MATO GROSSO
MT conquista 7º lugar entre as organizações estrangeiras mais influentes em feira de negócios na China
MATO GROSSO
O estande do Estado de Mato Grosso conquistou destaque internacional ao ser classificado em 7º lugar entre as 30 organizações estrangeiras mais influentes na 7ª China International Import Expo (CIIE), realizada de 5 a 10 de novembro de 2024, em Xangai (confira a lista no final do texto). O resultado foi divulgado no Relatório sobre a Cobertura de Mídia e Influência, desenvolvido pelos organizadores do evento, que analisaram a presença e o impacto das instituições participantes.
“Essa notícia mostra como nosso Mato Grosso tem expandido a sua influência e importância no cenário internacional. Por isso temos esse grande foco em mostrar ao mundo todas as nossas potencialidades e que Mato Grosso é o lugar do mundo que mais produz e preserva o meio ambiente”, afirmou o governador Mauro Mendes.
O Estado teve uma avaliação superior à do Governo Federal no ranking. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX Brasil), subordinada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ficou em 22º lugar.
O reconhecimento reforça o protagonismo de Mato Grosso no mercado global, especialmente em setores estratégicos como o agronegócio, que desempenha um papel central na relação comercial entre o Brasil e a China. O estado é um dos principais exportadores de grãos e proteína animal para o mercado chinês, e sua participação na feira demonstrou a força e a relevância de seus produtos em escala mundial.
Mato Grosso participou da feira pela primeira vez em 2023, em uma missão liderada pelo governador Mauro Mendes. Com a boa repercussão da participação em 2023, o estado passou a ter um estande maior e com mais destaque no ano passado. Neste ano, a ideia é ampliar ainda mais o espaço.
Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, a presença de Mato Grosso entre os 30 expositores mais influentes é reflexo de uma estratégia de longo prazo, elogiada tanto no Brasil quanto na China pela capacidade de atrair investimentos e fortalecer parcerias globais. Neste ano, a ideia é ter mais espaço ainda na feira.
“Com um planejamento estratégico cada vez mais robusto, Mato Grosso vem aprimorando sua presença na CIIE, ampliando seu alcance e consolidando sua identidade. A seleção criteriosa de empresas, a personalização do estande e a realização de agendas estratégicas foram essenciais para esse resultado, demonstrando que preparação e visão de longo prazo geram impacto real”, destacou.
Servidora da Sedec que atua na China desde 2019, Ariana Guedes tem sido a responsável por fazer a ponte entre empresários mato-grossenses e chineses, além de representar o Governo do Estado em feiras, exposições e vitrines tecnológicas na Ásia. Sua atuação foi reconhecida pela Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo, que a listou entre as 50 mulheres que levam o agro do Brasil para o mundo.
Ariana destaca que a classificação de Mato Grosso entre as organizações estrangeiras mais influentes da CIIE reforça a importância do estado no cenário internacional e aumenta a responsabilidade para a edição deste ano, que também deve ocorrer em novembro.
“Estar entre as organizações estrangeiras mais influentes em um evento dessa magnitude demonstra o quanto Mato Grosso é relevante para o cenário internacional. Vamos continuar investindo na promoção dos nossos produtos e na construção de parcerias estratégicas”, afirmou.
Ela também ressaltou que o estande de Mato Grosso recebeu mais de 1.000 atendimentos qualificados e milhares de visitantes, que puderam degustar a carne mato-grossense na edição de 2024. Além disso, os visitantes assistiram a vídeos. O espaço apresentou o potencial do estado no agronegócio sustentável, tecnologia e comércio internacional, reforçando sua posição como um dos principais players globais.
Impacto da China International Import Expo
Uma das maiores feiras mundiais de negócios, a CIIE reuniu 152 países, regiões e organizações internacionais, com mais de 1.500 pequenas e médias empresas ocupando uma área de exposição superior a 47 mil metros quadrados. De acordo com o relatório, a 7ª CIIE promoveu resultados expressivos em termos de comunicação e negócios, com mais de 5 bilhões de menções na mídia mundial e 45 mil reportagens internacionais sobre o evento.
O relatório ainda apontou que a CIIE se consolida como uma plataforma crucial para fomentar a globalização econômica e atrair novos investimentos. O desempenho de Mato Grosso na edição de 2024 faz com que o estado se projete como um ator relevante no comércio global, ampliando sua capacidade de estabelecer relações comerciais sólidas e de longo prazo com mercados estratégicos como o da China.
