MATO GROSSO
“As estratégias são traçadas todos os dias conforme a situação local”, afirma comandante do Corpo de Bombeiros
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“Na Sala de Situação temos softwares de ponta, alta tecnologia que nos permite monitorar o local em tempo real, processar, tratar e encaminhar as informações para que a base de operação em Porto Jofre possa criar estratégias necessárias para combate às chamas nos pontos detectados, seja por barco, helicóptero ou por meio terrestre. Além disso, os militares da operação também fazem o monitoramento no local, acompanhando de perto a situação”, destacou.
O comandante da operação, major Alex Queiroz, apontou que, em razão das características do Pantanal, os incêndios na região são dinâmicos, uma vez que o fogo de alastra pelo subsolo. Por isso, a situação muda durante o dia e as equipes ficam em constante monitoramento, replanejando as estratégias conforme a necessidade.
“A região aqui é muito grande, as distâncias são realmente longas e em são muitos locais de difícil acesso. Além disso, tivemos dias de muita ventania, que fizeram a reignição do incêndio, aliada à vegetação seca. Então, todo dia traçamos uma nova estratégia de combate. Principalmente no período da manhã, acompanhamos a atualização do incêndio, as coordenadas, a situação no local, e montamos a estratégia para aquele dia”, explicou.
Nesta quarta-feira (09), acompanhado do superintendente de Defesa Civil, tenente-coronel BM Luís Cláudio Pereira, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros sobrevoou o Parque Estadual Encontro das Águas. Ele ressaltou que a instituição atua com força total na região.
“Estamos com uma equipe robusta do Corpo de Bombeiros, junto a outros órgãos como Defesa Civil, Ciopaer, Sema, Prefeitura de Poconé e com os proprietários da região, trabalhando em sinergia para mitigar os danos ambientais. O governador em exercício, Otaviano Pivetta, determinou o reforço na equipe e estamos tendo muita eficiência na diminuição do dano ambiental e na preservação da fauna e flora local”, afirmou o comandante.
A secretária de Meio Ambiente de Poconé, e coordenadora municipal de Defesa Civil, Danielle de Assis Carvalho, afirmou que a atuação do Corpo de Bombeiros é imprescindível para evitar que os incêndios se alastrem. “Eles têm as técnicas adequadas para o combate para conseguirmos extinguir os focos de calor, impedindo que esses incêndios se tornem grandes desastres”, acrescentou.
De acordo com o superintendente de Defesa Civil do Estado, tenente-coronel BM Luís Cláudio, a Casa Civil já disponibilizou recursos financeiros para serem empregados na operação, e a Defesa Civil disponibilizou novas aeronaves para as ações de combate.
“Nosso papel é potencializar a capacidade de resposta do Corpo de Bombeiros aqui no local. Para isso, estamos disponibilizando aeronaves com capacidade de 3 mil litros cada uma, viaturas, e já contratamos 300 horas de voo somente para esta operação. Também já temos disponibilizados recursos financeiros para, se necessário, serem utilizados e conseguirmos extinguir esse incêndio o mais breve possível”, afirmou.
Na região, o Corpo de Bombeiros atua com militares em solo, realizando ações de prevenção, como construção de aceiros e barreiras, e no combate direto às chamas. Nas regiões de mais difícil acesso, são utilizadas embarcações e aeronaves para o lançamento de água e apoio aos militares.
“Com o helicóptero do Ciopaer, fazemos o sobrevoo nas áreas onde estão o fogo e auxiliamos no planejamento para identificar como adentrar no local. São áreas de difícil acesso, então vamos colocando os militares o mais próximo possível. Áreas em que se leva 30 minutos de barco, fazemos o trajeto em cinco minutos, otimizando o tempo e garantindo mais eficiência na operação”, destacou o secretário adjunto de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, delegado Valter Furtado Filho, comandante do helicóptero nesta quarta-feira (09).
