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Setor madeireiro brasileiro amplia alerta com crise global e defende diversificação de mercados
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Exportações de madeira recuam em 2026 e elevam preocupação do setor
O setor madeireiro brasileiro enfrenta um cenário internacional mais desafiador em 2026, marcado por instabilidade comercial, mudanças tarifárias e pressões geopolíticas que impactam diretamente as exportações.
Dados compilados pela STCP mostram que os oito principais produtos madeireiros monitorados somaram aproximadamente US$ 770 milhões em exportações entre janeiro e abril deste ano. No mesmo período de 2025, o volume exportado havia alcançado cerca de US$ 1 bilhão, o que representa retração próxima de 30% em valor.
Apesar do recuo acumulado, o mercado observou sinais pontuais de recuperação em abril, especialmente nos segmentos de madeira serrada de pinus e compensados, que registraram avanço em volume e faturamento na comparação com março.
Instabilidade global pressiona comércio internacional da madeira
O desempenho do setor reflete um ambiente global mais volátil, influenciado por fatores como:
- Mudanças tarifárias nos Estados Unidos
- Tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã
- Alta nos custos logísticos
- Oscilações na demanda internacional
- Pressão sobre custos energéticos e industriais
O tema foi debatido no episódio 26 do Podcast WoodFlow, que reuniu representantes da WoodFlow e da STCP, além do economista José Pio Martins, para discutir os impactos da globalização e das transformações econômicas no mercado madeireiro.
Globalização amplia oportunidades e riscos para empresas brasileiras
Durante o debate, o economista José Pio Martins destacou que a globalização se tornou uma condição estrutural da economia moderna, impulsionada pela necessidade de integração entre países para atender à demanda global.
Segundo ele, o setor madeireiro ganha acesso a novos mercados internacionais, mas também aumenta sua exposição às decisões políticas e econômicas externas.
“A globalização não é uma opção. Ela se tornou uma imposição diante da complexidade econômica e das necessidades de uma população mundial superior a 8 bilhões de pessoas”, afirmou.
Tarifas nos EUA e desaceleração da construção afetam mercado
Na avaliação de Marcelo Wiecheteck, head de Desenvolvimento Estratégico da STCP, o setor ainda vive um momento de ajustes após mudanças recentes no cenário internacional.
Entre os fatores que impactaram negativamente o desempenho do segmento estão:
- Formação antecipada de estoques nos Estados Unidos antes de novas tarifas
- Desaceleração da construção civil americana
- Aumento dos custos de produção
- Pressão sobre energia e logística
Mesmo assim, abril apresentou melhora relevante em diversos produtos exportados, sinalizando possível retomada parcial da demanda.
“Os números de abril mostram crescimento importante em praticamente todos os produtos acompanhados, embora ainda seja cedo para confirmar uma mudança consistente de tendência”, explicou Wiecheteck.
Diversificação se torna estratégia central para reduzir riscos
Os participantes do podcast reforçaram que o ambiente de incertezas deve permanecer no curto prazo, exigindo maior capacidade de adaptação das empresas brasileiras.
Para Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, acompanhar apenas os números de exportação já não é suficiente diante da velocidade das mudanças globais.
“A tarifa alterou significativamente o cenário do setor. Hoje é essencial monitorar os movimentos econômicos, políticos e geopolíticos que influenciam diretamente o comércio internacional”, destacou.
Nesse contexto, a diversificação de mercados e de produtos aparece como uma das principais estratégias para reduzir vulnerabilidades e preservar a competitividade do setor madeireiro brasileiro no cenário global.
Setor busca mais resiliência diante das incertezas globais
A avaliação dos especialistas é de que empresas do setor precisarão ampliar planejamento estratégico, inteligência comercial e gestão de riscos para enfrentar os desafios dos próximos anos.
Com maior volatilidade internacional, mudanças regulatórias e disputas comerciais entre grandes economias, o mercado madeireiro brasileiro passa a depender cada vez mais de flexibilidade operacional e diversificação para sustentar crescimento e presença global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil avança na OMC em negociações sanitárias para abertura de mercados
O Brasil obteve avanços nas negociações sanitárias e fitossanitárias para a abertura e ampliação de mercados durante a 95ª reunião do Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada entre os dias 22 e 26 de junho, em Genebra, na Suíça. A atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) incluiu 17 reuniões bilaterais com países estratégicos para o agronegócio brasileiro, contribuindo para destravar negociações, atualizar certificados sanitários e fortalecer o comércio internacional de produtos agropecuários.
A delegação brasileira foi composta pela adida agrícola do Brasil junto à OMC, Andréa Moura; pelo coordenador de Temas Multilaterais da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, César Vandesteen; pelo auditor fiscal federal agropecuário Bernardo Todeschini; e pelos diplomatas do MRE que atuam na OMC, Diego Fernandes Alfieri e Paulo Henrique Moraes Tapajós.
No âmbito do Comitê SPS, o Brasil tratou diretamente com parceiros comerciais de temas que impactam o acesso de produtos agropecuários aos mercados internacionais. As reuniões bilaterais tiveram como foco o avanço de negociações sanitárias pendentes, a ampliação de mercados, a atualização de certificados sanitários internacionais e a defesa dos interesses do agronegócio brasileiro.
Entre os principais resultados, a Ucrânia sinalizou a possibilidade de realizar, ainda em setembro deste ano, uma auditoria no sistema brasileiro de inspeção. A medida representa uma etapa importante para a retomada das exportações brasileiras de carne suína ao país europeu, suspensas desde 2018.
Também houve avanços nas tratativas com o Canadá, que confirmou a realização de uma auditoria no início de outubro para o reconhecimento da regionalização brasileira para Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) e Doença de Newcastle. A iniciativa permitirá dar continuidade às negociações para a atualização dos Certificados Sanitários Internacionais aplicáveis às exportações brasileiras de carne de aves, processo conduzido pelo Brasil desde 2023.
Ao longo da semana, também foram discutidas 13 Preocupações Comerciais Específicas (PCEs), instrumento utilizado pelos membros da OMC para buscar esclarecimentos sobre medidas sanitárias e fitossanitárias que possam afetar o comércio internacional. Aproximadamente metade das PCEs é solucionada em até dois anos. Por privilegiar o diálogo técnico entre os países-membros, o mecanismo consolidou-se como uma importante ferramenta para prevenir disputas comerciais, apoiar a abertura de mercados e defender os interesses do agronegócio brasileiro.
Sobre o Comitê SPS
O Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) é o principal foro internacional para discutir medidas sanitárias e fitossanitárias que afetam o comércio de produtos agropecuários. Seu objetivo é assegurar que as medidas adotadas para proteger a saúde humana, animal e vegetal sejam fundamentadas em critérios científicos e não constituam barreiras injustificadas ao comércio internacional.
O Brasil mantém atuação ativa no Comitê SPS e atualmente é o segundo país que mais apresenta notificações ao colegiado, atrás apenas dos Estados Unidos. Essa atuação contribui para ampliar a transparência, a previsibilidade e a segurança jurídica das regras aplicadas ao comércio internacional de produtos agropecuários.
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