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Produção de terneiros e melhoramento genético são destaque em fórum da Fenagen 2026 no Rio Grande do Sul

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A produção de terneiros e o avanço do melhoramento genético na pecuária de corte serão os principais temas do Fórum Promebo na Prática, que integra a programação da 3ª Feira Nacional de Genética Promebo (Fenagen). O evento acontece entre os dias 1º e 4 de julho, na sede da Associação Rural de Pelotas (RS), reunindo produtores, técnicos e especialistas do setor pecuário.

Promovido pela Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC), o fórum tem como objetivo aproximar o conhecimento técnico da realidade de campo, demonstrando na prática o impacto da genética na produtividade, na padronização dos rebanhos e na rentabilidade da pecuária de corte.

Genética e eficiência produtiva são foco dos debates

A programação do primeiro dia do fórum contará com palestras voltadas aos principais desafios da cadeia produtiva da carne bovina, com destaque para a produção e padronização de terneiros, tema abordado pelo presidente da Associação dos Núcleos de Terneiros de Corte, Jacques Brasil de Souza.

Também estarão em pauta o mercado de exportação de terneiros e a implantação da rastreabilidade bovina no Rio Grande do Sul, que será apresentada pelo secretário estadual da Agricultura, Márcio Madalena.

Além dos debates técnicos, o evento incluirá relatos de produtores que utilizam o Programa Promebo, com destaque para experiências práticas de adoção do melhoramento genético e seus impactos na eficiência produtiva.

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Casos reais mostram impacto da seleção genética

Durante a programação, um produtor participante do Promebo Comercial apresentará sua experiência no programa, destacando os motivos que o levaram a adotar a ferramenta e os resultados observados na produção.

Também será apresentado o ponto de vista de compradores de terneiros, que irão detalhar os principais critérios de avaliação no mercado, como padronização dos lotes, rendimento de carcaça e qualidade dos animais.

Segundo a superintendente de Registro Genealógico da ANC, Silvia Freitas, a proposta do fórum é integrar teoria e prática, mostrando de forma objetiva como a genética influencia o desempenho dos rebanhos.

Demonstrações de campo evidenciam diferenças genéticas

No período da tarde, os participantes terão acesso a demonstrações práticas com diferentes lotes de animais, evidenciando o impacto direto da seleção genética na pecuária de corte.

Um dos destaques será a comparação entre terneiros filhos de touros com Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) positivas para peso à desmama e animais oriundos de reprodutores com menor desempenho genético para a mesma característica.

Outra avaliação abordará a qualidade de carcaça, com a apresentação de animais descendentes de touros com melhor desempenho em características relacionadas à rentabilidade, acabamento e precocidade, com base em análises por ultrassonografia.

Resistência a parasitas também entra na avaliação

O fórum também apresentará comparações relacionadas à resistência ao carrapato, um dos principais desafios sanitários da pecuária de corte no Sul do país.

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Serão expostos terneiros filhos de touros com maior resistência genética ao parasita, comparados a animais mais suscetíveis à infestação. A iniciativa faz parte de um projeto desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus no município de Rio Grande (RS).

Além disso, outra propriedade participante apresentará lotes com características genéticas específicas ainda em definição, reforçando o rigor técnico e a importância da validação dos resultados obtidos por meio do melhoramento genético.

Genética como ferramenta de rentabilidade na pecuária

De acordo com a organização, o objetivo central do Fórum Promebo na Prática é demonstrar, de forma aplicada, como a seleção de características econômicas impacta diretamente a produtividade, a padronização e a rentabilidade dos rebanhos de corte.

O tema desta edição será “Terneiros de Alto Desempenho: O Papel da Genética na Produção”, reforçando a importância da tecnologia genética como ferramenta estratégica para a pecuária moderna.

O Fórum conta com patrocínio de Alta Genetics / Progen, Neogen e ABS Pecplan. Já a Fenagen 2026 tem apoio de Banrisul, Sicredi e Senar, reforçando o caráter institucional e técnico do evento no calendário da pecuária nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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