BRASIL
Ministério do Turismo anuncia plano estratégico para impulsionar o setor nas fronteiras do Amapá e do Pará
BRASIL
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, anunciou nesta segunda-feira (8), em Oiapoque (AP), a realização de um diagnóstico e de um plano de ação voltados ao desenvolvimento do turismo nas áreas de fronteira do Amapá e do Pará com a Guiana Francesa e o Suriname. A iniciativa integra um projeto de cooperação técnica firmado com a UNESCO cujo edital está em fase de publicação.
O projeto busca promover o desenvolvimento do turismo a partir de uma abordagem integrada. Para isso, propõe estratégias para formulação e aprimoramento de políticas públicas de turismo, que articulem a preservação ambiental, a valorização das culturas locais e a cooperação institucional entre os estados e os países fronteiriços.
Ao anunciar a iniciativa, o ministro Gustavo Feliciano destacou o potencial do turismo como ferramenta de desenvolvimento econômico e integração regional. “Nossa presença aqui faz parte do permanente esforço do Governo do Brasil para levar desenvolvimento ao Amapá, proporcionando empregos, distribuição de renda e inclusão social. E isso passa pelo desenvolvimento do turismo. Por esta razão, tenho a honra de anunciar a realização de um estudo profundo, que vai diagnosticar e traçar um plano de ação estratégico sobre o turismo fronteiriço, com foco nas divisas dos estados do Amapá e do Pará com a Guiana Francesa e o Suriname”, afirmou.
O movimento ocorre em meio ao processo de fortalecimento do turismo em Oiapoque. Ao mencionar os 81 anos do município, o ministro destacou a elaboração do Plano Municipal de Turismo, construído pela prefeitura, em articulação com o Governo do Amapá e o Sebrae, e afirmou que o instrumento estabelece metas e diretrizes para orientar o desenvolvimento do setor e ampliar a inserção da cidade nas rotas de integração com os países vizinhos.
“Este nosso trabalho integra um projeto de cooperação técnica junto à UNESCO e abrange, ainda, outros estados da região Norte e do Sul do Brasil, buscando a integração regional e o fortalecimento das relações turísticas com países vizinhos. O objetivo é fortalecer o turismo de fronteira a partir de uma análise das condições atuais da nossa atividade. Vamos identificar obstáculos e, acima de tudo, mapear oportunidades, construindo estratégias que promovam o intercâmbio turístico, cultural e econômico”, complementou.
A iniciativa faz parte de um conjunto de cinco projetos voltados ao turismo de fronteira nas regiões Norte e Sul do país. No caso do eixo Amapá-Pará, os estudos abrangem o Suriname e a Guiana Francesa e deverão considerar aspectos territoriais, econômicos, sociais e culturais da região.
A expectativa é ampliar oportunidades para os atores locais, especialmente comunidades tradicionais e empreendedores da cadeia produtiva do turismo.
Além de identificar potencialidades, os levantamentos devem contribuir para o enfrentamento de desafios relacionados à infraestrutura, conectividade, governança e promoção turística, fatores considerados estratégicos para ampliar a integração regional e o desenvolvimento econômico das áreas de fronteira.
A proposta ganhou força após discussões realizadas na reunião de ministros do Turismo do Mercosul, em 2023, e está alinhada às diretrizes do Comitê Nacional de Fronteiras e à elaboração da Estratégia Nacional de Fronteiras. Segundo o Ministério do Turismo, dos 9,3 milhões de turistas internacionais recebidos pelo Brasil em 2025, cerca de 65% tiveram origem em países sul-americanos, reforçando o peso das regiões fronteiriças no fluxo internacional.
Outras regiões
Os estudos estão sendo feitos também em outras regiões do país. O projeto nas fronteiras do Amazonas e de Roraima com a Guiana, a Venezuela, a Colômbia e o Peru já foi concluído. Já os relatórios na fronteira entre o Mato Grosso do Sul e o Paraná, com os países do Mercosul, estão em andamento.
Editais serão lançados, ainda, para as regiões Norte (Acre e Rondônia com o Peru e a Bolívia) e Sul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul com países do Mercosul).
Crédito
Na mesma ocasião, técnicos do Ministério do Turismo prestaram atendimento a empreendedores locais sobre acesso às linhas de crédito do Fundo Geral de Turismo (Fungetur) – uma política pública que concede linhas de financiamento a empreendedores, com condições facilitadas. Também houve orientações a respeito do Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) – sistema oficial do Ministério do Turismo, que cadastra e regulamenta pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor turístico no Brasil (requisito para obtenção dos financiamentos).
