BRASIL
MDIC detalha Plano Brasil Soberano em audiência na Câmara dos Deputados
BRASIL
O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços (SDIC), Uallace Moreira, apresentou, nesta quarta-feira (20), detalhes do Plano Brasil Soberano para ajudar empresas e empregos impactados pela tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, o secretário ressaltou que o governo oferece um pacote robusto de apoio, que inclui linha de crédito de R$ 30 bilhões, ampliação de prazo para pagamento de tributos e incentivo à exportação.
Representando o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Moreira ressaltou que o aumento da tarifa sobre produtos brasileiros é uma medida injustificada do governo norte americano, dado o histórico de relação comercial entre os dois países.
“O Brasil é um dos poucos países no mundo que tem relações comerciais com os Estados Unidos que tem déficit na balança comercial. Nós temos um déficit de R$ 28 bilhões. Por essa razão, o Brasil não deveria estar sofrendo uma tarifa”, afirmou o secretário durante a audiência.
Lançado na última semana pelo governo federal, o Plano Brasil Soberano foi formulado sob a coordenação do vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, que coordena o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas Comerciais. Moreira destacou aos parlamentares que as medidas disponíveis para as empresas são resultado de extenso diálogo do governo com o setor produtivo, que incluiu 39 reuniões com quase 400 representações de empresas e entidades.
“O Plano Brasil Soberano é resultado desse diálogo. O governo do presidente Lula, liderado pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, apresenta para a sociedade um plano para socorrer, para atender as empresas afetadas pela tarifa de 10% mais 40%, que totaliza 50%, ouvindo a sociedade. Foram várias sugestões, vários pedidos”, destacou Moreira.
O secretário finalizou sua apresentação contextualizando que a medida dos EUA acentua um processo global de distorção da livre concorrência, marcado pelo retorno de políticas industriais nos países desenvolvidos.
Também participaram da audiência a secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, e do diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
As principais medidas do plano incluem:
- Linha de Crédito de R$ 30 bilhões: Utilizando o superávit do Fundo Garantidor de Exportação (FGE), o BNDES disponibilizará o montante para capital de giro e investimentos em diversificação e adensamento de cadeias produtivas.
- Implementação do Drawback: Medida para aumentar a competitividade no comércio internacional.
- Diferimento de Tributos Federais: Adiamento por dois meses do pagamento de IPI, PIS, COFINS e Imposto de Importação para as empresas impactadas.
- Agilização de Compras Públicas: Dispensa de licitação para a compra de gêneros alimentícios perecíveis pela União, estados e municípios, a fim de evitar perdas.
- Ampliação do Reintegra: Aumento do crédito do programa de 0,1% para 3% para todas as empresas afetadas. Pequenas empresas já beneficiadas pelo programa Acredita podem chegar a 6%.
- Aporte em Fundos Garantidores: Injeção de R$ 4,5 bilhões nos fundos FGE, FGO e FGI para garantir o acesso das empresas às linhas de crédito.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
BRASIL
Investigação da Seção 301 sobre proibições de importação relacionadas ao trabalho forçado
OGoverno brasileiro manifesta profunda discordância com a conclusão preliminar anunciada ontem (2/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 sobre proibições de importação relacionadas ao trabalho forçado penalizando indiscriminadamente 59 países e a União Europeia.
É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais.
É um absurdo tentar associar a competividade da economia brasileira a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece há décadas o Brasil como referência internacional no combate ao trabalho forçado, graças à combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político.
O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.
No contexto da presente investigação, o Brasil forneceu manifestações escritas e explicações sobre o arcabouço legal nacional para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado. As autoridades aduaneiras brasileiras detêm competência legal para negar a entrada e confiscar qualquer mercadoria estrangeira que seja contrária à moral pública, aos bons costumes, à saúde pública ou à ordem pública. Qualquer bem produzido no todo ou em parte por trabalho forçado enquadra-se nessa definição.
Os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo MERCOSUL, incluindo com Chile, União Europeia e Associação Europeia de Livre Comércio, contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições.
O Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil segue à disposição para continuar a histórica e ativa cooperação com o Departamento de Trabalho dos EUA, em estreita coordenação com parceiros sindicais e a OIT, para responder aos desafios enfrentados pelos trabalhadores e trabalhadoras ao redor do mundo.
O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações preliminares do USTR não se convertam em tarifas efetivas e reitera que adotará medidas para reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros.
Governo do Brasil.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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