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Simpósio Latino-Americano e Caribenho debate carbono no solo, agricultura sustentável e segurança alimentar
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De 25 a 28 de junho, representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participaram do Simpósio Latino-Americano e Caribenho sobre Pesquisa de Carbono do Solo (LAC Soil Carbon) 2025, o quarto evento da Trilha da COP 30. O encontro, que aconteceu no Rio de Janeiro (RJ), visa fomentar ações relativas ao carbono, à saúde do solo e à produção agrícola regenerativa para o desenvolvimento socioeconômico e a segurança alimentar em níveis regional e global.
Ao longo desses três dias, o simpósio reuniu gestores públicos, pesquisadores, especialistas e profissionais do setor para trocar experiências, apresentar projetos e ideias e discutir os desafios regionais e globais na promoção de práticas agrícolas sustentáveis e na preservação da saúde do solo.
“Os principais resultados apresentados no evento são derivados da iniciativa ‘4 por 1000’, lançada durante a COP21, em Paris. Desde então, houve avanços científicos robustos na contabilização do carbono no solo, e isso vai permitir, no futuro próximo, que o agro se beneficie dessas remoções por meio de mecanismos de mercado, como os créditos de carbono”, disse o diretor do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação do Mapa, Bruno Brasil.
Durante o evento, foi apresentada a Resilient Agriculture Implementation for Net Zero Land Degradation (RAIZ), uma agenda de ação liderada pelo Mapa com o apoio dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Pesca e Aquicultura (MPA), em parceria com a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO).
O RAIZ funcionará como um acelerador de financiamento para a recuperação de áreas degradadas mundialmente, promovendo segurança alimentar, mitigação das mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e combate à desertificação. A proposta será apresentada a países parceiros, com o objetivo de elaborar um plano de trabalho que será levado à COP30, alinhado ao Balanço Global do Acordo de Paris, firmado na COP28.
O simpósio foi organizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o Centro de Pesquisa de Carbono na Agricultura Tropical (CCARBON/USP), a Universidade Federal de Goiás (UFG), a Associação Rede ILPF e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Agricultura de Baixo Carbono (INCT-ABC), e coorganizado e promovido pela Iniciativa Internacional “4 por 1000” e pelo Consórcio Internacional de Pesquisa de Carbono do Solo (IRC).
Trilha da COP 30
A Trilha da COP 30 consiste em uma série de eventos nacionais e internacionais organizados ao longo deste ano pelo Mapa, em parceria com diversas instituições. Essas atividades têm como objetivo fomentar debates, apresentar pesquisas e levantamentos que contribuam para a formulação, durante a Conferência, de ações mais eficazes. Além disso, buscam incentivar o uso de tecnologias inovadoras que promovam o desenvolvimento sustentável da agropecuária em escala global.
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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro



