MATO GROSSO
Cartório Eleitoral de Campo Verde realiza mutirões em parceria com Prefeitura
MATO GROSSO
O Cartório da 12ª Zona Eleitoral de Mato Grosso, em parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Verde, realiza uma série de mutirões de alistamento eleitoral e coleta de dados biométricos. As atividades iniciaram no dia 1º de setembro e seguem até 10 de outubro deste ano, passando por diferentes locais do município, como escolas, praças, centros comunitários e assentamentos rurais.
O objetivo é facilitar o acesso dos cidadãos e cidadãs ao cadastramento biométrico e garantir que todos e todas estejam regularizados para o próximo pleito. A Prefeitura disponibilizou servidores para apoiar os trabalhos, em cumprimento ao Acordo de Cooperação Técnica nº 017/2025, firmado com a Justiça Eleitoral.
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) reforça que o comparecimento ao mutirão é fundamental para os eleitores e eleitoras que ainda não realizaram o cadastro biométrico, evitando transtornos futuros quanto à regularização do título eleitoral. “Nosso propósito é ampliar o atendimento, alcançar toda a população e reforçar a segurança do processo democrático”, destacou o técnico judiciário da 12ª Zona Eleitoral, Djuliani Fernando Ceccato.
A série de mutirões teve início na Escola Estadual Ledy Anita Brescancin, onde os serviços foram oferecidos de 1º a 05 de setembro. Na ocasião, foram realizados 176 atendimentos.
Cronograma
Os próximos mutirões ocorrerão nos seguintes locais e datas:
- Praça João Paulo II – 08 a 12 de setembro
- Centro de Atendimento ao Idoso (CAI) – 15 a 19 de setembro
- SECITECI/IFMT – 22 a 26 de setembro
- Creche Cora Coralina – 29 de setembro a 03 de outubro
- Assentamentos e comunidades rurais – entre 30 de setembro e 10 de outubro
Ações externas
Além dos mutirões próprios, o Cartório da 12ª Zona Eleitoral de Mato Grosso, em parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Verde, participou dos principais eventos do município neste mês. A iniciativa integra o Termo de Cooperação nº 017/2025, que busca unir esforços da Justiça Eleitoral e da Prefeitura para ampliar o atendimento à população e facilitar a regularização do título eleitoral.
Os servidores da Justiça Eleitoral e do município estiveram em regime especial de trabalho para atender o público nos seguintes eventos:
- 25ª Feira Comercial de Campo Verde (de 04/09 a 06/09)
- Ao Vivo na Praça (06/09)
- Dia C do Sicoob (06/09)
Segundo o juiz da 12ª Zona Eleitoral, André Guanaes Simões, o objetivo é levar o atendimento até os cidadãos e cidadãs, aproveitando a concentração de público em eventos locais. “Estamos ampliando o acesso à coleta biométrica e garantindo que todos tenham a oportunidade de regularizar sua situação eleitoral em horários e locais de grande movimento”, destacou. Ele reforçou, ainda, que o cadastro biométrico é fundamental para assegurar a regularidade eleitoral e a segurança do processo democrático.
Jornalista: Nara Assis
#PraTodosVerem: A imagem mostra duas mulheres em uma sala escolar. Uma delas, vestida de verde, está sentada mexendo no celular, enquanto a outra, de óculos e blusa preta, trabalha em um notebook sobre a mesa. Há cartazes afixados na parede, incluindo um aviso de proibição do uso de celular.
