MATO GROSSO
Programa Semear realiza primeira reunião de trabalho em Cuiabá
MATO GROSSO
A primeira reunião do Programa Semear (Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação Social do Recuperando) em Mato Grosso foi realizada na última sexta-feira (36), na Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá. O encontro reuniu representantes do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Tribunal de Justiça (TJMT), Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT) e Instituto Ação pela Paz para alinhar estratégias e apresentar os primeiros projetos que serão desenvolvidos no âmbito da iniciativa.Durante a reunião inaugural, os participantes conheceram experiências consolidadas em São Paulo, onde o programa está implantado há mais de uma década e apresenta resultados expressivos na redução da reincidência criminal. A proposta é adaptar as metodologias à realidade local de Mato Grosso e construir indicadores próprios para mensurar os avanços na ressocialização de pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional.Para a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente, coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal do MPMT, a primeira reunião marcou um importante passo para a consolidação do Semear em Mato Grosso. “Hoje nós temos um momento histórico, a primeira reunião do Programa Semear Mato Grosso. Já conseguimos reunir vários agentes e fazer a apresentação dos primeiros projetos que serão desenvolvidos pelo programa, com adesão massiva das instituições, principalmente do Tribunal de Justiça, que é nosso grande parceiro, além da participação da Sejus e do apoio da Defensoria Pública”, contou. Josane Guariente também ressaltou os resultados obtidos pelo programa em São Paulo e a perspectiva de replicá-los no estado. “Os dados apresentados por São Paulo são altamente empolgantes e demonstram o enorme potencial de ressocialização dessas iniciativas. Esses resultados também serão construídos em Mato Grosso por meio da parceria entre Ministério Público, Tribunal de Justiça, Sejus e Defensoria Pública”, afirmou.A diretora executiva do Instituto Ação Pela Paz, Solange Senese, ressaltou a eficácia do programa e comemorou o início das atividades em Mato Grosso. “O Semear nasceu no Estado de São Paulo e comprova que 82,5% das pessoas que participam dos projetos não retornam ao sistema prisional pelo cometimento de um novo crime. Mato Grosso, com muita sabedoria, está reproduzindo esse modelo com projetos comprovadamente eficazes”, enfatizou. Segundo ela, a primeira reunião do Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação Social do Recuperando em Mato Grosso foi um encontro emocionante, que deve se repetir todos os meses. A pedagoga do Sistema Penitenciário Alcedina Tereza Alves, ponto focal do Programa Semear, enfatizou a importância da iniciativa para fortalecer as políticas de ressocialização no Estado. “É com imensa alegria e gratidão que participamos da primeira reunião do Semear em Mato Grosso. O programa já vinha sendo construído há algum tempo, mas hoje lançamos essa pedra fundamental de uma iniciativa de grande importância para o sistema penitenciário estadual”, explicou. Alcedina Alves acrescentou que o programa já conta com dois projetos em execução nas unidades prisionais de Nova Xavantina e Barra do Bugres, contemplando ações nas áreas de educação, atendimento psicossocial e cultura, com foco na ressocialização das pessoas privadas de liberdade. Ela também agradeceu ao MPMT pelo empenho na condução da iniciativa e pelo compromisso em ampliar seus resultados em todo o estado.Metodologia – Em Mato Grosso, o Programa Semear está estruturado com foco na gestão por resultados e no acompanhamento permanente das ações desenvolvidas nas unidades prisionais. O fluxo de execução é organizado em cinco etapas: planejamento, análise e aprovação, pré-execução, execução e avaliação de resultados. Ao longo de todo o processo, o Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal acompanha a unidade prisional.O processo tem início com o diagnóstico das demandas e a elaboração dos projetos pelas unidades prisionais. Em seguida, as propostas passam por análise técnica e definição orçamentária, com acompanhamento do Instituto Ação Pela Paz. Após a fase de aquisição dos materiais necessários, os projetos entram em execução, com a realização das atividades assistenciais e monitoramento do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal do MPMT.A etapa final contempla a avaliação dos resultados alcançados, incluindo o acompanhamento dos índices de reincidência criminal dos participantes e a atualização de painéis de monitoramento. O objetivo