BRASIL
MEC investe R$ 90 milhões em universidades federais
BRASIL
O Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Superior (Sesu), anunciou duas chamadas institucionais inéditas que levarão R$ 90 milhões para ações de extensão e cuidado nas universidades federais. Os recursos são destinados a duas frentes: o apoio à inserção curricular da extensão e a criação das cuidotecas, espaços de acolhimento infantil para apoiar a permanência de estudantes e servidores no período noturno. As ações adotam um modelo de descentralização direta de créditos via Planos Orçamentários, garantindo agilidade e autonomia na execução pelos gestores locais.
“O investimento que estamos fazendo tem por objetivo fortalecer as universidades federais em diferentes eixos. Estamos apoiando o papel social dessas instituições de Estado tão vitais para o Brasil. Quando viabilizamos as cuidotecas, estimulamos a permanência de quem mais precisa de apoio para estudar e trabalhar. Em paralelo, com o fomento à extensão, asseguramos uma formação acadêmica conectada com a transformação da sociedade. É a universidade federal se tornando, na prática, mais inclusiva e mais forte”, destaca o secretário de Educação Superior do MEC, Marcus David.
Extensão – Pela primeira vez em uma década, o MEC está voltando a financiar, de forma direta, a extensão nas universidades federais. A chamada institucional destinará R$ 70 milhões para todas as 69 instituições da rede, em formato universal e não competitivo. O investimento é uma resposta à Resolução CNE/CES nº 7/2018, que determina a dedicação de, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação a atividades extensionistas, aquelas que fazem interface entre o aprendizado acadêmico e a sociedade.
A distribuição do montante foi desenhada para garantir equidade. O cálculo combina um repasse proporcional ao número de docentes e matrículas, um piso comum de R$ 200 mil para cada universidade e um fator regional que concede R$ 100 mil adicionais para instituições localizadas no Norte e Nordeste. Os recursos de custeio poderão financiar bolsas de graduação, materiais de consumo e serviços em atividades de campo.
Cuidotecas – Em parceria estratégica com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o MEC lançou o Programa UNI–Cuidotecas, parte integrante do Plano Nacional de Cuidados, e do projeto Universidades Inclusivas, do programa Universidades Transformadoras. Com orçamento de R$ 20 milhões do MEC e R$ 5 milhões do MDS, a iniciativa viabilizará a implantação de espaços em até 50 universidades federais, com aporte de meio milhão de reais por unidade.
As cuidotecas funcionarão das 17h às 23h e são voltadas ao acolhimento de crianças de 3 a 12 anos. O espaço estará disponível para estudantes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados que possuam jornada noturna. A ação enfrenta uma das maiores causas de evasão na educação superior: a falta de infraestrutura de apoio para estudantes com responsabilidades familiares, fator que atinge desproporcionalmente as mulheres. Os recursos custearão equipamentos mobiliários, contratação de equipes e manutenção operacional.
Permanência materna – A criação das cuidotecas é um dos frutos do Grupo de Trabalho (GT) da Política Nacional de Permanência Materna nas Instituições de Ensino Superior Brasileiras. O relatório final do GT, que embasou a formulação dessa política pública, está sendo lançado nesta quinta-feira (2). Com o objetivo de dar transparência aos dados e ampliar o debate sobre o tema, o MEC também disponibiliza os recortes regionais do estudo e os resultados detalhados do questionário enviado às instituições para mapear a realidade da permanência materna no país.
Acesse os documentos na íntegra:
- Relatório Final do GT da Política Nacional de Permanência Materna
- Relatórios por região do Brasil: Centro-Oeste, Norte, Nordeste, Sudeste e Sul
- Resultados do questionário
- Questionário
Próximos passos – As universidades terão processos ágeis de adesão via Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Para a extensão, os planos de trabalho começam a ser recebidos entre 1º de julho e 1º de agosto de 2026. Já para as cuidotecas, as instituições têm 30 dias após a chamada para apresentar candidaturas baseadas em critérios de vulnerabilidade e demanda. A expectativa é que ambas as iniciativas comecem sua execução física já em setembro de 2026.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Superior (Sesu)
Fonte: Ministério da Educação
BRASIL
Da EJA ao título de doutora honoris causa
Frequentar a escola era um desejo que Creuza Oliveira, 68 anos, tinha desde criança, mas, devido à sua realidade, não pôde ser alcançado na idade regular. Aos dez anos, já trabalhava como doméstica em casa de família. Enquanto as crianças da casa onde trabalhava iam para a escola, Creuza permanecia nos afazeres domésticos, sem poder frequentar as aulas ou brincar como gostaria.
Mas o sonho de Creuza permaneceu com ela até a vida adulta, quando não apenas voltou a estudar, mas também concluiu o ensino fundamental e o ensino médio, por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Essa trajetória também permitiu que Creuza pudesse iniciar uma luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas. Essa iniciativa lhe rendeu, em 2023, o título de doutora honoris causa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A trajetória educacional de Creuza foi retomada quando ela se aproximou de um grupo de trabalhadoras domésticas. Nos encontros, conheceu novas possibilidades de acesso aos estudos e teve contato com o curso noturno do Colégio Antônio Vieira, então conhecido como supletivo. Após integrar o grupo, matriculou-se na escola.
Estar em sala de aula significava realizar um desejo que havia sido negado na infância. Também permitia encontrar pessoas com experiências semelhantes às suas. “Eu estava aprendendo, mas estava também compartilhando várias situações com meus irmãos e irmãs iguais a mim”, conta.
Nesse ambiente, o aprendizado se somava à possibilidade de conversar sobre a própria vida e ouvir outras histórias. A escola passou a integrar um percurso no qual a formação e a atuação coletiva se fortaleceram mutuamente. “A experiência e a vida de Creuza mostram a importância da educação de jovens e adultos”, afirma Marlene Souza Silva, ex-professora de Creuza e que acompanhou sua trajetória.
Para Marlene, a EJA contribui para formar pessoas que colocam o conhecimento a serviço de causas sociais. Ao lembrar o caminho de Creuza, ela destaca a construção gradual de vínculos com outras trabalhadoras, até que elas se reunissem para organizar uma associação.
A atuação de Creuza na defesa das trabalhadoras domésticas ganhou reconhecimento também no meio acadêmico. Ao receber o título de doutora honoris causa pela UFBA, ela viu sua história de organização e participação social ser acolhida pela universidade. “A academia reconheceu essa luta histórica pelos direitos das trabalhadoras domésticas”, afirma.
A homenagem reconhece uma contribuição construída ao longo da vida. Para Creuza, a conquista tem relação com um percurso que reúne a experiência no trabalho doméstico, a retomada dos estudos e o compromisso com outras mulheres da categoria.
Sua história também permanece viva na memória de quem compartilhou essa caminhada. A amiga Valdirene Boaventura admira a facilidade com que Creuza recorda acontecimentos e fala sobre o que viveu. Por isso, insiste para que essas lembranças sejam registradas em um livro.
Um convite a voltar à escola – Ao falar com quem ainda deseja estudar, Creuza parte da própria experiência. Lembra o que significa conseguir ler e interpretar um texto, perceber os conhecimentos adquiridos e reconhecer os avanços na própria trajetória. “Com certeza você vai ver a diferença quando você puder pegar um texto, ler, interpretar, quando você puder olhar e ver que você cresceu, que você avançou”, afirma.
Para ela, essa conquista alcança também as gerações seguintes. Retomar os estudos é uma realização pessoal que pode incentivar filhos e netos a construir seus próprios caminhos.
A menina que observava outras crianças saírem para a escola tornou-se uma mulher que convida outras pessoas a buscar o direito de aprender. Uma história em que o acesso à educação se entrelaça com a participação social e a construção de uma voz pública.
Números – De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de analfabetismo da série histórica: 4,9% entre a população com 15 anos ou mais. Em 2024, o índice era de 5,3%. Essa faixa etária integra o público atendido pelas políticas de educação de jovens e adultos nos estados.
CadEJA – O Ministério da Educação (MEC) desenvolve uma série de ações vinculadas ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA (Pacto EJA), conjunto de iniciativas colaborativas implementadas com a participação dos entes federativos, incluindo o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), plataforma virtual criada para registrar o interesse em cursar a EJA e auxiliar o planejamento da oferta de vagas.
Instituído pela Portaria nº 275/2026, o CadEJA funciona como uma ponte entre pessoas interessadas em retomar os estudos e as oportunidades de EJA disponíveis. Na plataforma, as pessoas podem manifestar interesse em voltar a estudar e receber orientação para encontrar uma oportunidade de matrícula. A iniciativa envolve quatro diferentes perfis de acesso: usuários, operadores, agentes de cadastro e gestores.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
-
Gourmet3 anos atrás
Brigadeiro
-
Gourmet3 anos atrás
Picolé detox
-
Gourmet3 anos atrás
Molho rosé
-
Gourmet3 anos atrás
Salpicão
-
Gourmet3 anos atrás
Moqueca capixaba
-
Gourmet2 anos atrás
Beijinho
-
Gourmet2 anos atrás
Nevada
-
MATO GROSSO2 anos atrás
Polícia Civil esclarece furto de motocicleta com prisão e apreensão de autores em Ribeirão Cascalheira