Fonte: TRE – MT
MATO GROSSO
Lira de vinte anos
Havia um frio discreto — mas insistente — naquela noite, no Hotel Fazenda Mato Grosso. Não era apenas a solenidade, nem o peso das formalidades. Era algo mais íntimo: a percepção de que, dali em diante, a vida deixaria de ser preparação e passaria a ser uso.Pediram-me uma frase para a revista institucional. E, em vez de um conceito jurídico, veio um verso de Thiago de Mello:“Pois aqui está a minha vida.Pronta para ser usada.”Naquele instante, parecia apenas uma escolha de linguagem. Hoje, à distância que o tempo permite, percebe-se outra coisa: não era ornamento. Era direção.No dia seguinte, o mapa começou a se abrir — não como abstração, mas como destino. Colniza, Cotriguaçu, Aripuanã, Nova Monte Verde, Apiacás, Porto dos Gaúchos, Tabaporã, Nova Canaã do Norte, Marcelândia, São Félix do Araguaia, Porto Alegre do Norte, Confresa, Ribeirão Cascalheira, Querência. Cada nome indicava um lugar no qual os direitos previstos na Constituição precisariam ganhar maior ressonância na vida de sua gente.A chegada, em cada uma dessas comarcas, tinha algo de iniciação. Estradas longas, muitas vezes de chão, que não apenas levavam — já preparavam. O tempo do deslocamento ensinava que o relógio institucional precisaria dialogar com outras medidas: a distância, o clima, a espera. E, quando finalmente se chegava, não havia intervalo. Havia trabalho.Em um sábado qualquer, por exemplo, mal se acomodavam as malas e já surgia o primeiro chamado. Um delegado à porta, um adolescente apreendido, e a constatação imediata de que as estruturas previstas nos livros — centros especializados, fluxos definidos — nem sempre estavam disponíveis. Não se tratava de ausência, mas de construção em curso. E, nesse espaço entre o que deveria existir e o que efetivamente existia, nascia a necessidade de decidir.Os primeiros dias tinham essa marca: a realidade não aguardava adaptação prévia. Ela se impunha. E, pouco a pouco, cada um compreendia que a função não seria exercida dentro de um sistema plenamente dado, mas, muitas vezes, no próprio processo de sua afirmação.As cidades, longe de qualquer simplificação, revelavam-se densas. Comunidades com história, vínculos, economia própria, religiosidade, associações, expectativas legítimas. Havia vitalidade, trabalho, cooperação. E havia, como em qualquer sociedade em transformação, tensões que pediam mediação. Conflitos fundiários que extrapolavam o papel, práticas econômicas que testavam os limites normativos, desafios ambientais que exigiam equilíbrio entre produção e preservação.Mas o ponto mais delicado surgia quando a dor coletiva buscava resposta imediata. Em crimes que ferem profundamente — como a violência sexual —, por vezes emergia o impulso do chamado “justiçamento”. Não como desvio simplista, mas como expressão de uma indignação que ainda não encontrara plena confiança nos canais institucionais. E era exatamente aí que a atuação ganhava seu contorno mais exigente: sustentar, com firmeza e serenidade, que a Justiça — para ser legítima — precisa se fazer pelo devido processo legal. Que a proteção da vítima não se opõe à forma, mas depende dela. Que a resposta estatal, para ser justa, precisa ser também racional, pública e controlável — como já advertia Cesare Beccaria.Ao lado disso, havia uma outra frente, menos visível e mais persistente. Estruturar serviços. Fazer com que a escola fosse mais do que um prédio, que o posto de saúde funcionasse com regularidade, que a assistência social alcançasse quem dela necessitava, que a segurança pública se organizasse com os recursos disponíveis. Não eram tarefas rápidas. Exigiam insistência, diálogo, retorno. Exigiam, sobretudo, a compreensão de que o Direito não atua apenas depois do problema — ele também contribui para que o problema não se repita.É nesse contexto que iniciativas como o incentivo à leitura deixam de parecer laterais e passam a revelar seu sentido. Promover leitura, ali, não era ornamento cultural. Era ampliar o horizonte de compreensão, inclusive do próprio Direito. Era permitir que a linguagem jurídica deixasse de ser estranha e passasse a ser partilhável. Era, de algum modo, preparar o terreno para que a ideia de Justiça encontrasse eco.Cada um daqueles colegas seguiu seu próprio caminho. Havia o mais discreto e reflexivo, o mais combativo, o mais afeito à negociação, o mais rigoroso na técnica, o mais enérgico na arena do júri popular. Diferenças naturais, necessárias. Mas havia um ponto de convergência que o tempo evidencia: a disposição de permanecer. De insistir. De retornar às mesmas questões sob ângulos distintos. De sustentar a continuidade quando o resultado não era imediato.Vinte anos depois, talvez não seja possível reconstituir cada ato, cada decisão, cada intervenção. E talvez isso não seja necessário. O que permanece é a direção. Comunidades que passaram a dialogar com mais clareza sobre seus direitos, serviços que se consolidaram, práticas que foram revistas, expectativas que ganharam forma.E, de algum modo, aquele verso inicial continua a caber — não como lembrança, mas como medida:“Vida que não guardanem se esquiva, assustada.Vida sempre a serviçoda vida.Para servir ao que valea pena e o preço do amor.”Talvez seja isso que melhor descreve aquele começo coletivo — e tudo o que dele se seguiu. Não a soma de feitos extraordinários, mas a persistência em afirmar, em diferentes lugares e circunstâncias, que a Justiça, para existir de verdade, precisa ser construída com tempo, com forma e com humanidade.Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça do MPMT
Fonte: Ministério Público MT – MT
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