é garantir maior transparência, eficiência e efetividade às ações voltadas à reintegração social de pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional.Lançamento oficial – O Programa Semear Mato Grosso foi lançado oficialmente no dia 29 de maio de 2026, durante o Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”. A iniciativa busca ampliar a efetividade das ações de recuperação de pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional, além de valorizar os servidores que atuam diretamente no processo de ressocialização.Em Mato Grosso, o programa é desenvolvido por meio do Termo de Cooperação Técnica nº 32/2024, firmado entre MPMT, TJMT, Defensoria Pública, Governo do Estado, por meio da Sejus, e Instituto Ação pela Paz. Inspirado em uma experiência consolidada em São Paulo, o Semear aposta na atuação integrada entre instituições e na adoção de práticas baseadas em evidências para reduzir a reincidência criminal e fortalecer a reintegração social.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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Podcast Explicando Direito debate estereótipos de gênero e os impactos da divisão sexual do trabalho
Como os estereótipos de gênero influenciam as oportunidades profissionais, a divisão das tarefas domésticas e até mesmo a forma como a sociedade enxerga homens e mulheres? Essas questões foram debatidas no podcast Explicando Direito, que recebeu a juíza de Direito Alethea Assunção Santos para uma conversa sobre desigualdade de gênero, divisão sexual do trabalho e a importância de desenvolver um olhar crítico sobre situações frequentemente naturalizadas no cotidiano.
Durante a entrevista, a magistrada esclareceu que os estereótipos de gênero são construções sociais relacionadas àquilo que a sociedade tradicionalmente considera adequado para homens e mulheres. “Estereótipos de gênero são padrões que nós construímos socialmente, que são mais ou menos aquilo que a sociedade acredita que é o papel do homem e o papel da mulher”, explicou. Como exemplo, ela citou a expectativa de que meninas sejam gentis e obedientes, enquanto meninos sejam aventureiros e ousados, observando que essas ideias podem gerar sofrimento para pessoas que não se encaixam nesses modelos.
A juíza também abordou a chamada divisão sexual do trabalho, conceito que atribui às mulheres as atividades relacionadas ao cuidado da casa, dos filhos e dos familiares, enquanto aos homens é destinado o trabalho produtivo e remunerado. Segundo ela, embora as mulheres tenham conquistado espaço no mercado de trabalho, ainda acumulam responsabilidades domésticas. “Nós trabalhamos fora, nós temos as nossas responsabilidades, nós competimos de igual para igual com os homens, mas nós continuamos com o trabalho doméstico. E aí surge, então, a dupla carga de trabalho”, destacou.
Ao falar sobre a importância do debate em espaços de formação, Alethea ressaltou que algumas características tradicionalmente associadas às mulheres têm sido cada vez mais valorizadas em áreas como liderança e gestão de pessoas. “As mulheres têm essa capacidade, melhor do que os homens, isso é fato, de fazer uma escuta mais ativa, de tentar se colocar no lugar do outro”, afirmou. A magistrada também refletiu sobre os desafios enfrentados por mulheres que conciliam maternidade e carreira profissional, observando que muitas ainda assumem a maior parte das responsabilidades relacionadas aos filhos.
A entrevistada enfatizou a necessidade de desenvolver uma visão crítica sobre desigualdades que muitas vezes são naturalizadas pela sociedade. Para ela, o reconhecimento dessas situações passa pelo chamado letramento de gênero, processo que permite identificar discriminações e tratamentos desiguais presentes nas relações sociais e profissionais. “Nós, mulheres e homens, precisamos ter esse olhar atento para observar se, nas nossas relações interpessoais, na nossa vida profissional, se nós, mulheres, em algum momento, estamos sofrendo um tratamento discriminatório em razão do gênero”, pontuou.
Ao encerrar o episódio, Alethea destacou o papel do Poder Judiciário no enfrentamento dessas desigualdades e na promoção de uma atuação mais sensível às questões de gênero. “O Poder Judiciário está atento para essas assimetrias, para essas desigualdades. Tanto que o CNJ editou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero”, afirmou.
O podcast é produzido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) em parceria com a Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça e apoio da Assembleia Legislativa.
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Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]