É a 4ª edição do ‘Brasil Mais Crédito para o Turismo’: uma ação nacional, integrada com Estados e municípios, com foco no atendimento aos prestadores de serviços turísticos para viabilizar o acesso a crédito. As outras três edições ocorreram em Salvador (BA), Fortaleza (CE) – durante o Salão do Turismo –, e em João Pessoa (PB), como parte da programação do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo.
O Fungetur registrou, entre 2018 e 2026, 14.789 operações contratadas em todo o país, somando R$ 5,1 bilhões em financiamentos. Apenas em 2026, até 2 de junho, foram 719 operações, totalizando R$ 276,3 milhões em crédito concedido.
Em Oiapoque, o Cadastur contabiliza 35 prestadores de serviços turísticos com cadastro regular. Entre as principais atividades estão meios de hospedagem, com 15 registros, restaurantes, bares e similares, com 13, e agências de turismo, com quatro estabelecimentos.
“Esta iniciativa do Ministério do Turismo marca um novo e decisivo passo do governo do presidente Lula para levar desenvolvimento econômico e justiça social a cada cidadão desta região. Neste sentido, também estamos oferecendo, aqui, orientações essenciais para que empreendedores turísticos acessem crédito em condições muito vantajosas, por meio do Fungetur. É dinheiro na veia para que pequenos negócios possam crescer e prosperar”, disse o ministro.
Investimentos
O município também concentra investimentos federais em infraestrutura turística. Entre os contratos em execução, apoiados pelo Ministério do Turismo, estão a construção de um centro turístico para comercialização de produtos locais, com aporte de R$ 4,7 milhões, e a requalificação da orla da cidade, com R$ 802,1 mil em recursos.
Suriname
Em maio, o Ministério do Turismo recebeu o ministro do Transporte, Comunicação e Turismo da República do Suriname, Raymond Landveld, e iniciou tratativas para a elaboração de um memorando de entendimento voltado ao fortalecimento da cooperação entre os dois países.
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil recebeu 4.084 turistas do Suriname, número 30,6% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O crescimento foi observado em todos os meses do período, com destaque para janeiro, quando houve aumento de 46%. Atualmente, 92,4% dessas entradas ocorrem pelo Pará.
Mulheres
Durante o evento, o ministro destacou ainda a ampliação das ações de crédito voltadas ao setor e mencionou a assinatura de uma portaria que facilita o acesso aos recursos do Fungetur por mulheres empreendedoras do turismo, vítimas de violência doméstica.
A medida se soma a outras iniciativas do Ministério do Turismo, voltadas às mulheres, como o lançamento das versões em inglês e espanhol do Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, elaborado em parceria com a UNESCO, a partir de uma pesquisa realizada com 2.712 mulheres de todas as regiões do país.
O material foi lançado na semana passada, durante o Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa. O evento debateu o protagonismo feminino no setor.
Macapá
A agenda no Amapá também inclui anúncios e entregas do Governo do Brasil em Macapá.
Também participam das agendas no Estado os ministros Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR); e Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Na capital, haverá a assinatura do Protocolo de Intenções entre MTur e MIDR, com o objetivo de desenvolver a cooperação em projetos de desenvolvimento regional sustentável aplicados ao setor do turismo, visando fortalecer a atividade turística e melhorar o acesso ao crédito para empreendedores do setor, com especial atenção às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Em Macapá, também serão realizados atendimentos da 4ª edição do ‘Brasil Mais Crédito para o Turismo’.
Por Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
BRASIL
Decreto cria o Sistema Nacional de Trilhas para fortalecer o ecoturismo, gerar emprego e promover o desenvolvimento regional
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, assinaram nesta quarta-feira (10) o decreto que institui o Sistema Nacional de Trilhas (Sintrilhas). A medida transforma a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas) em uma política pública permanente, fortalecendo o turismo de natureza como instrumento de geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.
O decreto foi assinado em meio a um conjunto de medidas para fortalecer a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável no Brasil, anunciadas durante cerimônia no Palácio do Planalto. As ações reforçam a conservação dos biomas e o enfrentamento à mudança do clima e seus impactos, ampliam o reconhecimento aos serviços ambientais prestados por pessoas que protegem a natureza e impulsionam investimentos para a promoção da transformação ecológica no país.