Além das ações de combate ao incêndio, os militares também atuam com fiscalização contra o uso do fogo no período proibitivo, que foi prorrogado até 30 de novembro.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Prevenção ao feminicídio é tema de diálogo promovido pelo MPMT
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ampliou o debate sobre o enfrentamento ao feminicídio ao promover, nesta quinta-feira (16), no Espaço MP Por Elas, no Pantanal Shopping, em Cuiabá, mais uma entrevista do projeto Diálogos com a Sociedade. Com o tema “Feminicídio: prevenção, políticas públicas e rede de proteção”.O encontro reuniu a procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Estudos sobre Violência Doméstica, e a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, coordenadora do Núcleo das Promotorias de Justiça Especializadas no Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital.Durante a conversa, a procuradora de Justiça Elisamara Portela explicou o conceito de feminicídio e a importância da tipificação penal para dar visibilidade a um crime historicamente naturalizado. Segundo ela, “o feminicídio é a prática do crime de morte contra uma mulher dentro de um relacionamento afetivo, ou quando termina um relacionamento afetivo, ou a morte de uma mulher por uma pessoa que despreza o fato dela ser mulher”. A procuradora destacou ainda que a legislação atual prevê penas elevadas, que podem chegar a até 60 anos de prisão.Dados apresentados durante a entrevista evidenciam a gravidade do cenário em Mato Grosso. Em 2025, foram registrados 54 casos de feminicídio no estado. Já em 2026, até o momento, são 13 casos contabilizados. Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, compreender esses números é fundamental para formular políticas públicas eficazes. “Só entendemos o tamanho do problema quando nos debruçamos sobre ele”, afirmou, ao tratar da criação do Observatório Caliandra, em março de 2024.As entrevistadas destacaram que o feminicídio, em regra, é o desfecho de uma escalada de violências anteriores, muitas vezes invisibilizadas. “A violência psicológica é extremamente sutil e comum; envolve formas de controle sobre o que a mulher veste, com quem fala ou se pode estudar. Muitas vezes a mulher normaliza isso achando que é amor”, pontuou Elisamara Portela. Ela também alertou para a ocorrência de violência sexual dentro do casamento e para práticas como o controle forçado da natalidade, frequentemente desconhecidas pelas vítimas como formas de crime.A importância da medida protetiva de urgência foi outro ponto central do debate. Segundo a procuradora de Justiça, ao registrar a ocorrência, a mulher pode solicitar a medida, que deve ser analisada pelo Judiciário em até 48 horas. “Ano passado foram mais de 18 mil medidas em Mato Grosso; dessas 18 mil mulheres, 54 foram mortas. Isso mostra que a medida protege”, destacou.Já em 2026, já foram registrados mais de 5 mil pedidos. A promotora Claire Vogel Dutra reforçou que “a medida protetiva salva vidas” e alertou que grande parte das vítimas de feminicídio não havia solicitado essa proteção, o que evidencia a necessidade de ampliar a informação e o encorajamento à denúncia.O MPMT também atua no acolhimento das vítimas por meio de uma rede integrada de serviços. No Espaço Caliandra, localizado ao lado do fórum da capital, são ofertados atendimentos multiprofissionais, com psicólogos, assistentes sociais e orientação jurídica, além de encaminhamentos para programas sociais, auxílio-aluguel, moradia popular e capacitação profissional.No interior do Estado, as ações se estendem com iniciativas como o Projeto Gaia, que orienta promotores na articulação das redes locais, e o estímulo à criação de Planos Municipais de Enfrentamento à Violência.Ao tratar das mudanças legislativas recentes, a promotora de Justiça ressaltou os avanços do chamado pacote antifeminicídio. “O feminicídio tornou-se um crime autônomo, com penas maiores, e também surgiu o conceito de violência vicária, que é quando o agressor mata um filho ou parente para atingir a mulher”, explicou.Segundo a promotora, o endurecimento das penas contribuiu para a redução do tempo médio de julgamento e para o fortalecimento da resposta penal. As entrevistadas também reforçaram o papel da sociedade no enfrentamento à violência, lembrando que qualquer pessoa pode denunciar casos suspeitos, inclusive de forma anônima, pelo telefone 127, da Ouvidoria do Ministério Público.Projeto FloreSer – a atuação do Ministério Público também se estende à prevenção por meio da educação. Nesse contexto, a promotora Claire Vogel Dutra destacou o Projeto Florescer, iniciativa voltada especialmente a estudantes do ensino médio.O projeto promove rodas de conversa e atividades educativas nas escolas, abordando temas como relacionamentos afetivos saudáveis, respeito, igualdade e identificação precoce de comportamentos abusivos.A preocupação, segundo a promotora, é com a naturalização do controle nas relações entre jovens, envolvendo práticas como o uso de aplicativos de rastreamento e o compartilhamento forçado de senhas. A proposta é conscientizar desde cedo de que controle não é demonstração de amor e que esse tipo de comportamento pode evoluir para formas mais graves de violência.Assista à entrevista na íntegra aqui. Espaço MP Por Elas - aberto ao público até esta sexta-feira (17), o Espaço MP Por Elas integra a programação da temporada 2026 do projeto Diálogos com a Sociedade. As entrevistas permanecem disponíveis nos canais digitais do Ministério Público de Mato Grosso, ampliando o acesso à informação e reforçando o compromisso institucional com a promoção da cidadania, da dignidade e dos direitos das mulheres. A edição 2026 do projeto Diálogos com a Sociedade é realizada pelo MPMT em parceria com a Fiemt, o Serviço Social da Indústria (Sesi-MT), Águas Cuiabá, Energisa Mato Grosso, Amaggi, Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Pantanal Shopping, Monza Tintas, Sofisticato, Janaína Figueiredo – Arquitetura e Interiores, e Roberta Granzotto Decor.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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