Cuiabá 302 anos!
CUIABÁ DE NOSSOS AMORES, DE NOSSOS CLAMORES…
ARTIGOS
Poderíamos homenagear a nossa querida e amada Cuiabá das mais diversas formas: pelo seu desenvolvimento desenfreado nos últimos 50 anos, transformando-a numa moça tão bela, tão jovem, mas assediada por centenas de problemas decorrentes do progresso, de sua expansão geográfica, pelo recebimento de milhares de paus rodados advindos de todos os rincões do país, que tem nos ajudado a promover uma insofismável integração de povos irmãos de um mesmo país. Pela sua cultura soberba, fascinante, onde não se admite classes sociais, porque temos a nos representar nesse importantíssimo segmento da formação de um povo figuras lendárias que se destacaram na língua, na profissão liberal, na educação, na vivência diária com as nossas perspectivas de vida; os grandes nomes de nossa sociedade se grudaram nos nomes que se tornaram populares e integrantes de um mesmo compromisso cultural de um povo, unificando sensações e pensamentos, ações e procedimentos que envolveram a nossa Capital até os nossos dias, e nos deixaram legado infinito de conhecimento e de histórias de nossa cidade mãe.
Cuiabá é uma Capital diferenciada: pelo seu amor ao próximo, pela sua religiosidade, pelo seu carinho em hospitalidade aos irmãos imigrantes e migrantes; por seu destaque na cultura nacional, na ecologia, no ecossistema. Na sua importância de contribuir para o pulmão do mundo, mantendo precariamente as políticas públicas nesse sentido, que visam, embora precariamente, contribuir para a vida não só do nossa gente, mas das gentes de todo o Brasil e do mundo.
Nestas mal traçadas linhas poderia reviver a nossa História, desde o nosso nascimento, o processo político de formação de nossa sociedade, a fundação da urbe, os bandeirantes, os escravos utilizados sempre para satisfazer os interesses do homem, os índios proprietários verdadeiros destas terras que então se situavam nos confins do mundo, a nossa descoberta enfim. Descoberta que muito tem a ver com riquezas, com ouro e pedras preciosas que nos foram subtraídas desde sempre e levadas mundo afora para abrilhantar e colorir as coroas dos reis saqueadores de nossos bens.
Poderia falar e escrever muita coisa.
Mas, na essência, quero apenas humildemente homenagear a minha cidade pelo que ela representa a todos os seus mais de 600 mil habitantes e pelo que também esse mesmo número de cidadãos para ela representa.
Ainda temos muitos problemas a serem resolvidos, porque a beleza arquitetônica que se tornou um marco em todas as regiões da cidade, esconde a pobreza entronizada em nossos bairros periféricos, onde irmãos nossos são carentes de tudo: educação, saúde, cultura, bem estar, infra estrutura, presença dos poderes públicos, numa ausência tão sentida, que levam milhares de pessoas à pobreza absoluta. Pessoas que não são vistas, não são lembradas a não ser nas já famosas e infames épocas eleitoreiras.
Essa reflexão para lembrar, ainda, que em plena época de pandemia, aliada ao número crescente de pobreza absoluta, nada há para se comemorar neste ano, neste aniversário de nossa querida e amada cidade. Poderíamos comemorar com a vacinação em massa, negada brutal e desumanamente por gestores públicos incapazes de se organizarem devidamente, desde os primórdios da praga do coronavírus, para proteger essa massa de indivíduos que necessitam do soro que promove a vida.
Poderíamos comemorar também com a adoção de políticas sérias que subjugassem definitivamente a pobreza e promovêssemos um horizonte de conforto e perspectivas às classes subnutridas, mal alimentadas e desdenhadas de nossa sociedade. Então, se assim fosse, e eles poderiam comemorar conosco.
Mas, embora não possamos fazer uma festa, e embora esteja decepcionado com uma série de fatores, de inação, de incompetência, de desdém pela cuiabania, desejo nestas mal traçadas linhas apenas ratificar para todo e sempre o meu amor à nossa querida Cuiabá, com todos os nossos problemas e com todas as faltas de solução a eles.
Mas, Cuiabá é maior e vai suplantar tudo isso.
Parabéns, minha amada Cidade Verde.
*Paulo Roberto Nunes de Mattos é Cidadão Cuiabano, crítico social, utilitário de suas redes sociais para expor as suas opiniões e cultor da história cuiabana.
ARTIGOS
Do Teletrabalho ao Telecontrole: Como o Assédio Algorítmico Está Mudando a Relação de Trabalho
O home office, antes celebrado como símbolo de liberdade e flexibilidade, começa a revelar uma face sombria: a do telecontrole. Softwares capazes de registrar cada clique do mouse, medir o tempo de pausa, rastrear a digitação e até monitorar imagens via webcam estão transformando o lar do trabalhador em uma extensão permanente do escritório — e, em alguns casos, em uma verdadeira cela invisível.
A transição do analógico para o digital não foi apenas tecnológica, mas também emocional. Profissionais formados em um ambiente de trabalho presencial, onde o olhar humano, o tom de voz e a convivência eram ferramentas de gestão, foram treinados para desenvolver inteligência emocional — negociar, mediar conflitos e compreender contextos.
