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MJSP reforça compromisso com a integração nacional durante reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública
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Brasília, 04/06/2025 – A 11ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, que ocorreu em Brasília (DF), nesta quarta-feira (4), reuniu autoridades e representantes da sociedade civil para debater os desafios e avanços no setor. Na abertura do encontro, o ministro da Justiça e Segurança Pública substituto, Manoel Carlos de Almeida Neto, ressaltou a urgência da integração entre os entes federativos como medida essencial para enfrentar o crime organizado.
“A sociedade brasileira não suporta mais a fragmentação de dados e sistemas. O crime está organizado e o Estado precisa estar ainda mais. A integração é absolutamente fundamental”, afirmou o ministro substituto, destacando a importância da adesão ao Prontuário Policial Eletrônico (PPE) e da urgência de aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, elaborada pelo MJSP e em tramitação no Congresso Nacional.
Também participaram da reunião o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo; o secretário Nacional de Políticas Penais (Senappen), André Garcia; e o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Oliveira.
PEC da Segurança Pública
Participante especial da reunião, o ex-ministro da Segurança Pública Raul Jungmann trouxe uma reflexão histórica sobre o Susp e os desafios estruturais do setor no Brasil. Em sua fala, Jungmann frisou que, aos 73 anos de idade e fora da vida pública, explanava de um lugar de isenção política e com o compromisso de contribuir para o País.
Ele relembrou o longo processo de criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), iniciado ainda no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006) e consolidado anos depois, em 2018, quando estava à frente do então Ministério da Segurança Pública. O Susp, segundo Jungmann, foi construído de forma suprapartidária, com amplo apoio político, e deve ser inscrito na Constituição para garantir sua efetividade.
O ex-ministro destacou que a segurança pública nunca foi atribuída constitucionalmente ao poder central, o que resulta em um setor estruturalmente fragilizado, sem sistema organizado e sem verbas vinculadas, ao contrário de outras áreas sociais. Isso impede a existência de uma política nacional efetiva, pois os planos de segurança são limitados ao mandato de cada governo.
“Nenhuma polícia estadual, limitada por sua atuação territorial, está preparada para enfrentar sozinha o crime que se nacionaliza e se transnacionaliza. É preciso unir esforços e integrar inteligência, operações e recursos”, afirmou.
Defensor da aprovação da PEC, Jungmann disse que a medida é urgente para aprimorar a coordenação, a integração de inteligência e o combate ao crime organizado, que hoje opera em escala nacional e internacional. “Sem sistema, não há política nacional de segurança. Essa fragilidade precisa ser enfrentada com coragem e visão estratégica”, declarou.
Já o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), Sandro Avelar, acredita que a União é fundamental no processo de coordenação do Susp.
“A autoridade mais importante que temos no País para tratar de segurança pública é o ministro Ricardo Lewandowski. O Susp na Constituição é maravilhoso. Eu acredito que a segurança pública tem pressa, é a área de maior preocupação do brasileiro. Por meio do conselho e da PEC, nós temos a oportunidade de mudar isso”, defendeu.
Pauta
A reunião marcou mais um passo no compromisso do MJSP com o fortalecimento institucional da segurança pública e a promoção de ações integradas que garantam mais proteção à população e mais eficiência na atuação do Estado. A pauta contou com as boas-vindas aos novos membros do conselho, nomeados também nesta quarta-feira. [https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-de-pessoal-n-114-de-2-de-junho-de-2025-633848231]
Os conselheiros discutiram os resultados operacionais das redes de combate ao crime organizado, as execuções do Fundo Nacional de Segurança Pública, soluções para a padronização de dados, além de ações de ensino e pesquisa já realizadas no primeiro semestre de 2025. Tiveram ainda a missão de aprovar a ata da 10ª Reunião Ordinária, que ocorreu em dezembro de 2024.
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Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação



