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Ministério da Justiça e Segurança Pública destina R$ 100 milhões para fortalecer atuação da Polícia Federal nas fronteiras
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Nova Lima, 1º/7/2026 – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, anunciou nesta quarta-feira (1º) um pacote de R$ 100 milhões em investimentos para fortalecer a atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao crime organizado nas fronteiras do País. Os recursos, provenientes do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, serão destinados à estruturação da Coordenadoria-Geral de Fronteiras (CGFRON), além da aquisição de aeronaves, viaturas, equipamentos e da modernização de unidades da corporação.
O anúncio foi feito durante o Encontro de Polícia Judiciária 2026, realizado em Nova Lima (MG), ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues.
Durante o evento, também foi destacada a importância do Projeto Mitra, sistema avançado de vigilância e reconhecimento facial desenvolvido pela Polícia Federal. Criado inicialmente em Roraima para monitorar fluxos migratórios, o projeto evoluiu para apoiar operações em grandes centros urbanos, integrando tecnologias de georreferenciamento, biometria e inteligência artificial.
“O Projeto Mitra é essencial e reflete o espírito de ação do Brasil no combate ao crime organizado, baseado em inteligência e integração”, afirmou o ministro, acrescentando que vai trabalhar para ampliar os investimentos nessa área.
Os recursos também consolidam a atuação da Coordenadoria-Geral de Fronteiras, criada em dezembro de 2025 para ampliar a capacidade operacional da Polícia Federal nas regiões fronteiriças. Com o investimento, a unidade passa a contar com estrutura para coordenar ações de prevenção e repressão ao crime organizado transnacional.
Entre as entregas previstas estão as delegacias da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul (AC) e Rorainópolis (RR), já concluídas; a unidade de Ponta Porã (MS), em fase de construção; e a delegacia de Corumbá (MS), cuja licitação está em andamento. O pacote contempla ainda um posto avançado de fronteira, dois helicópteros, dois aviões, viaturas, binóculos e outros equipamentos destinados às operações de enfrentamento às organizações criminosas.
O Encontro de Polícia Judiciária 2026 reuniu policiais federais de Minas Gerais, dirigentes das principais áreas estratégicas da instituição e superintendentes regionais de diversos estados para discutir a modernização da atividade de polícia judiciária, o enfrentamento ao crime organizado e os desafios da segurança pública no Brasil.
Projeto Mitra
O banco de dados do Projeto Mitra reúne atualmente 122,8 milhões de registros faciais, integrando 56 bases estaduais e federais e cerca de 100 câmeras distribuídas pelo país. O sistema incorpora módulos como FindFace, Clearview, Facebook Expert, Pimentel Eyes, Abis/PF, PocFacial e GestBio/TSE.
Em junho de 2024, o Mitra possibilitou a prisão, em tempo real, de procurados pela Justiça, incluindo foragidos localizados em rodoviárias e suspeitos mascarados identificados por meio da combinação de dados faciais e digitais.
Segundo a Polícia Federal, a taxa de falso positivo do sistema é praticamente nula, e a plataforma já figura entre as três maiores do mundo em capacidade tecnológica. A expectativa é incorporar mais 50 milhões de registros faciais nos próximos meses, ampliando ainda mais a capacidade operacional da ferramenta.
Programa Brasil Contra o Crime Organizado
Coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Programa Brasil Contra o Crime Organizado reúne ações voltadas ao enfraquecimento financeiro das organizações criminosas, ao enfrentamento do tráfico de armas, à qualificação da investigação de homicídios e ao fortalecimento da segurança no sistema prisional.
Lançada em maio deste ano, a iniciativa já provocou um prejuízo estimado de R$ 2 bilhões às facções criminosas em decorrência de operações integradas realizadas em todo o país. Até o momento, o programa contabiliza 12.312 prisões, mobilizou 15.793 profissionais de segurança pública e realizou 11 operações nacionais, reforçando a integração entre forças federais, estaduais e municipais no combate ao crime organizado.
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Força-tarefa coordenada pelo MTE resgata seis trabalhadores indígenas em condições análogas à escravidão em Glorinha (RS)
Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF), resgatou, nesta terça-feira (30), seis trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em uma propriedade rural localizada no município de Glorinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
De acordo com informações da Auditoria Fiscal do Trabalho, os trabalhadores resgatados eram migrantes indígenas, provenientes de diferentes aldeias localizadas em municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, além de um trabalhador de nacionalidade argentina. Todos atuavam na colheita de hortaliças, especialmente brócolis.
Durante a fiscalização, segundo os auditores-fiscais do Trabalho, foi constatado que os trabalhadores exerciam suas atividades sem registro formal dos contratos de trabalho e estavam submetidos a condições degradantes. O alojamento apresentava condições precárias de habitabilidade, não havia instalação sanitária com vaso sanitário e os trabalhadores não recebiam equipamentos de proteção individual (EPIs), apesar da natureza da atividade desempenhada.
A fiscalização informou ainda que o empregador providenciou o pagamento das passagens para o retorno dos trabalhadores aos seus locais de origem, além de efetuar o pagamento de parte das verbas rescisórias devidas.
O Ministério Público do Trabalho firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o empregador, garantindo o pagamento das verbas rescisórias e de indenização por dano moral individual.
A Auditoria Fiscal do Trabalho adotará as medidas administrativas cabíveis, incluindo a emissão das guias para habilitação dos trabalhadores ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado.
O empregador foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal para adoção das providências cabíveis na esfera criminal.
Denúncias
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê.
A ferramenta foi desenvolvida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), e integra as ações permanentes da Auditoria Fiscal do Trabalho no combate ao trabalho escravo contemporâneo.


