MATO GROSSO
“Gestão diferenciada”, afirma prefeito em lançamento de 856 imóveis do SER Família Habitação e entrega de Escola Técnica
MATO GROSSO
O governador Mauro Mendes e a primeira-dama Virginia Mendes lançaram, nesta quarta-feira (10.04), a construção de 856 apartamentos pelo programa SER Família Habitação, em Campo Verde.
Estava previsto o lançamento de 576 apartamentos, mas, a pedido do prefeito do município, Alexandre Lopes, o governador autorizou a construção de mais 280 imóveis.
“Esse programa de habitação tem sido muito importante. Lembro que quando eu também não tinha casa própria e morava de aluguel, há muitos anos, e consegui comprar a minha primeira casinha, e já era casado inclusive. Isso é algo que a gente não esquece. Que a gente possa o mais breve possível voltar aqui e entregar a chave para cada família”, declarou o governador.![]()
Em Campo Verde, governador, acompanhado da primeira-dama, lançou construção de mais de 800 casas – Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
Pelo Programa SER Família Habitação, idealizado pela primeira-dama, as famílias poderão adquirir a casa própria com subsídio de até R$ 20 mil do Governo do Estado para ser aplicado na entrada.
“Quero agradecer ao Governo Mauro Mendes pela gestão diferenciada e aos esforços concentrados pelo governador e pela primeira-dama. Aqui está tudo pronto para construir e em menos de um ano a gente espera entregar essas residências para a população”, afirmou o prefeito.
A primeira-dama e secretária municipal de Assistência Social de Campo Verde, Rosilei Pereira Borges de Oliveira, expressou gratidão à primeira-dama Virginia Mendes pelo apoio e destacou a importância para a população menos favorecida de ter uma casa própria.
“Quero dizer muito obrigada para a senhora, muito obrigada. Nós sabemos que a casa própria é sonho de todo pai de família e de toda mãe. E eu fico emocionada porque o meu pai foi beneficiado com casa própria da antiga Cohab, no bairro Jupiara. Foi o primeiro projeto habitacional do município de Campo Verde nos anos 90. E eu sei o que essas casas significam nas nossas vidas. A casa própria traz para o pai de família o momento de dormir, o descanso e a segurança que, se ele faltar, a sua família tem um teto, tem um lar para morar”, afirmou.![]()
Escola entregue tem vocação têxtil para atender demanda de mão de obra capacitada – Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
No município, o governador também entregou a Escola Técnica Estadual de Educação e Tecnológica Profissional, vocacionada para a indústria têxtil. A obra foi retomada em 2020, depois de passar mais de 10 anos paralisada.
Com capacidade para mais de mil estudantes, a Escola Técnica será um passo significativo para capacitar profissionais em um setor chave para a economia local, dada a relevância do algodão para o município, que é um dos maiores produtores de pluma do país.
“Essa é uma das oito obras de escolas técnicas que estavam paralisadas, que tinham começado por volta de 2012, 2013, e hoje conseguimos finalizar essa estrutura de qualidade. Então, é um momento muito especial”, declarou o governador.![]()
Escola Técnica com quadra poliesportiva e estrutura moderna atende mil estudantes – Foto: Mayke Toscano/ Secom-MT
Na obra da escola de mais de 5,5 mil metros quadrados, o Governo do Estado investiu R$ 16,8 milhões. Serão oferecidos cursos de qualificação 100% gratuitos, junto com o ensino médio, em parceria entre a Secretaria Estadual de Assistência Social (Seciteci) e a Secretaria Estadual de Educação (Seduc).
O secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Allan Kardec, destacou o compromisso e a eficiência do Governo de Mato Grosso ao concluir as obras paralisadas.
“Neste ano, entregaremos todas as obras paralisadas, incluindo o Parque Tecnológico em Várzea Grande”, declarou.
O secretário de Estado de Educação, Alan Porto, enfatizou que o Governo está investindo R$ 25 milhões em cinco escolas no município.
