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Senado debate regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas e setor cobra segurança jurídica para acelerar registros
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A regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional. Em audiência pública realizada nesta quarta-feira (2), na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal, representantes do setor produtivo, da indústria, do governo e parlamentares defenderam a rápida implementação das normas que regulamentam o novo marco legal, considerado estratégico para ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.
O debate foi solicitado pelo senador Jaime Bagattoli (PL-RO), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, e teve como foco a aplicação da Lei nº 14.785/2023, posteriormente atualizada pela Lei nº 15.070/2024, que estabelece novas regras para pesquisa, registro, produção, comercialização, utilização e fiscalização de defensivos agrícolas no Brasil.
Segurança jurídica e eficiência regulatória
Durante a audiência, o senador Jaime Bagattoli destacou que o novo marco regulatório foi construído para modernizar os processos administrativos, reduzir a burocracia e proporcionar maior segurança jurídica, sem comprometer os padrões de proteção à saúde humana e ao meio ambiente.
Segundo o parlamentar, a demora na regulamentação pode comprometer os objetivos da legislação e gerar interpretações divergentes entre os órgãos responsáveis pela análise dos registros.
Bagattoli ressaltou ainda que o Parlamento acompanhará a implementação da lei para assegurar que sua aplicação respeite o texto aprovado pelo Congresso. Para ele, o país precisa de um sistema regulatório compatível com a velocidade da inovação tecnológica no campo.
Outro ponto enfatizado foi o tempo necessário para aprovação de novos produtos agrícolas. Atualmente, o processo pode levar entre cinco e sete anos, prazo considerado excessivo diante das necessidades da agricultura brasileira.
CNA alerta para impactos na competitividade
Representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ana Lígia Aranha Lenat afirmou que a legislação trouxe avanços importantes ao estabelecer critérios técnicos mais modernos para o registro de defensivos agrícolas e bioinsumos.
Segundo ela, a ausência de regulamentação definitiva pode gerar insegurança jurídica, dificultar investimentos e reduzir a competitividade do agronegócio brasileiro.
A representante da CNA defendeu um modelo de fiscalização eficiente, baseado em critérios técnicos, cumprimento dos prazos legais e respeito às diretrizes estabelecidas pelo novo marco regulatório.
Ministério da Agricultura defende modernização
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, afirmou que o governo trabalha para implementar a legislação dentro dos limites legais.
Ele destacou que o novo modelo busca tornar os processos mais eficientes sem reduzir os critérios de avaliação relacionados à saúde pública e à preservação ambiental.
De acordo com Goulart, enquanto o Brasil leva, em média, cerca de sete anos para aprovar novas moléculas, outros países conseguem concluir esse processo em aproximadamente quatro anos, o que impacta diretamente a competitividade nacional.
Anvisa pede regulamentação para reduzir incertezas
A gerente-geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Cássia de Fátima Rangel Fernandes, também defendeu a regulamentação da lei.
Segundo ela, a definição clara das normas permitirá maior previsibilidade para empresas, produtores e órgãos reguladores, além de reduzir divergências na interpretação da legislação.
A representante informou ainda que a Anvisa tem mantido o cumprimento dos prazos legais e trabalhado para diminuir o estoque de processos pendentes de análise.
Indústria cobra previsibilidade para investimentos
Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Grilli Felizardo afirmou que a regulamentação é fundamental para fortalecer o ambiente de negócios no país.
Segundo ele, procedimentos objetivos e alinhados às diretrizes da legislação permitirão maior integração entre os órgãos responsáveis pelo registro de produtos, reduzindo ambiguidades e proporcionando estabilidade regulatória aos investimentos da indústria.
Produtores defendem maior agilidade nos registros
Também participou da audiência o deputado federal Rafael Simões (União-MG), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária e produtor rural.
O parlamentar afirmou que a demora na aprovação de novas moléculas reduz a competitividade do Brasil frente aos principais concorrentes internacionais.
Para ele, muitos produtos já utilizados com segurança em outros mercados ainda enfrentam longos períodos de análise no país, tornando necessário maior alinhamento entre os órgãos responsáveis pelo processo de registro.
Novo marco busca modernizar o sistema
A regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas é considerada uma das principais pautas do agronegócio em 2026 por buscar modernizar o sistema regulatório brasileiro, reduzir a burocracia e ampliar a previsibilidade para produtores, empresas e investidores.
A expectativa dos representantes do setor é de que a conclusão da regulamentação proporcione maior eficiência na aprovação de novas tecnologias, fortalecendo a competitividade da agricultura brasileira sem abrir mão dos critérios técnicos de segurança, saúde pública e proteção ambiental.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Safra recorde mantém frete agrícola em alta e fortalece demanda por transporte de grãos no Brasil
A expectativa de uma safra recorde de grãos continua impulsionando o mercado de transporte agrícola no Brasil. Mesmo após o encerramento do pico de escoamento da soja, os valores dos fretes rodoviários permanecem próximos dos níveis registrados entre fevereiro e março, período tradicionalmente marcado pela maior demanda logística.
Os dados constam na edição de junho do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta um cenário de aquecimento contínuo no transporte de produtos agrícolas, sustentado principalmente pela produção recorde de soja e pelo forte ritmo das exportações.
Produção histórica de soja sustenta demanda por transporte
De acordo com a Conab, o comportamento do mercado surpreende, já que o período pós-colheita normalmente é acompanhado por redução nas cotações do frete devido à menor necessidade de transporte.
Segundo o superintendente de Logística Operacional da Companhia, Thomé Guth, a oferta recorde da oleaginosa alterou essa dinâmica.
A produção de soja aumentou 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior, mantendo elevada a necessidade de caminhões para o escoamento da produção e impedindo uma queda mais significativa nos preços do transporte rodoviário.
Mato Grosso lidera estabilidade em patamar elevado
Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, as tarifas de frete apresentaram apenas pequenas oscilações em relação ao mês anterior.
Apesar da estabilidade, os preços continuam elevados e próximos aos registrados durante o auge da colheita, refletindo o intenso fluxo logístico para atender o escoamento da produção agrícola.
Mato Grosso do Sul e Distrito Federal registram pressão logística
No Mato Grosso do Sul, a demanda por transporte permaneceu firme mesmo após o encerramento da safra de verão.
A continuidade das exportações e o elevado volume de cargas destinadas aos mercados interno e externo sustentaram os preços do frete durante maio.
No Distrito Federal, a alta moderada dos valores foi impulsionada principalmente pelo custo do óleo diesel e pela sequência do transporte das safras de soja e milho produzidas na região Centro-Oeste.
Maranhão registra aumento dos fretes com avanço da colheita
No Maranhão, a Conab identificou elevação nos preços do transporte, impulsionada pelo avanço da colheita e pelo aumento da movimentação de cargas.
Em maio, a colheita da soja atingiu 92% da área cultivada, enquanto o milho alcançou 27% da área plantada.
A intensa movimentação rodoviária e ferroviária em direção ao Porto do Itaqui, tanto para abastecimento interno quanto para exportação, elevou os custos logísticos em aproximadamente 1,2% na comparação entre abril e maio.
Paraná mantém custos elevados nas principais rotas
No Paraná, os fretes apresentaram apenas variações pontuais, mas continuaram pressionados pelos custos operacionais.
Entre os principais fatores está o preço médio do diesel S-10, cotado em R$ 6,38 por litro, além da elevada concentração de cargas na malha rodoviária estadual.
Goiás, Bahia, Piauí e São Paulo registram desaceleração
Em sentido oposto, Goiás e Bahia apresentaram redução temporária da demanda por transporte.
O cenário reflete a conclusão da colheita da soja e o intervalo até o início da comercialização do milho de segunda safra, reduzindo momentaneamente a necessidade de fretes.
No Piauí, a queda das exportações de soja, que recuaram 22% em relação ao mês anterior, também contribuiu para a redução dos preços praticados.
Em São Paulo, os fretes seguiram em trajetória de queda após as altas registradas no início do ano. A redução foi favorecida pelo recuo no custo do diesel e pela menor demanda da indústria, mesmo com o agronegócio mantendo ritmo aquecido.
Exportações de milho e soja seguem em alta
O Boletim Logístico também destaca o desempenho das exportações brasileiras.
Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil embarcou 7,5 milhões de toneladas de milho, volume superior às 6,1 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.
Os portos do Arco Norte responderam por 33,5% das exportações de milho, seguidos por Santos (26,5%), Rio Grande (19,5%) e Paranaguá (9,6%).
Já as exportações de soja somaram 55,1 milhões de toneladas no acumulado do ano.
O Arco Norte concentrou 38,5% dos embarques da oleaginosa, enquanto o Porto de Santos respondeu por 36,8%. Paranaguá participou com 14,2% e São Francisco do Sul movimentou 4,5% do volume exportado.
Importações de fertilizantes recuam e preocupam mercado
O levantamento da Conab também aponta desaceleração nas importações brasileiras de fertilizantes.
Entre janeiro e maio deste ano, o país internalizou 15,05 milhões de toneladas, abaixo das 15,27 milhões registradas no mesmo intervalo de 2025.
Segundo a Companhia, o mercado continua atento aos elevados preços dos fertilizantes, às incertezas geopolíticas envolvendo o Oriente Médio e aos possíveis impactos climáticos do fenômeno El Niño, que pode intensificar temperaturas e alterar o regime de chuvas no segundo semestre, aumentando os riscos para a produção agrícola mundial.
Além da análise dos fretes, o Boletim Logístico reúne informações sobre exportações, importações de insumos e a movimentação dos estoques públicos administrados pela Conab por meio de transportadoras contratadas em leilões eletrônicos.
Boletim Logístico – Junho/2026
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


