Arnaldo Justino da Silva
Nada mudou.
ARTIGOS
Nasceu o homem ou a mulher,
Coisa maravilhosa,
As lágrimas correm,
Era um lindo bebê,
Criança agora,
Sempre alegre, muito feliz,
Não entendia o porquê das brigas e das intrigas.
Via que existiam engalfinhamentos lutas sanguinolentas e que deixavam mágoas, mas só entre os adultos.
Jovem, passou a ver que entrar naquele grupo dos bonitos e transados tinha que ter carro,
Mas sem emprego e sem dinheiro…
Entendeu que era o carro de seu do pai, pelo menos no fim semana,
Adulto agora!
Contas para pagar! Preocupações do dia a dia!
Ver o extrato do cartão e a fatura subindo cada vez mais, mas sem dinheiro pra quitar.
O negócio era socorrer-se aos bancos, sem se ver como o novo escravo do mundo. Do mundo? É! Só pra ser eufemista! Porque parece que até poderíamos apontar o dedo pra alguém porque não são todos que tem a hegemonia econômica mundial e o novo império não se preocupa mais em conquistar terras.
Mas melhor falar em abstrato, pra não parecer comunista, porque isso seria o mesmo que ser egoísta e fútil, já que o problema é muito mais complexo do que se tachar alguém disso ou daquilo. Assim, adota-se a postura neutra.
É a vida como ela é!
A maior tristeza é descobrir,
Ao fim e ao cabo,
Que depois de adultos não só aqueles que vieram antes de nós,
Mas nossos amigos que eram crianças e jovens
Passaram a te ver como algo amigo enquanto conviesse,
Do contrário teria que ser combatido.
Uma dúvida! Qual?
E se não fedesse tampouco cheirasse?
Um nada? Isso! Não mereceria atenção. Algo invisível.
E se fedesse só? Amigo. Pra quem o ajudasse ser visto como benfeitor.
Mas e se deixasse você na penumbra? A mesma pessoa? Sim!
Malquisto. Inimigo. O diabo em vida terrena a convencer os incautos a abandonar a conduta que se espera de um bom cristão.
A grande questão é: o que mudou de milênios pra hoje? O que pode mudar?
Isso é questão humana! É fácil responder.
Mas a gente espera sempre que o ser humano evolua, mas isso ocorrerá o dia que o homem e a mulher puder ver, eu disse veeeer.
Coisa que somente será possível quando os olhos não forem tão importante pra isso. Quantos milênios será preciso para isso? Não sei! Você sabe?
Todavia uma coisa é certa e poderá ajudar: saiba sempre na sua relação diária que a abóbora nasce na rama do chão, porque se nascesse em árvore poderia cair na cabeça de alguém.
Arnaldo Justino da Silva é Promotor de Justiça em Mato Grosso.
ARTIGOS
Do Teletrabalho ao Telecontrole: Como o Assédio Algorítmico Está Mudando a Relação de Trabalho
O home office, antes celebrado como símbolo de liberdade e flexibilidade, começa a revelar uma face sombria: a do telecontrole. Softwares capazes de registrar cada clique do mouse, medir o tempo de pausa, rastrear a digitação e até monitorar imagens via webcam estão transformando o lar do trabalhador em uma extensão permanente do escritório — e, em alguns casos, em uma verdadeira cela invisível.
A transição do analógico para o digital não foi apenas tecnológica, mas também emocional. Profissionais formados em um ambiente de trabalho presencial, onde o olhar humano, o tom de voz e a convivência eram ferramentas de gestão, foram treinados para desenvolver inteligência emocional — negociar, mediar conflitos e compreender contextos.
Agora, muitos se veem diante de uma nova lógica: a da inteligência artificial, que avalia desempenho por métricas frias e impessoais, sem considerar nuances humanas. O resultado é um choque de culturas: de um lado, a experiência e a capacidade de lidar com pessoas; de outro, sistemas que operam apenas com números, tempo e resultados, ignorando o fator humano.