“Isso significa que todas as escolas de Campo Verde estão passando por construção, reforma, ampliação, melhorias na sua infraestrutura e tecnologia em todas elas. Em Campo Verde, temos um dos melhores IDEBs do Estado e do Brasil graças a esse trabalho conjunto com a Prefeitura Municipal”, afirmou.
O deputado estadual Beto Dois a Um disse já ter perdido as contas da quantidade de vezes que foi a Campo Verde para o lançamento de obras do Estado e em convênios com a Prefeitura Municipal e citou a importância da conclusão da obra da escola técnica.
“Essa obra era emblemática e ficou parada por vários anos e isso parece algo corriqueiro na gestão Mauro Mendes, de pegar obras paradas e entregar para que a população tenha acesso. Aprendi com o governador Mauro Mendes que a política é para mudar a vida das pessoas para melhor”, frisou.![]()
Governador visitou fábrica têxtil – Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
Mauro Mendes e a primeira-dama ainda visitaram a fábrica têxtil da Incofibras, uma das cinco do ramo localizadas no município.
Também participaram do evento os deputados estaduais Carlos Avallone e Diego Guimarães; os secretários Fábio Garcia, da Casa Civil; César Miranda, de Desenvolvimento Econômico; César Roveri, de Segurança Pública; Jefferson Neves, de Cultura, Esporte e Lazer; e Grasielle Bugalho, de Assistência Social e Cidadania.![]()
Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Falta de atendimento e água potável marca debate indígena
O segundo dia do webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte Indígena”, promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), aprofundou a escuta das demandas dos povos originários e expôs, com contundência, as fragilidades estruturais que ainda marcam o atendimento à saúde indígena no estado. O encontro reuniu lideranças indígenas de diferentes regiões, integrantes do sistema de justiça e representantes da gestão pública, consolidando-se como um espaço de fala e denúncia, mas também de construção institucional.Na abertura, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, destacou o caráter do evento como instrumento de escuta ativa e crítica. “Este espaço funciona como uma escuta para que possamos compreender, com profundidade, os gargalos da saúde indígena, que muitas vezes se mantêm por interesses econômicos que não podem se sobrepor à vida”, afirmou.Na mesma linha, a promotora de Justiça Maria Coeli Pessoa de Lima reforçou o compromisso do Ministério Público com a transformação das denúncias em providências concretas. “Todos os problemas aqui relatados, especialmente aqueles referentes à gestão e ao financiamento, serão devidamente registrados e encaminhados aos órgãos responsáveis em cada localidade. Nosso objetivo é buscar soluções práticas para questões que não podem mais ser postergadas”, pontuou.As falas das lideranças indígenas evidenciaram uma realidade marcada pela precariedade e pela negligência. O cacique Waraci Xavante relatou a situação crítica dos serviços básicos de saúde nas aldeias. “Nos postos de saúde temos apenas dipirona e ibuprofeno. Não há estrutura, não há medicamentos suficientes. As nossas mulheres ainda carregam água por longas distâncias porque faltam poços artesianos, e isso gera dor, sofrimento e adoecimento”, denunciou.Complementando a denúncia, Bruno Xavante chamou atenção para a negativa de atendimento por parte dos municípios. “Existe uma recusa frequente. Os municípios dizem que a responsabilidade é da Sesai e, com isso, nossos parentes ficam sem assistência. Além disso, enfrentamos discriminação e a barreira da língua, especialmente com aqueles que não falam português”, explicou.A pauta ambiental também ocupou lugar central nos debates. Amanuá Kamayura alertou para a contaminação dos territórios e seus impactos diretos na saúde. “O Rio Xingu está sendo contaminado por mercúrio, e os agrotóxicos das fazendas chegam pelo ar e pela água. Há pesquisadores que dizem não conseguir fazer análises químicas porque faltam equipamentos na universidade, influenciados por interesses políticos de fazendeiros”, afirmou.Com experiência de mais de três décadas na área, José Ângelo Silveira Nambiquara apontou problemas estruturais na gestão do sistema. “A centralização dos contratos em Brasília prejudica o funcionamento na ponta. Falta combustível nos distritos, o que impede ações básicas de atendimento. Precisamos urgentemente