


