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Magistrados e servidores se capacitam em Direito Humanos e discutem gênero, raça e etnia

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Atento às evoluções na sociedade, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Escola Superior da Magistratura (Esmagis) e da Escola dos Servidores do Judiciário, proporciona para cerca de 50 magistrados e servidores uma capacitação em Direitos Humanos, a partir das perspectivas de gênero, raça e etnia, entre quarta (12) e sexta-feira (14), de maneira híbrida. A iniciativa visa a promoção da igualdade e inclusão social e o combate a todas as formas de discriminação.
 
Coordenador pedagógico da Esmagis, juiz Antônio Veloso Peleja Júnior destaca o papel do Poder Judiciário em promover uma sociedade mais justa, o que está contemplado no Planejamento Estratégico da instituição. “Tem que se capacitar porque a questão de gênero, a questão do racismo, a questão da raça e da etnia são construções, são um contínuo na História, que vem sendo contado e que precisa haver uma mudança no status quo. E como se dá essa mudança no status quo? Com cursos, com participação e pela atuação, principalmente, do próprio Poder Judiciário. O Judiciário é uma instituição responsável por essa mudança. E essa mudança tem que refletir na sociedade porque é uma questão estrutural, tanto a violência de gênero, de raça, a discriminação, são questões culturais, históricas que precisam ser modificadas”, afirma.
 
O professor pós-doutor Marcelo Antônio Theodoro, que leciona na faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), é o instrutor da capacitação oferecida aos juízes e servidores e destaca a importância das decisões judiciais terem a perspectiva de gênero, raça e etnia em suas fundamentações. “Elas precisam levar em conta que existe racismo, que esse racismo é estrutural, não é apenas o racismo explícito, que o racismo pode ser institucional e que ele acaba passando desapercebido. E o sistema acaba tendo comportamentos, inclusive nas suas decisões, de cunho racista, que não são percebidas. E algo semelhante em relação à questão do feminismo. Às vezes, o tratamento que se dá à mulher como uma das partes do processo judicial acaba sendo feito com esses preconceitos. Então, a ideia é jogar foco para essa questão”, explica o professor em relação à proposta do curso.
 
A capacitação, que atende à Resolução nº 492/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), demonstra, na visão de Peleja e Theodoro, o interesse do Judiciário brasileiro em dar resposta às situações que estão no cotidiano da sociedade. Como exemplo, eles citam julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) que levaram em conta as perspectivas de gênero, raça e etnia, como a constitucionalidade da reserva de vagas para negros e indígenas em universidades e em concursos públicos; o impedimento da utilização da legítima defesa da honra como tese no Tribunal do Júri; a possibilidade de adiamento do teste físico para gestantes em concursos; o planejamento familiar sem a autorização cônjuge, entre outros casos.
 
“É muito bonito o CNJ ter essa atuação administrativa e também o próprio legislador, tentando quebrar esses grilhões. É um movimento que nasce a partir da Constituição de 1988, quando foram lançadas algumas bases sobre as quais se construa um edifício melhor, uma sociedade mais igualitária, uma sociedade sem discriminações, como se propõe na nossa Constituição”, comenta o juiz Antônio Peleja.
 
Na visão do juiz auxiliar da Presidência, Jones Gattass Dias, a capacitação é importante, pois faz com que o magistrado esteja atento às transformações da sociedade para melhor exercer seu papel, enquanto profissional e cidadão. “Acrescenta na atividade profissional, na contextualização de nossas fundamentações jurídicas para não cometermos enganos, para não nos levarmos pela desinformação. É perigosíssimo para o magistrado estar afastado dessas novas informações, desses novos conceitos, das transformações sociais. E para a vida pessoal também é uma oportunidade de se avaliar: Será que eu estou preparado para esses novos desafios, para saber lidar com o racismo, saber lidar com todos esses conceitos? Isso tudo é importantíssimo! Ver sob o ponto de vista profissional e pessoal para ser uma pessoa melhor em casa, ser melhor como pai, como esposo, como cidadão principalmente, como profissional que está ali para distribuir justiça”, avalia.
 
Conforme o juiz da 3ª Vara Cível de Sinop, Cristiano Fialho, o debate sobre os direitos humanos sob as perspectivas de gênero, raça e etnia é atual e necessário. “O Judiciário está antenado e isso é relevante e positivo, sobretudo para os juízes estarem atualizados acerca dessa matéria. A divulgação e transmissão do conhecimento para os juízes, associado à socialização que a gente tem com os colegas, a troca de ideias, a informação direta com os professores e tutores, é extremamente relevante para a nossa formação e reflete de forma positiva nos julgamentos diários, na atividade jurisdicional”, comenta.
 
Para o servidor Mário Júnior Vaz, a capacitação vem contribuir para a melhor prestação jurisdicional. “Esse curso é muito interessante devido às altas demandas processuais que atualmente nós temos contemplado no Judiciário. É um investimento muito plausível, que dá a capacidade para os servidores do Tribunal de Justiça de terem uma consciência e uma prática eficaz, que venha a contribuir para o serviço público e atendimento público”.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Imagem da sala de aula com alunos sentados nas carteiras e, à frente, em pé, o professor falando ao microfone. Atrás dele, há uma tela onde se apresenta um slide onde se lê: “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”. Foto 2: Juiz Antônio Peleja. Ele é um homem pardo, de cabelo curto e preto, olhos castanhos escuros, usando camisa azul clara, gravata listrada preta e cinza e terno cinza. Foto 3: Professor Marcelo Antônio Theodoro ministra aula sobre direitos humanos. Ele é um homem branco, alto, de cabelo liso e castanho, barba branca, usando camisa azul clara, gravata azul marinho e terno cinza.
 
Celly Silva/ Fotos/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Polícia Civil deflagra operação “My Love” e avança investigações sobre desaparecimento de jovem

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A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (05.05), a Operação “My Love”, com foco no aprofundamento de investigações relacionadas ao desaparecimento de uma jovem ocorrido no final de 2025.

A ação é resultado de um trabalho investigativo contínuo da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Rondonópolis, iniciado após o registro do desaparecimento de Karen Anelita Ferreira da Silva, de 25 anos, ocorrido em 09 de dezembro de 2025.

À época, o pai da vítima procurou a DHPP informando que a filha havia saído para trabalhar e não retornado para casa. A partir disso, foram empregadas diversas técnicas investigativas, incluindo análise de imagens, diligências de campo, campanas e levantamentos de inteligência, que subsidiaram a representação por medidas cautelares junto ao Poder Judiciário.

No curso das investigações, foi possível identificar indícios de que a vítima mantinha vínculo com a facção criminosa dominante na cidade e buscava mulheres para levar entorpecentes para a Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande.

As apurações também apontam que o desaparecimento da jovem podia estar relacionado a conflitos internos envolvendo a atividade criminosa, especialmente desentendimentos com outras mulheres que faziam a mesma coisa.

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O nome da operação, “My Love”, faz alusão a esse contexto, no qual mulheres de reeducandos estariam sendo cooptadas para a prática delituosa de ingresso de drogas no sistema prisional.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Rondonópolis, as equipes policiais apreenderam porções de drogas como maconha e ecstasy, além de materiais utilizados no tráfico de entorpecentes e diversos dispositivos eletrônicos que teriam como destino o interior da unidade prisional.

Duas mulheres, de 31 e 35 anos, foram presas em flagrante pelo crime de tráfico de drogas. Uma delas também teve cumprido mandado de prisão temporária. Após os procedimentos legais, as investigadas foram encaminhadas à unidade prisional, onde permanecem à disposição da Justiça.

As investigações seguem em andamento, com o objetivo de esclarecer completamente os fatos, identificar outros envolvidos e responsabilizar todos os autores. O inquérito policial deverá ser concluído no prazo legal de 30 dias.

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Pharus

A Operação My Love integra a Operação Pharus, estratégia institucional voltada ao enfrentamento qualificado das facções criminosas e à desarticulação de suas atividades ilícitas, especialmente no que tange ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, no âmbito do programa Tolerância Zero.

O nome “Pharus” faz referência ao termo latino para farol, estrutura associada à emissão contínua de luz e à orientação em meio à escuridão. A escolha do nome busca simbolizar a atuação do Estado na identificação e no enfrentamento de práticas criminosas.

Renorcrim

As atividades também estão inseridas no cronograma das ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), que reúne delegados titulares das unidades especializadas e promotores públicos dos 26 estados e Distrito Federal e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (DIOPI) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para traçar estratégias de inteligência de combate de forma duradoura à criminalidade.

Fonte: Governo MT – MT

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