de concursos públicos, porque muitos profissionais estão se aposentando, e também é necessário definir quem é responsável pela soberania alimentar dos povos indígenas, já que Estado e municípios se eximem dessa função”, destacou.No campo jurídico, o promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas trouxe reflexões sobre a atuação institucional. “É necessário que o Ministério Público leve ao Supremo Tribunal Federal o questionamento sobre a aplicação de teses restritivas no fornecimento de medicamentos aos povos indígenas. Também devemos discutir a criação de uma fila específica no SUS, como uma ação afirmativa que reconheça a violência estrutural histórica sofrida por essas populações”, propôs.As lideranças também cobraram melhorias na infraestrutura de atendimento. Sebastiana Wamariwê destacou a necessidade de ampliar a rede de assistência. “Precisamos da construção de uma Casa de Saúde Indígena em Água Boa. A população Xavante está crescendo e já chega a cerca de 27 mil pessoas, mas a estrutura não acompanha essa realidade”, disse.Lúcio Xavante reforçou a dificuldade enfrentada no acesso a atendimentos especializados. “A burocracia na regulação de vagas hospitalares é muito grande. Muitas vezes, nossos parentes aguardam por atendimento em situações graves, e isso agrava ainda mais os casos”, relatou.O cacique Damião Paridzané trouxe um relato alarmante sobre a Terra Indígena Maraiwatsédé. “A água que consumimos chega suja de esterco de gado das lavouras vizinhas. Estamos bebendo água contaminada e adoecendo por causa disso”, denunciou.Já Hiparidi Dzutsi’wa Toptiro destacou os impactos diretos dessa realidade na saúde das comunidades. “A mortalidade infantil indígena é maior do que em regiões pobres do país. Precisamos urgentemente formar agentes de saúde e de saneamento para atuar nas aldeias. Não podemos continuar perdendo nossas crianças”, afirmou.Entre os representantes da gestão pública, Caio Wulkai Suya, coordenador no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xingu, reconheceu desafios no atendimento. “Ainda existe resistência e preconceito contra os indígenas nos hospitais municipais. Precisamos enfrentar essa realidade para garantir um atendimento digno”, declarou.Marcia Rauber, representante do Escritório Regional de Saúde, apontou falhas na articulação entre sistemas. “O SUS e o subsistema de saúde indígena muitas vezes não se reconhecem e não dialogam. Isso prejudica diretamente a continuidade do cuidado e a efetividade do atendimento”, observou.A professora Rosaline Lunardi trouxe contribuições relacionadas à segurança alimentar. “Há grandes dificuldades no acesso a recursos para a agricultura familiar indígena. Garantir alimentação adequada também é garantir saúde”, destacou.O voluntário Valteri reforçou a gravidade da situação sanitária. “A água contaminada por cinzas de queimadas tem causado sofrimento constante nas comunidades. Isso impacta diretamente a qualidade de vida e agrava problemas de saúde já existentes”, afirmou.Ao final da escuta, foram apontadas como medidas a serem adotadas o encaminhamento formal de todas as demandas aos órgãos competentes; a intensificação da fiscalização sobre a prestação de serviços de saúde indígena; a articulação interinstitucional para melhoria da integração entre o SUS e o subsistema indígena; a análise de medidas judiciais, incluindo questionamentos no Supremo Tribunal Federal; o acompanhamento das demandas por infraestrutura, como a construção de unidades de saúde; e o fortalecimento de políticas voltadas ao saneamento, segurança alimentar e formação de profissionais para atuação nas aldeias.Programação – O webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte de Indígenas” é promovido pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT. A programação segue até o dia 11 de junho. Na quinta-feira (1’), a socióloga Haya Del Bel ministrará a palestra “Saúde Indígena e Território: o corpo-terra sob ataque”. Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com estágio doutoral na Universidad Complutense de Madrid, a pesquisadora participará de debate ao lado da liderança indígena e professora Lucila da Costa Moreira Nawa e do missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Antônio Liebgott. A mediação será conduzida pelo promotor de Justiça Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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