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“Nosso compromisso é retomar as políticas públicas de proteção ao trabalho”, afirma Luiz Marinho na abertura do curso de formação para auditores

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O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou, nesta segunda-feira (31), da aula inaugural do curso de formação dos candidatos a auditores-fiscais do Trabalho. Ele saudou os 900 candidatos aprovados na primeira etapa do Concurso Nacional Unificado (CNU), destacando a importância da fiscalização para a proteção dos trabalhadores e parabenizando a dedicação dos candidatos até essa fase.

Luiz Marinho ressaltou o esforço para reconstruir políticas públicas voltadas ao trabalhador e afirmou que a recomposição do quadro de auditores-fiscais é uma decisão política do governo do presidente Lula. “Nosso compromisso é retomar as políticas públicas de proteção ao trabalho e fiscalização das condições laborais. Precisamos cuidar melhor das relações de trabalho, da qualidade do trabalho, da presença de pessoas com deficiência no mercado, dos aprendizes e eliminar o trabalho escravo e infantil”, afirmou. O ministro destacou ainda que a auditoria do trabalho tem um papel essencial na garantia do cumprimento da legislação, especialmente quando há necessidade de maior intervenção do Estado. “Nem todos os empregadores cumprem as normas, e há casos que exigem a mão firme do Estado para garantir o respeito às leis”, completou.

O Secretário de Inspeção do Trabalho do MTE, Luiz Felipe Brandão de Melo, também destacou a importância da chegada dos novos profissionais para fortalecer a política de trabalho decente no país. Ele enfatizou que a fiscalização impacta diretamente a vida dos trabalhadores e que os novos auditores terão um papel fundamental na promoção de direitos e transformação social. “Quem escolheu ser auditor-fiscal do Trabalho fez uma excelente escolha”, declarou.

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Perfil dos candidatos

Os aprovados para a segunda etapa do concurso refletem a diversidade do país. Do total, 65% são homens e 35% mulheres, provenientes de todos os estados, com maior concentração no Sudeste e Centro-Oeste. São Paulo lidera com 13% dos aprovados, seguido pelo Distrito Federal (11%), Minas Gerais (9%) e Rio de Janeiro (8%).

A candidata Ana Paula Moreira da Silva, única aprovada do Acre, foi chamada ao palco pelo ministro Luiz Marinho, que a saudou em nome de todos os participantes. “Minha expectativa é a melhor possível. Estou, inclusive, buscando colegas que queiram ir para o Acre comigo para fortalecer as políticas do trabalho”, disse Ana Paula.

A maioria dos candidatos tem entre 31 e 40 anos (58%), enquanto 21% possuem entre 21 e 30 anos. Cerca de 26% já participaram de programas governamentais como ProUni, Bolsa Família, Cadastro Único, Minha Casa Minha Vida, Auxílio Brasil e bolsas de estudo para Ciência e Tecnologia. Em relação à diversidade racial, 50% se identificam como brancos, 37% como pardos e 12% como pretos. No grupo de Pessoas com Deficiência (PCD), 6% informaram necessidade de adaptações no local de trabalho.

A pedagoga Liliane Gonçalves, candidata aprovada, compartilhou sua expectativa sobre inclusão no mercado de trabalho. “Sempre foi difícil me inserir, e o concurso público representa uma oportunidade onde minhas habilidades e competências são reconhecidas, sem preconceito pela minha deficiência”, afirmou.

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Curso de Formação

O curso de formação, etapa eliminatória, ocorrerá de 31 de março a 4 de maio de 2025. As aulas presenciais serão de segunda a sexta-feira, enquanto as aulas online assíncronas acontecerão aos sábados. As provas desta fase serão aplicadas aos domingos. As atividades presenciais ocorrerão em Brasília/DF, na Faculdade Anhanguera, na Asa Norte.

Após a posse, os aprovados passarão por treinamento prático em suas regionais para garantir uma atuação eficiente. A realização deste concurso, após 13 anos sem novas contratações, é fundamental para fortalecer a fiscalização do trabalho no Brasil. Os novos auditores enfrentarão desafios para melhorar as condições de trabalho e combater irregularidades, garantindo a presença ativa do Estado na proteção dos trabalhadores.

Participantes do evento

Também participaram da abertura do curso de formação o secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Francisco Macena; o chefe da Escola Nacional de Inspeção do Trabalho (ENIT), Fabiano Rizzo Carvalho; a diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, Lorena Guimarães Arruda; o diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho, Rogério Silva Araújo; a diretora substituta de Gestão de Pessoas, Luciene Vieira; a coordenadora-Geral de Recursos, Hélida Alves Girão; a chefe de Gabinete da Secretaria de Inspeção do Trabalho, Caroline Saraiva Almeida Corassini; o coordenador-Geral de Gestão e Fiscalização do FGTS Digital, Marcelo Naegele; e o coordenador-Geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravo e Tráfico de Pessoas, André Esposito Roston.

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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Força tarefa resgata 479 trabalhadores de escravidão moderna

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A Operação Resgate VI, ação interinstitucional coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho, para o combate ao trabalho análogo à escravidão, resgatou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão, dos quais 75 eram mulheres. Entre os trabalhadores resgatados, 13 eram crianças e adolescentes e 66 eram migrantes oriundos da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.

