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“Negociação coletiva é um direito fundamental e precisa ser fortalecida”, afirma Marcos Perioto
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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) promoveu, nesta segunda-feira (24), o debate “Negociação Coletiva como Instrumento de Regulação das Relações de Trabalho em Transformação”, parte da programação da Semana Nacional de Promoção da Negociação Coletiva 2025. A abertura do encontro foi conduzida pelo secretário de Relações do Trabalho, Marcos Perioto, e contou com a participação do diretor de Relações do Trabalho e Sindical da CNSaúde, Clóvis Queiroz, e da assessora da CONTAR, Laíssa Pollyana do Carmo.
Até outubro, o Sistema Mediador registrou mais de 40 mil instrumentos de negociação coletiva (40.590), sendo 32.885 acordos coletivos e 7.705 convenções coletivas. A plataforma digital do MTE é responsável por registrar, arquivar e dar publicidade aos instrumentos coletivos de trabalho, garantindo transparência e acesso às informações sobre negociações realizadas entre trabalhadores e empregadores.
Ao mediar o debate, Marcos Perioto destacou que o fortalecimento da negociação coletiva depende diretamente da robustez das instituições sindicais que sustentam esse processo. Ele lembrou que o fim da contribuição obrigatória impactou de forma desigual trabalhadores e empregadores, uma vez que grande parte das entidades patronais mantém suas estruturas com recursos do Sistema S, enquanto os sindicatos de trabalhadores só recentemente tiveram reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a constitucionalidade da taxa negocial.
Perioto enfatizou que a negociação coletiva é um direito fundamental, previsto na Convenção 98 da OIT, e reforçou que acordos e convenções coletivas possuem força normativa equivalente à lei, sendo instrumentos essenciais para proteger os trabalhadores em um contexto de rápidas transformações econômicas e tecnológicas. “Valorizar a negociação coletiva significa valorizar as partes e garantir sindicatos mais fortes e capazes de negociar mais e melhor”, afirmou.
Representando o setor empresarial, Clóvis Queiroz destacou que a negociação coletiva é hoje o instrumento mais eficaz para regular as relações de trabalho em um país marcado pela grande diversidade produtiva, especialmente em setores como o da saúde, que reúne mais de 896 mil empresas e emprega 3,2 milhões de trabalhadores, configurando-se como o terceiro maior empregador do Brasil.
Ele ressaltou que o arcabouço constitucional e internacional, em especial as Convenções 98 e 154 da OIT, aliado a decisões recentes como o Tema 1046 do STF, reforça a segurança jurídica e legitima soluções pactuadas entre trabalhadores e empregadores.
Clóvis enfatizou ainda que a negociação coletiva possibilita adequações setoriais inovadoras e fortalece o diálogo social, desde que sustentada por confiança mútua, representações qualificadas e pelo uso de dados e evidências nas mesas de negociação.
A assessora da CONTAR, Laíssa Pollyana, apresentou um panorama da realidade dos trabalhadores assalariados rurais, categoria que reúne cerca de 4 milhões de pessoas, das quais 60% estão na informalidade, índice que ultrapassa 80% em estados como Bahia, Ceará, Pará, Piauí e Maranhão. Ela destacou que esse público é marcado por baixa escolaridade, com 36,6% em situação de analfabetismo ou com pouca instrução, e por alta vulnerabilidade econômica, já que 61% recebem até um salário mínimo.
Laíssa lembrou ainda que, desde 1995, mais de 66 mil trabalhadores foram resgatados de trabalho análogo à escravidão, sendo quase 90% deles rurais, realidade que reforça a urgência de ampliar e fortalecer a negociação coletiva no campo.
A CONTAR acompanha mais de 1.000 instrumentos coletivos em cadeias produtivas como cana-de-açúcar, grãos, fruticultura, café e pecuária, com avanços importantes em cláusulas de proteção às mulheres, proteção ambiental e combate à informalidade. Entre os desafios, Laíssa apontou a ocorrência de atos antissindicais, a resistência patronal em alguns setores e a necessidade de aperfeiçoar a atualização sindical no CNES.
A mesa reforçou que, diante de um cenário de transformações aceleradas, marcado pela automação, pela plataformização, pela transição energética e por mudanças nas cadeias produtivas, a negociação coletiva se consolida como um instrumento estratégico para equilibrar interesses, assegurar condições dignas de trabalho e promover estabilidade jurídica e institucional no país.
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Indicadores de equidade racial avançam nas redes municipais de ensino
O Diagnóstico Equidade 2026, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), apresenta aumento nos indicadores relacionados à implementação de políticas de educação para as relações étnico-raciais (Erer) nas redes municipais de ensino.
Entre os indicadores analisados, a institucionalização apresentou um aumento de 17,1 pontos. O índice passou de 38,7 pontos, em 2024, para 55,8, em 2026. No Brasil, a média geral dos indicadores relacionados à implementação passou de 26,6, em 2024, para 34,7, em 2026, um crescimento de 8,1 pontos. O resultado indica que mais redes municipais estão estruturando políticas, ações e mecanismos para enfrentar desigualdades raciais e promover a diversidade.
O índice geral é a média que considera a institucionalização de diferentes aspectos da implementação das políticas de Erer, como gestão, formação, materiais didáticos, financiamento, avaliação e monitoramento, mapeados pelo Diagnóstico Equidade. O resultado está ligado ao primeiro biênio de execução da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), em regime de colaboração interfederativa.
As políticas de equidade racial na educação têm o objetivo de enfrentar as desigualdades raciais e contribuir para a redução do hiato de aprendizagem entre estudantes negros e brancos. Para isso, promovem ações que valorizam a diversidade, combatem o racismo e garantem condições mais equitativas para que todos os estudantes tenham acesso, permanência e aprendizagem com qualidade.
Confira os dados comparativos gerais da Erer de 2024 no Brasil, em comparação a 2026, divulgados no Diagnóstico Equidade 2026:
|
Secretarias municipais |
2024 |
2026 |
|
Índices |
Brasil |
Brasil |
|
Geral |
26,6 |
34,7 |
|
Institucionalização |
38,7 |
55,8 |
|
Formação |
20,4 |
28,7 |
|
Gestão |
26,0 |
27,0 |
|
Material Didático |
31,1 |
34,2 |
|
Financiamento |
20,6 |
39,9 |
|
Avaliação e Monitoramento |
45,0 |
60,2 |
Metodologia – O levantamento contou com 44 perguntas dirigidas às secretarias de educação de estados, municípios e do Distrito Federal. Foram realizadas 32 questões sobre Erer e 12 sobre educação escolar quilombola (EEQ).
Para acompanhar os resultados, as informações foram organizadas em indicadores que avaliaram áreas como gestão, formação de profissionais, materiais didáticos, financiamento, avaliação e monitoramento. Os índices recebem notas de 0 a 100.
As respostas foram declaradas pelos responsáveis pelas secretarias de educação ou, no caso dos municípios, pela prefeitura, o que contribui para a confiabilidade das informações. O questionário e os indicadores foram construídos com a participação de especialistas, pesquisadores e profissionais com experiência em políticas de equidade racial e combate ao racismo.
Resultados do Diagnóstico de Equidade 2026
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secadi
Fonte: Ministério da Educação