Confira as 30 organizações estrangeiras mais influentes na CIIE 2024
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Falta de atendimento e água potável marca debate indígena
O segundo dia do webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte Indígena”, promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), aprofundou a escuta das demandas dos povos originários e expôs, com contundência, as fragilidades estruturais que ainda marcam o atendimento à saúde indígena no estado. O encontro reuniu lideranças indígenas de diferentes regiões, integrantes do sistema de justiça e representantes da gestão pública, consolidando-se como um espaço de fala e denúncia, mas também de construção institucional.Na abertura, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, destacou o caráter do evento como instrumento de escuta ativa e crítica. “Este espaço funciona como uma escuta para que possamos compreender, com profundidade, os gargalos da saúde indígena, que muitas vezes se mantêm por interesses econômicos que não podem se sobrepor à vida”, afirmou.Na mesma linha, a promotora de Justiça Maria Coeli Pessoa de Lima reforçou o compromisso do Ministério Público com a transformação das denúncias em providências concretas. “Todos os problemas aqui relatados, especialmente aqueles referentes à gestão e ao financiamento, serão devidamente registrados e encaminhados aos órgãos responsáveis em cada localidade. Nosso objetivo é buscar soluções práticas para questões que não podem mais ser postergadas”, pontuou.As falas das lideranças indígenas evidenciaram uma realidade marcada pela precariedade e pela negligência. O cacique Waraci Xavante relatou a situação crítica dos serviços básicos de saúde nas aldeias. “Nos postos de saúde temos apenas dipirona e ibuprofeno. Não há estrutura, não há medicamentos suficientes. As nossas mulheres ainda carregam água por longas distâncias porque faltam poços artesianos, e isso gera dor, sofrimento e adoecimento”, denunciou.Complementando a denúncia, Bruno Xavante chamou atenção para a negativa de atendimento por parte dos municípios. “Existe uma recusa frequente. Os municípios dizem que a responsabilidade é da Sesai e, com isso, nossos parentes ficam sem assistência. Além disso, enfrentamos discriminação e a barreira da língua, especialmente com aqueles que não falam português”, explicou.A pauta ambiental também ocupou lugar central nos debates. Amanuá Kamayura alertou para a contaminação dos territórios e seus impactos diretos na saúde. “O Rio Xingu está sendo contaminado por mercúrio, e os agrotóxicos das fazendas chegam pelo ar e pela água. Há pesquisadores que dizem não conseguir fazer análises químicas porque faltam equipamentos na universidade, influenciados por interesses políticos de fazendeiros”, afirmou.Com experiência de mais de três décadas na área, José Ângelo Silveira Nambiquara apontou problemas estruturais na gestão do sistema. “A centralização dos contratos em Brasília prejudica o funcionamento na ponta. Falta combustível nos distritos, o que impede ações básicas de atendimento. Precisamos urgentemente de concursos públicos, porque muitos profissionais estão se aposentando, e também é necessário definir quem é responsável pela soberania alimentar dos povos indígenas, já que Estado e municípios se eximem dessa função”, destacou.No campo jurídico, o promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas trouxe reflexões sobre a atuação institucional. “É necessário que o Ministério Público leve ao Supremo Tribunal Federal o questionamento sobre a aplicação de teses restritivas no fornecimento de medicamentos aos povos indígenas. Também devemos discutir a criação de uma fila específica no SUS, como uma ação afirmativa que reconheça a violência estrutural histórica sofrida por essas populações”, propôs.As lideranças também cobraram melhorias na infraestrutura de atendimento. Sebastiana Wamariwê destacou a necessidade de ampliar a rede de assistência. “Precisamos da construção de uma Casa de Saúde Indígena em Água Boa. A população Xavante está crescendo e já chega a cerca de 27 mil pessoas, mas a estrutura não acompanha essa realidade”, disse.Lúcio Xavante reforçou a dificuldade enfrentada no acesso a atendimentos especializados. “A burocracia na regulação de vagas hospitalares é muito grande. Muitas vezes, nossos parentes aguardam por atendimento em situações graves, e isso agrava ainda mais os casos”, relatou.O cacique Damião Paridzané trouxe um relato alarmante sobre a Terra Indígena Maraiwatsédé. “A água que consumimos chega suja de esterco de gado das lavouras vizinhas. Estamos bebendo água contaminada e adoecendo por causa disso”, denunciou.Já Hiparidi Dzutsi’wa Toptiro destacou os impactos diretos dessa realidade na saúde das comunidades. “A mortalidade infantil indígena é maior do que em regiões pobres do país. Precisamos urgentemente formar agentes de saúde e de saneamento para atuar nas aldeias. Não podemos continuar perdendo nossas crianças”, afirmou.Entre os representantes da gestão pública, Caio Wulkai Suya, coordenador no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xingu, reconheceu desafios no atendimento. “Ainda existe resistência e preconceito contra os indígenas nos hospitais municipais. Precisamos enfrentar essa realidade para garantir um atendimento digno”, declarou.Marcia Rauber, representante do Escritório Regional de Saúde, apontou falhas na articulação entre sistemas. “O SUS e o subsistema de saúde indígena muitas vezes não se reconhecem e não dialogam. Isso prejudica diretamente a continuidade do cuidado e a efetividade do atendimento”, observou.A professora Rosaline Lunardi trouxe contribuições relacionadas à segurança alimentar. “Há grandes dificuldades no acesso a recursos para a agricultura familiar indígena. Garantir alimentação adequada também é garantir saúde”, destacou.O voluntário Valteri reforçou a gravidade da situação sanitária. “A água contaminada por cinzas de queimadas tem causado sofrimento constante nas comunidades. Isso impacta diretamente a qualidade de vida e agrava problemas de saúde já existentes”, afirmou.Ao final da escuta, foram apontadas como medidas a serem adotadas o encaminhamento formal de todas as demandas aos órgãos competentes; a intensificação da fiscalização sobre a prestação de serviços de saúde indígena; a articulação interinstitucional para melhoria da integração entre o SUS e o subsistema indígena; a análise de medidas judiciais, incluindo questionamentos no Supremo Tribunal Federal; o acompanhamento das demandas por infraestrutura, como a construção de unidades de saúde; e o fortalecimento de políticas voltadas ao saneamento, segurança alimentar e formação de profissionais para atuação nas aldeias.Programação – O webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte de Indígenas” é promovido pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT. A programação segue até o dia 11 de junho. Na quinta-feira (1’), a socióloga Haya Del Bel ministrará a palestra “Saúde Indígena e Território: o corpo-terra sob ataque”. Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com estágio doutoral na Universidad Complutense de Madrid, a pesquisadora participará de debate ao lado da liderança indígena e professora Lucila da Costa Moreira Nawa e do missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Antônio Liebgott. A mediação será conduzida pelo promotor de Justiça Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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