No período de 1 a 31 de agosto, a Operação Resgate VI realizou 231 ações fiscais em todo o país. A força-tarefa contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal (PF) que atuaram no exercício de suas respectivas competências institucionais.

Realizada desde 2021, a Operação Resgate articula a atuação de diferentes órgãos públicos na identificação e interrupção de situações de trabalho análogo à escravidão, na proteção dos trabalhadores e na adoção das providências trabalhistas, administrativas, civis e criminais cabíveis.

A Região Sudeste concentrou o maior número de trabalhadores resgatados: foram 267, dos quais 208 em Minas Gerais.

As ações se concentraram principalmente no meio rural, que correspondeu a 57,5% das fiscalizações e registrou 292 trabalhadores resgatados. As atividades no meio urbano em geral representaram 36,5% das ações, com 178 trabalhadores resgatados. No trabalho doméstico, foram fiscalizados 14 empregadores e resgatados 9 trabalhadores.

Entre as atividades econômicas, que concentraram o maior número de trabalhadores encontrados em situação de trabalho análogo à escravidão, durante a Operação Resgate VI, estão na atividade de construção em geral com 85 resgatados, e no cultivo de café, com 53 trabalhadores resgatados; o cultivo de cebola, com 47; e o cultivo de batata-inglesa, com 44. Também aparecem entre as principais atividades o cultivo de outras plantas de lavoura temporária não especificadas anteriormente, com 43 trabalhadores, e a coleta de produtos não madeireiros em florestas nativas, com 29 trabalhadores. O levantamento evidencia a presença de situações de trabalho análogo à escravidão principalmente em atividades ligadas à produção agrícola e ao extrativismo.

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Os empregadores flagrados submetendo trabalhadores nessas condições foram notificados a interromper as atividades e a rescindir os contratos de trabalho, formalizando-os retroativamente, bem com a pagar os valores aos trabalhadores, num total de mais de R$ 1,4 milhão em verbas trabalhistas e rescisórias.

Os trabalhadores resgatados também receberam o seguro-desemprego especial para trabalhador resgatado, no valor de 6 parcelas de um salário mínimo cada.

Em relação a outras irregularidades trabalhistas, serão lavrados aproximadamente 1.836 autos de infração, dentre eles de trabalho infantil, informalidade, descumprimento de normas de saúde e segurança no trabalho, além de 28 interdições ou embargos de atividades com grave e iminente risco para a integridade física e saúde dos trabalhadores. Nas ações da Operação Resgate foram encontrados 1.192 trabalhadores sem registro do contrato de trabalho, ou seja, em total informalidade.

Durante a operação, o MPT firmou três termos de ajuste de conduta (TAC) e ajuizou quatro ações civis públicas para corrigir as irregularidades e responsabilizar os empregadores. Os valores de dano moral coletivo totalizaram R$ 455,5 mil e o de dano moral individual chegou a R$ 675,5 mil.

Casos trabalhadores resgatados

Dentre os casos apurados está o de uma trabalhadora doméstica de 51 anos resgatada na Zona Leste de São Paulo. Ela vivia na residência desde os 10 anos de idade e, a partir de aproximadamente 11 anos, passou a ser responsável por todos os afazeres domésticos da casa, como lavagem de quintal e louça e arrumação do imóvel, e por cuidar da família da empregadora, incluindo o preparo de refeições e a passagem de roupas. Ao longo de todo esse período, ela nunca foi registrada formalmente como empregada e nunca recebeu salário de maneira regular.

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 A trabalhadora que prestou serviços à família por aproximadamente 40 anos sem a percepção regular de salários, chegou a trabalhar também em uma clínica pertencente a um membro da família, igualmente sem qualquer registro formal de emprego.

Diante do conjunto de irregularidades constatado – ausência de registro de emprego, inadimplência salarial e submissão da trabalhadora a condições análogas às de escravizados -, os auditores-fiscais do Trabalho emitiram ato administrativo de resgate de trabalhador submetido a condições análogas às de escravizados, afastando a trabalhadora da casa em que até então residia. A fiscalização apura, agora, o montante de verbas trabalhistas devidas à empregada.

Em Minas Gerais, trabalhadores foram resgatados de condições análogas a de escravidão em uma fazenda na zona rural de Estrela do Sul no Triângulo Mineiro. A maioria era de senegaleses e de migrantes de Burkina Faso, na África. As vítimas trabalhavam na colheita manual de batatas sem registro em carteira, sem acesso a instalações sanitárias, sem água potável, sem equipamentos de proteção individual e sem local adequado para refeições. Também foram identificadas irregularidades relacionadas à jornada de trabalho, transporte dos trabalhadores e às condições gerais de saúde e segurança do trabalho.

 Denúncia

Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota e sigilosa no Sistema Ipê, sistema da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

https://ipe.sit.trabalho.gov.br/#!/

Trabalhadores resgatados por estado

MG – 208
SP – 58
AM – 42
PI – 40
RN – 37
PB – 20
RS -15
BA – 15
PE – 14
RR – 6
MS – 6
CE – 5
MA – 4
PA – 3
MT – 2
AC – 1
DF – 1
AP – 1
RJ – 1

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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