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Paraná registra melhor semestre em exportações de carne suína desde 1997 com 110,7 mil toneladas
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Recorde nas exportações de carne suína
O Paraná alcançou o melhor desempenho semestral em exportações de carne suína desde o início da série histórica, em 1997, com 110,7 mil toneladas enviadas ao exterior no primeiro semestre de 2025. O volume representa um aumento de 39,4% (31,3 mil toneladas a mais) em comparação ao mesmo período do ano passado e supera em 6,4 mil toneladas o recorde anterior registrado no segundo semestre de 2024, conforme dados do Boletim de Conjuntura Agropecuária, divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
A veterinária Priscila Cavalheiro Marcenovicz destaca que os últimos quatro recordes ocorreram no segundo semestre, o que ressalta a relevância do resultado já obtido nos primeiros seis meses de 2025. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento nas exportações para parceiros comerciais estratégicos, liderados por Hong Kong, que adquiriu 20,5 mil toneladas — um crescimento de 23,9% em relação ao ano anterior. Outros mercados importantes incluem Uruguai, Argentina, Filipinas, Singapura e Vietnã. A expectativa é que o Paraná registre novo recorde no segundo semestre.
Recuperação nas exportações de carne de frango
Após o impacto causado pelo foco de influenza aviária em Montenegro (RS), as exportações brasileiras de carne de frango mostram sinais de recuperação gradual. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o faturamento com vendas externas de produtos in natura e processados cresceu 5,1% no primeiro semestre de 2025, alcançando US$ 4,871 bilhões, ante US$ 4,636 bilhões no mesmo período do ano passado. Em volume, as exportações passaram de 2,58 milhões para 2,6 milhões de toneladas (alta de 0,5%).
Os principais destinos da carne de frango brasileira neste ano foram Emirados Árabes Unidos, China, Arábia Saudita, Japão, África do Sul, União Europeia, Filipinas e México.
Exportações brasileiras de ovos crescem no início de 2025
O Brasil registrou aumento nas exportações de ovoprodutos entre janeiro e maio, totalizando 26.126 toneladas — crescimento de 35,7% em relação às 19.247 toneladas exportadas no mesmo período de 2024. O faturamento acompanhou a alta, subindo para US$ 86,127 milhões, contra US$ 68,690 milhões no ano anterior.
São Paulo lidera como maior exportador, enquanto o Paraná, quarto colocado, apresentou redução nas exportações e receita: de 4.567 toneladas e US$ 19,051 milhões em 2024 para 2.961 toneladas e US$ 14,408 milhões em 2025.
Mercado bovino com pressão nos preços
Em julho, o preço da arroba bovina tem sofrido queda. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o produto acumulou baixa de 3,72%, sendo negociado a R$ 305,60. No Paraná, o Deral registrou leve recuperação no preço médio no atacado, com o dianteiro vendido a R$ 19,07/kg e o traseiro a R$ 25,25/kg. A concorrência com carnes suína e de frango, mais baratas, tem contribuído para a estabilidade dos valores.
Plantio de cevada avança com boa expectativa de produção
O plantio da cevada no Paraná atingiu 90% da área prevista, com avanço de 13 pontos percentuais na primeira semana de julho. O ritmo deve continuar positivo, favorecido pela boa disponibilidade hídrica no solo e previsão de tempo firme. A semeadura deve ser concluída ainda em julho.
As geadas recentes tiveram impacto pontual na cultura. A produção estimada para esta safra é de 423 mil toneladas, volume 43% superior ao de 2024, graças ao aumento de 20% na área cultivada, que passou de 80,5 mil para 96,9 mil hectares.
Colheita da segunda safra de milho progride
A colheita da segunda safra de milho 2024/25 no Paraná já alcança 29% da área total estimada, ritmo superior ao observado nas últimas cinco safras para o mesmo período (20%). No entanto, a qualidade das lavouras registrou leve queda: áreas consideradas boas caíram de 68% para 64%, enquanto as medianas e ruins subiram para 20% e 15%, respectivamente, influenciadas pelas geadas do fim de junho.
Variedade e oscilações nos preços das frutas no Paraná
O estado depende significativamente do fornecimento de frutas de outras regiões, o que faz com que os preços variem conforme sazonalidade, clima, pragas e custos logísticos. O boletim do Deral analisou os preços nominais de 12 frutas comercializadas na Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa-PR) em Curitiba ao longo de um ano.
O estudo identificou alta nos preços de limão tahiti, mamão formosa, morango e abacate; queda em melão, manga tommy atkins, banana caturra, melancia, maçã gala, abacaxi e uva niágara; e estabilidade no preço da laranja.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


