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USDA reduz estimativa de safra do Brasil em 2,48%. Veja o que isso significa para o seu bolso
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O aguardado relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado nesta sexta-feira (12.01), que tem forte influência sobre os preços das commodities agrícolas mundial, reduziu em 2,48% a projeção de colheita de soja para o Brasil, fixando em 157 milhões de toneladas. Abaixo você fica sabendo como isso afeta o seu bolso, seja você produtor ou consumidor.
Embora analistas esperassem um corte mais expressivo, em torno de 155 milhões, as exportações brasileiras foram mantidas próximas a 100 milhões de toneladas. Contudo, os estoques finais no Brasil sofreram uma redução de 4,79%, alcançando 35,8 milhões de toneladas.
Os ajustes não ficaram restritos à soja brasileira. Nos Estados Unidos, houve uma significativa revisão nos estoques finais, com uma queda de 14,07%, indicando reservas que podem atingir 7,62 milhões de toneladas, um valor consideravelmente superior às projeções de mercado, que apontavam para 6,5 milhões.
Esse cenário reflete diretamente nos preços, com a soja experimentando uma queda de mais de 2% em Chicago, cotada a US$ 12,11 o bushel. Internacionalmente, a produção global de soja para 2023/24 foi estimada em 398,98 milhões de toneladas, com uma demanda global de 383,66 milhões de toneladas.
As exportações mundiais cresceram 0,38%, atingindo 170,94 milhões de toneladas, enquanto os estoques globais aumentaram em 0,34%, totalizando 114,6 milhões de toneladas.
No que diz respeito ao milho, o USDA elevou sua estimativa para a produção mundial em 1,12%, atingindo 1,235 bilhão de toneladas para a safra 2023/24. Nos EUA, a produção prevista é de 113,34 milhões de toneladas, 0,85% superior às expectativas anteriores, com estoques finais esperados em 54,91 milhões de toneladas.
O Brasil, por sua vez, teve sua estimativa de colheita de milho reduzida em 1,55%, ficando em 127 milhões de toneladas. As exportações brasileiras também sofreram uma leve diminuição, fixadas em 54 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno permanece inalterado em 77,5 milhões de toneladas.
No mercado do trigo, uma revisão nos estoques iniciais na Ucrânia, aliada a uma perspectiva otimista de oferta na região do Mar Negro, impulsionou o USDA a aumentar sua estimativa para a produção global de trigo em 2023/24, alcançando 784,9 milhões de toneladas.
Apesar desses ajustes favoráveis, o relatório sugere um aumento nos estoques finais globais, atingindo 260,03 milhões de toneladas. Nos EUA, as projeções permaneceram estáveis, com a safra prevista em 49,3 milhões de toneladas, consumo em 19,7 milhões e estoques finais em 17,6 milhões de toneladas.
PRA ENTENDER
A redução na estimativa de safra da USDA afeta diretamente diversos aspectos do mercado agrícola global:
Preços: redução significa oferta menor, o que pode resultar em preços mais elevados, afetando tanto produtores quanto consumidores em todo o mundo.
Bolsa de Chicago: As mudanças nas estimativas da safra sul-americana, divulgadas pelo USDA, têm um impacto imediato nos preços negociados na Bolsa de Chicago. A bolsa é um importante indicador global para as commodities agrícolas, e as flutuações podem influenciar as estratégias de investidores e produtores.
Exportações e Importações: A projeção de safra afeta as exportações agrícolas, pois uma safra menor pode resultar em menos produtos disponíveis para exportação. Isso tem implicações para países importadores que dependem desses produtos, podendo levar a ajustes nos acordos comerciais e nos preços internacionais.
Segurança Alimentar: Mudanças nas estimativas de safra têm implicações para a segurança alimentar global. Uma safra menor pode resultar em menos alimentos disponíveis, afetando a oferta de alimentos em mercados nacionais e internacionais.
Decisões de Plantio e Investimentos: Produtores em todo o mundo baseiam suas decisões de plantio e investimentos nas projeções de safra. Uma estimativa menor pode influenciar as escolhas de cultivos e as estratégias de investimento, impactando a dinâmica do setor agrícola.
Economia Nacional: Em países onde a agricultura desempenha um papel fundamental na economia, como o Brasil, alterações nas projeções de safra podem ter implicações diretas no desempenho econômico geral do país, afetando empregos, receitas e balança comercial.
Avaliação de Riscos: As mudanças nas projeções de safra fornecem informações importantes para avaliação de riscos no setor agrícola. Governos, empresas e produtores utilizam essas estimativas para planejar estratégias de gestão de riscos relacionadas a volatilidades nos mercados.
Fonte: Pensar Agro
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Projeto para proteger pequena propriedade abre debate sobre acesso ao crédito rural
Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende impedir que imóveis da agricultura familiar sejam oferecidos em alienação fiduciária nas operações de crédito. A proposta busca proteger a terra usada para o sustento da família, mas também desperta preocupação sobre uma possível redução das garantias disponíveis aos pequenos produtores.
O Projeto de Lei nº 355/2026 estabelece que imóveis pertencentes à agricultura familiar não poderão ser utilizados como garantia fiduciária em contratos de crédito, financiamento ou empréstimo. Pelo texto, será considerada nula qualquer cláusula contratual que autorize esse tipo de vinculação.
A matéria está pronta para entrar na pauta da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Também foi anexado ao texto o Projeto de Lei nº 2.982/2026, que trata da impenhorabilidade da pequena propriedade rural.
A alienação fiduciária permite que o produtor continue utilizando o imóvel enquanto paga o financiamento. A propriedade, entretanto, permanece vinculada ao credor até a quitação. Em caso de inadimplência, a garantia pode ser executada por procedimento extrajudicial.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a proteção da terra familiar é necessária, mas a mudança precisa ser acompanhada de alternativas capazes de manter o financiamento disponível.
“A pequena propriedade não é apenas um bem de mercado. Ela representa trabalho, renda, moradia e continuidade familiar. Essa proteção é legítima, mas não podemos criar uma regra que preserve a terra no contrato e, ao mesmo tempo, retire do produtor as condições financeiras para continuar produzindo”, afirma.
A Constituição determina que a pequena propriedade rural, definida em lei e trabalhada pela família, não pode ser penhorada para o pagamento de débitos decorrentes da atividade produtiva. A alienação fiduciária, porém, tem origem em um contrato no qual o proprietário oferece voluntariamente o imóvel como garantia.
O projeto pretende ampliar a proteção ao impedir essa contratação no caso da agricultura familiar. O ponto de atenção é que a garantia constitui um dos elementos considerados pelas instituições financeiras na avaliação do risco e na definição das condições do empréstimo.
Sem a possibilidade de utilizar o imóvel, algumas operações poderão exigir máquinas, recebíveis, produção futura, avalistas, seguros ou outras formas de cobertura. O produtor que não possuir bens ou receitas suficientes para substituir a terra poderá enfrentar maior seletividade na concessão do crédito.
“Não se pode afirmar que a mudança aumentará automaticamente os juros, porque o custo de uma operação depende de vários fatores. Existe, no entanto, um risco concreto de que produtores com menos garantias encontrem maior dificuldade para acessar recursos, principalmente fora das linhas subsidiadas”, avalia Rezende.
O debate ocorre três anos depois da aprovação da Lei nº 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias. A legislação modernizou os mecanismos utilizados em financiamentos, ampliou as possibilidades de aproveitamento dos bens e aperfeiçoou a execução extrajudicial de créditos garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária.
A expectativa era de que garantias mais eficientes reduzissem o risco das operações e estimulassem a oferta de crédito. A eventual proibição para imóveis da agricultura familiar introduz uma exceção nesse sistema e exigirá mecanismos capazes de compensar a garantia retirada.
Entre as alternativas estão o fortalecimento dos fundos garantidores, a ampliação do seguro rural, o uso de limites proporcionais ao valor do imóvel e a possibilidade de substituir a garantia antes de uma eventual execução. Também poderão ser consideradas a finalidade da dívida, a capacidade econômica da família e o valor da operação.
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) oferece linhas subsidiadas, mas não atende isoladamente a todas as necessidades financeiras das propriedades. Parte dos produtores também depende de cooperativas, fornecedores, instituições financeiras e operações privadas para completar o custeio ou realizar investimentos.
“O Congresso precisa encontrar um ponto de equilíbrio. A legislação deve impedir que uma família perca a terra de maneira desproporcional, sem fechar a porta do financiamento. Proteger o patrimônio e assegurar crédito não são objetivos incompatíveis, desde que existam fundos, seguros e garantias complementares capazes de sustentar as operações”, diz Rezende.
Enquanto a proposta tramita, a recomendação é que os produtores mantenham matrículas, cadastros e documentos da propriedade atualizados. O histórico financeiro, a organização das receitas e despesas e a comprovação da capacidade de pagamento também influenciam a análise de crédito.
Outros instrumentos podem complementar ou substituir a garantia imobiliária, como penhor rural, Cédula de Produto Rural (CPR), máquinas, recebíveis e produção futura. A escolha dependerá do perfil da propriedade e das condições de cada contrato.
O produtor também deve conhecer o valor da dívida, os encargos, os prazos, as situações de vencimento antecipado e o procedimento previsto em caso de inadimplência antes de oferecer qualquer bem. A garantia não deve ser tratada apenas como uma exigência burocrática, mas como parte da estratégia financeira da propriedade.
A decisão do Congresso poderá definir como a agricultura familiar conciliará proteção patrimonial e capacidade de financiamento. Sem alternativas adequadas, a proibição pode reduzir a exposição da terra, mas aumentar a dificuldade para financiar a produção. Com mecanismos complementares, a mudança poderá proteger as famílias sem comprometer a permanência delas no campo.
Fonte: Pensar Agro