O chamado assédio algorítmico ocorre quando empresas utilizam ferramentas digitais de forma abusiva, impondo vigilância constante, metas inatingíveis e punições automatizadas. Não é ficção científica: já existem sistemas que enviam alertas se o trabalhador se afastar da tela por mais de alguns minutos, calculam produtividade pela quantidade de e-mails respondidos e até avaliam expressões faciais durante reuniões virtuais.[1]
O monitoramento excessivo no teletrabalho associado ao aumento de ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Somam-se a isso fatores como o cumprimento de longas jornadas, que dificultam a desconexão e alimentam a sensação permanente de vigilância, afetando não apenas a saúde mental, mas também a produtividade e a sustentabilidade do trabalho a longo prazo. De forma ilustrativa, citam-se as diversas mensagens enviadas pelo aplicativo WhatsApp fora da jornada laboral (https://pje.trt17.jus.br/jurisprudencia/f72c01291f73ced7cc2e5f821144f0ec).
Igualmente, percebe-se que os programas de monitoramento tendem a “chamar o empregador para dentro de casa, sem ser convidado, franqueando acesso não apenas a ambientes físicos, como aos próprios membros da família do empregado”[2]., ou seja, uma supervisão “sufocante” pode gerar efeitos, inclusive, nos parentes dos teletrabalhadores.
Do ponto de vista jurídico, o tema é urgente. A CLT já prevê proteção contra o assédio moral e estabelece regras para o teletrabalho (artigos 75-A a 75-E), incluindo a obrigação de preservar a saúde e a integridade física e psíquica do empregado.
Embora ainda não haja regulamentação ampla sobre o direito à desconexão, o monitoramento permanente durante o home office e as intervenções após a jornada configuram violação à dignidade e ao descanso — entendimento que já vem sendo reconhecido pela Justiça do Trabalho (https://portal.trt12.jus.br/noticias/empregado-que-recebeu-mensagens-de-trabalho-durante-ferias-nao-tera-direito-dano-moral, por exemplo).
O direito à desconexão é elemento essencial para conter os abusos do telecontrole. Ele assegura ao trabalhador períodos de descanso livres de qualquer interferência laboral, protegendo a saúde mental, promovendo o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e prevenindo riscos psicossociais. No contexto de um trabalho remoto cada vez mais intenso e, por vezes, solitário, esse direito funciona como barreira contra o adoecimento e como condição para relações de trabalho mais humanas e sustentáveis.
Ferramentas de gestão de desempenho e comunicação são importantes para a organização do trabalho remoto. O problema está no seu excesso e na ausência de limites claros. Empresas que adotam políticas transparentes, com metas realistas e respeito ao tempo de descanso, conseguem equilibrar produtividade e bem-estar.
O verdadeiro avanço não está em cronometrar cada segundo de quem trabalha, mas em usar a tecnologia para promover equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida. Empresas sustentáveis são aquelas que preservam a saúde física e mental de seus empregados, reconhecendo que dignidade e bem-estar não são opostos à eficiência, mas sim a sua base.
O teletrabalho só será, de fato, uma conquista se sociedade e Judiciário assegurarem que a inovação não seja transformada em uma ferramenta de vigilância e opressão.
Andrea Maria Zattar, advogada trabalhista, membro da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica – ABMCJ; membro efetivo da Comissão de Direito do Trabalho da OAB/MT e ativista em causas sociais.
Fábio Luiz Pacheco, Juiz do TRT da 4ª Região, Especialista em Direito e Processo do Trabalho (PUC/RS), professor e palestrante.
[1] “O trabalho remoto pressupõe o uso de instrumentos tecnológicos que registram todos os atos do trabalhador, criando um historico e uma base de dados até então nunca visto, permitindo-se um monitoramento eletrônico em tempo real. A estrutura desenhada por Bentham é substituída por ferramentas tecnológicas que desempenham o mesmo papel. Qualquer ação que fuja dos parâmetros definidos pelo empregador é automaticamente reconhecida – geralmente por um complexo sistema de algoritmos – e enseja algum tipo de consequência”. Sobre a utilização do modelo panóptico no teletrabalho, sugere-se a leitura a seguinte leitura: PEGO, Rafael Foresti. Trabalho remoto e o panóptico. Revista Ltr: legislação do trabalho, São Paulo, v. 83, n. 6, p. 678-685, jun. 2019.
[2] TRINDADE, Rodrigo. Teletrabalho, Panótipo e Grande Irmão: programas e aplicativos desmentem o mito da impossibilidade de controle de jornada, mas reavivam duas perigosas alegorias. 15 jul. 2020. Disponível em: https://www.dmtemdebate.com.br/teletrabalho-panotipo-egrande-irmao-programas-e-aplicativos-desmentem-o-mito-da-impossibilidade-de-controle-dejornada-mas-reavivam-duas-perigosas-alegorias/. Acesso em: 13 ago. 2025.
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