A instituição oficial do Sintrilhas consolida uma malha que já reúne 22 trilhas oficialmente reconhecidas, mais de 7 mil quilômetros sinalizados, presença em 18 estados, 184 municípios abrangidos e 347 unidades de conservação conectadas. Ao todo, o planejamento nacional projeta ultrapassar os 16 mil quilômetros de rotas, cobrindo todos os biomas terrestres brasileiros, além da zona costeira e marinha.
Coordenado pelo Ministério do Turismo, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o sistema busca estruturar as trilhas brasileiras, ampliar a segurança dos usuários e fortalecer o posicionamento do Brasil no mercado internacional de turismo de natureza.
Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância de preservar as riquezas naturais brasileiras e ampliar o acesso da população às áreas protegidas.
“Temos a obrigação de preservar nossas riquezas naturais e fazer com que elas tenham utilidade para o povo brasileiro. Precisamos valorizar nossas áreas protegidas, atrair visitantes e mostrar ao mundo a riqueza que o Brasil possui”, afirmou o presidente.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a nova política fortalece o turismo de natureza e amplia as oportunidades para comunidades e empreendedores em todo o país.
“O Sintrilhas transforma uma iniciativa construída ao longo dos últimos anos em uma política pública permanente. Estamos fortalecendo um modelo de turismo que leva visitantes para novos destinos, gera emprego, distribui renda e cria oportunidades, principalmente, para quem vive da pousada familiar, do pequeno restaurante, do artesanato, da produção local e dos serviços turísticos”, destacou o ministro.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, ressaltou que conservação ambiental e desenvolvimento econômico caminham juntos e destacou o papel das trilhas na valorização dos territórios, na proteção da biodiversidade e na geração de oportunidades para as comunidades locais.
Oportunidades
Ao conectar paisagens naturais, áreas protegidas, comunidades e atrativos turísticos, as trilhas ajudam a movimentar economias locais e ampliar oportunidades para quem vive do turismo.
Na prática, o Sintrilhas cria condições para ampliar a circulação de visitantes, aumentar o tempo de permanência nos destinos e fortalecer atividades ligadas à hospedagem, alimentação, guiamento turístico, artesanato, produção local e turismo de base comunitária.
A política também contribui para levar visitantes a regiões que muitas vezes ficam fora dos grandes circuitos turísticos, ampliando a distribuição dos benefícios econômicos do setor por diferentes municípios brasileiros.
Estrutura permanente
Criada originalmente em 2018, a rede passa agora a contar com uma estrutura nacional permanente voltada ao planejamento, implantação, gestão, monitoramento e promoção das trilhas.
O decreto institui instrumentos para fortalecer a governança do setor, entre eles a Estratégia Nacional de Trilhas, o Cadastro Nacional de Trilhas e o Comitê Nacional de Trilhas. A medida também amplia a participação integrada de estados, municípios, comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil e iniciativa privada.
A Estratégia Nacional de Trilhas deverá ser elaborada em até 180 dias após a instalação de um comitê, que definirá as metas prioritárias para o desenvolvimento do segmento.
Medidas
Entre as medidas anunciadas nesta quarta estão a assinatura de seis decretos e a sanção de dois projetos de lei. Uma delas é a lei que institui a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga e cria o Programa Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. A norma busca incentivar a recuperação de áreas degradadas do bioma, ampliar a produção sustentável de alimentos na região, garantir a segurança hídrica e estimular a bioeconomia e o manejo florestal sustentável.
Os anúncios contemplam ainda o decreto que regulamenta o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), definindo regras para repasses mais ágeis a estados e municípios no combate a incêndios florestais e no manejo populacional ético de cães e gatos.
Já os investimentos para estimular o desenvolvimento sustentável envolvem aportes de R$ 834 milhões do Fundo Clima e de pelo menos R$ 210 milhões do Fundo Amazônia, que teve oficializada a doação de R$ 270 milhões do Reino Unido. O programa ARPA Comunidades também recebeu doação de R$ 370 milhões para investimentos nas cadeias da sociobioeconomia junto às comunidades extrativistas.
Entre os anúncios, estão ainda a criação do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru (RO) e a ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões (PI). Lideradas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo ICMBio, as ações fortalecem a conectividade ecológica, a conservação de espécies ameaçadas e a valorização do patrimônio natural e cultural do país.
Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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