Agora, muitos se veem diante de uma nova lógica: a da inteligência artificial, que avalia desempenho por métricas frias e impessoais, sem considerar nuances humanas. O resultado é um choque de culturas: de um lado, a experiência e a capacidade de lidar com pessoas; de outro, sistemas que operam apenas com números, tempo e resultados, ignorando o fator humano.
O chamado assédio algorítmico ocorre quando empresas utilizam ferramentas digitais de forma abusiva, impondo vigilância constante, metas inatingíveis e punições automatizadas. Não é ficção científica: já existem sistemas que enviam alertas se o trabalhador se afastar da tela por mais de alguns minutos, calculam produtividade pela quantidade de e-mails respondidos e até avaliam expressões faciais durante reuniões virtuais.[1]
O monitoramento excessivo no teletrabalho associado ao aumento de ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Somam-se a isso fatores como o cumprimento de longas jornadas, que dificultam a desconexão e alimentam a sensação permanente de vigilância, afetando não apenas a saúde mental, mas também a produtividade e a sustentabilidade do trabalho a longo prazo. De forma ilustrativa, citam-se as diversas mensagens enviadas pelo aplicativo WhatsApp fora da jornada laboral (https://pje.trt17.jus.br/jurisprudencia/f72c01291f73ced7cc2e5f821144f0ec).
Igualmente, percebe-se que os programas de monitoramento tendem a “chamar o empregador para dentro de casa, sem ser convidado, franqueando acesso não apenas a ambientes físicos, como aos próprios membros da família do empregado”[2]., ou seja, uma supervisão “sufocante” pode gerar efeitos, inclusive, nos parentes dos teletrabalhadores.
Do ponto de vista jurídico, o tema é urgente. A CLT já prevê proteção contra o assédio moral e estabelece regras para o teletrabalho (artigos 75-A a 75-E), incluindo a obrigação de preservar a saúde e a integridade física e psíquica do empregado.
Embora ainda não haja regulamentação ampla sobre o direito à desconexão, o monitoramento permanente durante o home office e as intervenções após a jornada configuram violação à dignidade e ao descanso — entendimento que já vem sendo reconhecido pela Justiça do Trabalho (https://portal.trt12.jus.br/noticias/empregado-que-recebeu-mensagens-de-trabalho-durante-ferias-nao-tera-direito-dano-moral, por exemplo).
O direito à desconexão é elemento essencial para conter os abusos do telecontrole. Ele assegura ao trabalhador períodos de descanso livres de qualquer interferência laboral, protegendo a saúde mental, promovendo o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e prevenindo riscos psicossociais. No contexto de um trabalho remoto cada vez mais intenso e, por vezes, solitário, esse direito funciona como barreira contra o adoecimento e como condição para relações de trabalho mais humanas e sustentáveis.
Ferramentas de gestão de desempenho e comunicação são importantes para a organização do trabalho remoto. O problema está no seu excesso e na ausência de limites claros. Empresas que adotam políticas transparentes, com metas realistas e respeito ao tempo de descanso, conseguem equilibrar produtividade e bem-estar.
O verdadeiro avanço não está em cronometrar cada segundo de quem trabalha, mas em usar a tecnologia para promover equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida. Empresas sustentáveis são aquelas que preservam a saúde física e mental de seus empregados, reconhecendo que dignidade e bem-estar não são opostos à eficiência, mas sim a sua base.
O teletrabalho só será, de fato, uma conquista se sociedade e Judiciário assegurarem que a inovação não seja transformada em uma ferramenta de vigilância e opressão.
Andrea Maria Zattar, advogada trabalhista, membro da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica – ABMCJ; membro efetivo da Comissão de Direito do Trabalho da OAB/MT e ativista em causas sociais.
Fábio Luiz Pacheco, Juiz do TRT da 4ª Região, Especialista em Direito e Processo do Trabalho (PUC/RS), professor e palestrante.
[1] “O trabalho remoto pressupõe o uso de instrumentos tecnológicos que registram todos os atos do trabalhador, criando um historico e uma base de dados até então nunca visto, permitindo-se um monitoramento eletrônico em tempo real. A estrutura desenhada por Bentham é substituída por ferramentas tecnológicas que desempenham o mesmo papel. Qualquer ação que fuja dos parâmetros definidos pelo empregador é automaticamente reconhecida – geralmente por um complexo sistema de algoritmos – e enseja algum tipo de consequência”. Sobre a utilização do modelo panóptico no teletrabalho, sugere-se a leitura a seguinte leitura: PEGO, Rafael Foresti. Trabalho remoto e o panóptico. Revista Ltr: legislação do trabalho, São Paulo, v. 83, n. 6, p. 678-685, jun. 2019.
[2] TRINDADE, Rodrigo. Teletrabalho, Panótipo e Grande Irmão: programas e aplicativos desmentem o mito da impossibilidade de controle de jornada, mas reavivam duas perigosas alegorias. 15 jul. 2020. Disponível em: https://www.dmtemdebate.com.br/teletrabalho-panotipo-egrande-irmao-programas-e-aplicativos-desmentem-o-mito-da-impossibilidade-de-controle-dejornada-mas-reavivam-duas-perigosas-alegorias/. Acesso em: 13 ago. 2025.
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