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Ministro Luiz Marinho defende regulação ética da IA e fortalecimento do sindicalismo no 14º Fórum do BRICS Sindical

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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou nesta quarta-feira (23) da abertura do 14º Fórum do BRICS Sindical, realizado em Brasília (DF). O encontro, que se estende até quinta-feira (24), reúne representantes sindicais dos países-membros do bloco para discutir temas centrais, como a transição justa e os impactos da inteligência artificial nas relações de trabalho.

Luiz Marinho defendeu o protagonismo dos países do BRICS na construção de uma nova ordem multipolar e destacou a necessidade de fortalecer o sindicalismo internacional frente aos desafios globais. “A inteligência artificial deve ser apropriada pela humanidade, não por poucas empresas que se enriquecerão às custas de milhões que enfrentarão dificuldades nessa transição do mercado de trabalho”, afirmou.

O ministro também criticou a postura dos Estados Unidos na política internacional, com ênfase na atuação do presidente norte-americano. “A impressão é que o presidente americano quer ser o xerife do mundo. Ele foi eleito para cuidar do povo e da economia americana, não para provocar uma bagunça generalizada na economia global”, disse.

Ele ainda chamou a atenção para os impactos da inteligência artificial no mundo do trabalho e destacou a urgência de uma regulação ética. “Estamos diante de uma revolução nas formas de emprego, e isso exige um debate responsável. É fundamental que os avanços tecnológicos promovam a inclusão, e não a exclusão”, afirmou.

Luiz Marinho ressaltou os resultados positivos da gestão atual, com a criação de quase 3,7 milhões de empregos formais no Brasil. “São números expressivos que demonstram a recuperação em curso”, concluiu.

Papel do Brasil – Ricardo Patah, coordenador-geral desta edição do Fórum, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, deu as boas-vindas aos participantes internacionais e enfatizou o papel do Brasil como anfitrião de um novo ciclo de diálogo e cooperação. “Este é um momento de transição e esperança. O Brasil, após eleger um governo comprometido com a cidadania, a igualdade e o diálogo, abre os braços para os povos dos BRICS e dos países convidados”, disse Patah.

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Ele destacou a necessidade de respostas conjuntas às transformações trazidas pelas novas tecnologias e aos desafios impostos por governos que adotam medidas unilaterais, afetando globalmente os trabalhadores. “A taxação absurda imposta pelos EUA, por exemplo, afeta diretamente os trabalhadores. É preciso sensibilidade para tratar temas como descarbonização, sustentabilidade e inteligência artificial, que já impactam o mundo do trabalho e exigem ação coordenada”, avaliou.

China – O presidente da Federação Chinesa de Sindicatos, Jin Shanwen, afirmou que vivemos um momento delicado no cenário global. “As políticas protecionistas impulsionadas pelo governo Trump, como o aumento de tarifas, têm causado instabilidade e agravado os desafios enfrentados pela economia mundial”, pontuou. Shanwen disse que, diante desse contexto de incertezas e transformações, é fundamental que os representantes dos trabalhadores dos países do BRICS estejam unidos e vigilantes. “É hora de reforçar a solidariedade internacional e fortalecer os mecanismos de proteção social. Somente assim poderemos construir uma globalização mais justa, centrada nas pessoas e no trabalho digno”, afirmou.

Urgências – O secretário de Relações Internacionais da CUT e presidente adjunto da Confederação Sindical Internacional (CSI), Antonio Lisboa, reforçou a urgência de respostas sindicais diante de um cenário global que classificou como de “múltiplas crises” – ambiental, democrática, dos direitos humanos e do avanço do neofascismo. “Nossa expectativa é que, a partir da organização sindical, possamos diminuir os impactos dessas crises e apresentar propostas viáveis aos ministros do Trabalho”, afirmou.

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Lisboa destacou que a declaração final do encontro levará aos governos preocupações centrais, como a valorização do trabalho, a luta por emprego decente, a centralidade dos direitos trabalhistas e o enfrentamento das desigualdades na adoção de novas tecnologias.

Ao falar sobre a inteligência artificial, Lisboa foi categórico: “A tecnologia é uma conquista da humanidade. Ela deve estar a serviço de todos e não pode ser apropriada por um pequeno grupo de bilionários ou por poucos países”, defendeu. Para ele, é fundamental que o valor do trabalho humano continue sendo reconhecido como eixo estruturante das sociedades. “Não podemos tratar o trabalho como algo secundário. É a partir do trabalho que enfrentaremos os desafios do presente e do futuro”, concluiu.

Papel singular – Carlos Augusto Miller, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários, Aéreos, na Pesca e nos Portos, destacou o papel estratégico do Brasil na articulação internacional em defesa dos direitos dos trabalhadores. Segundo Miller, o Brasil tem uma característica singular que favorece a multipolaridade: a capacidade de diálogo com diferentes blocos geopolíticos. “Enquanto o mundo está nessa disputa de taxas de impostos, estamos conseguindo fazer uma interlocução com ambos os lados”, afirmou.

Expectativas – Sobre a declaração final do encontro, Miller apontou quatro temas centrais: o fortalecimento do multilateralismo; uma transição energética efetivamente justa e inclusiva; o acesso igualitário às tecnologias de inteligência artificial; e o papel protagonista do Brasil nesses debates. “É fundamental garantir que os países menos desenvolvidos também tenham acesso às novas soluções tecnológicas. Caso contrário, o mundo corre o risco de ampliar ainda mais os abismos já existentes”, concluiu.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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CMSE assegura atendimento eletroenergético em 2026 com reservatórios em níveis elevados no início do período seco

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O Ministério de Minas e Energia (MME) realizou, nesta quarta-feira (1º/7), a 320ª reunião ordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). O colegiado destacou a melhora contínua das condições hidrometeorológicas na Região Sul ao longo do mês de junho, especialmente na bacia do rio Iguaçu, em comparação aos meses anteriores. O cenário contribuiu para a recuperação dos níveis de armazenamento dos reservatórios da região, que alcançaram níveis satisfatórios, reforçando a segurança do atendimento eletroenergético do país em 2026.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a atuação frequente de frentes frias e massas de ar frio nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste favoreceu a ocorrência de chuvas e a redução das temperaturas ao longo do período. Nessas três regiões, os termômetros registraram valores abaixo da média histórica para a época do ano.

Já as bacias dos rios Iguaçu, Tietê, Grande, Paranaíba e a incremental à UHE Itaipu apresentaram totais de precipitação superiores à média mensal. No caso das bacias dos rios Tietê, Grande e Paranaíba, os índices históricos de chuva para esta época do ano são naturalmente reduzidos. Para grande parte das demais bacias do Sistema Interligado Nacional (SIN), os cenários apresentam condições próximas à média histórica. Na reunião, também foi ressaltada a elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, com predominância de projeções que apontam para intensidade forte ou muito forte.

No que se refere ao atendimento de potência do SIN, o ONS informou que, em cenários de maior demanda e condições climáticas adversas, está prevista a utilização complementar de usinas termelétricas, aliada à operação otimizada das hidrelétricas do rio São Francisco e ao uso estratégico do reservatório da UHE Itaipu.

Ainda durante a reunião, o ONS apresentou o Plano da Operação Energética (PEN) que avalia os critérios de garantia de suprimento de energia e potência, no horizonte 2027 a 2030. Os resultados serão divulgados no Portal do PEN (Sumário Executivo e Resultados em Power BI) no dia 7 de julho, data em que também será realizada reunião com agentes. Os Relatórios Finais serão divulgados no referido Portal do ONS e no SINtegre no dia 31 de julho.

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Informações Técnicas:

Condições Hidrometeorológicas: em junho, a precipitação foi superior à média mensal na área incremental à UHE Itaipu e nas bacias dos rios Iguaçu, Tietê, Paraíba do Sul, Grande e Paranaíba e no trecho montante à UHE Três Marias, no São Francisco. Ressalta-se que a média é baixa nas bacias da região Sudeste nessa época do ano. Nas demais bacias hidrográficas de interesse do SIN, os totais de precipitação foram inferiores à média.

Em relação à Energia Natural Afluente (ENA), ainda durante junho, foram observados valores abaixo da média histórica para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, sendo 93%, 82%, 59% e 58% da Média de Longo Termo (MLT), respectivamente. Em termos de SIN foi verificada ENA de 82% da MLT.

Com relação à previsão meteorológica, o tema foi apresentado na reunião pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a convite do CMSE. Os destaques da previsão indicam, no horizonte de uma semana, chuvas abaixo da média nas bacias do Iguaçu e Jacuí e, na segunda semana, chuvas acima da média em parte da bacia do Paraná e condições normais nas demais bacias. Para a segunda quinzena, a previsão indica chuvas acima da média em parte da bacia do Paraná, Iguaçu e no Alto Uruguai. Nas demais bacias, chuvas em torno da média.

Energia Armazenada: ao final de junho, foram verificados armazenamentos equivalentes de 66%, 63%, 89% e 95% nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente. No SIN, o armazenamento foi de aproximadamente 71%.

Previsão Hidroenergética para Julho/2026:

Subsistema

ENA (% MLT)
Cenário Superior

ENA (% MLT)
Cenário Inferior

EARmáx (%)
Cenário Superior

EARmáx (%) Cenário Inferior

Sudeste/Centro-Oeste

105% 

87% 

63,8% 

62,3% 

Sul

125% 

50% 

75,2% 

52,2% 

Nordeste

61% 

61% 

84,4% 

88,6% 

Norte

72% 

68% 

93,3% 

93,1% 

SIN (total)

102%  

74% (4º menor em 96 anos) 

69,7% 

66,1% 

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Expansão da Geração e Transmissão: a expansão verificada em junho de 2026 foi de 184,5 MW de capacidade instalada de geração centralizada de energia elétrica, com destaque para entrada em operação comercial do Complexo Fotovoltaico Lagoinha, no município de Russas/CE, com 165 MW. No caso da transmissão, entraram em operação comercial 1.012 km de linhas de transmissão, com destaque para a entrada da LT 500 kV Xingó – Camaçari II C1 e C2 (357 km cada) e da LT 500 kV Presidente Juscelino – Vespasiano 2, C1 e C2 (149 km cada). Não houve entrada em operação comercial de novos transformadores com tensão igual ou superior a 230 kV.

Comercialização: No âmbito do monitoramento da comercialização, a Câmara de Comercialização de Energia (CCEE) apresentou os resultados da liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP), referente à contabilização de maio de 2026. O montante totalizou R$ 3,07 bilhões, dos quais R$ 2,64 bilhões foram liquidados, com R$ 414,81 milhões (15,70% do liquidado) creditados à Conta de Energia de Reserva – CONER, enquanto R$ 424,40 milhões permaneceram inadimplidos.

Exportação/Importação: Considerando os meses de maio e junho de 2026 (dados preliminares), não houve exportação de energia proveniente de usinas hidrelétricas. Quanto à exportação termelétrica, em maio de 2026, o montante foi de 754 MWmédios (561 GWh), sendo 98% para a Argentina e 2% para o Uruguai. Em junho de 2026, o montante foi de 1.169,5 MWmédios (814 GWh), sendo 85% para a Argentina e 15% para o Uruguai. Não houve importação comercial nos meses de maio e junho de 2026.

O CMSE, na sua competência legal, continuará monitorando, de forma permanente, as condições de abastecimento e o atendimento ao mercado de energia elétrica do País, adotando as medidas para a garantia do suprimento de energia elétrica. As definições finais sobre a reunião do CMSE desta quarta-feira (01/07) serão consolidadas em ata devidamente aprovada por todos os participantes e divulgada conforme o regimento.

*Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico 

Fonte: Ministério de Minas e Energia

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