MATO GROSSO
Projeto do TRE-MT “Linguagem Simples e Democracia” é apresentado em conferência internacional
MATO GROSSO
O projeto “Linguagem Simples e Democracia”, desenvolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) em cooperação voluntária com especialistas da comunidade de Linguagem Simples e com o apoio da Rede InovaGov, foi apresentado no evento internacional Brussels Plain Language Experience 2025 (Experiência de Linguagem Simples de Bruxelas 2025), realizado de 5 a 7 de novembro, em Bruxelas, Bélgica. A apresentação ocorreu no formato pôster, conduzida pela servidora Marcela Lopes, e por Sidan O Rafa, membro do Linguagem Simples Lab e integrante do projeto. O case brasileiro foi selecionado por sua abordagem inovadora na tradução das etapas técnicas da votação eletrônica em linguagem simples e visual, tornando o tema mais acessível à população e contribuindo para o combate à desinformação eleitoral.
A iniciativa mostra como a clareza das informações públicas pode aproximar o cidadão da Justiça Eleitoral e reforçar a confiança nas instituições democráticas. O trabalho integra um movimento colaborativo que reúne servidores públicos, voluntários e especialistas de diferentes regiões do país, conectados pela Rede InovaGov, rede nacional de inovação no setor público.
“Levar a experiência brasileira a um evento dessa magnitude é uma oportunidade de mostrar que o Brasil tem avançado na forma de se comunicar com o cidadão. No caso da Justiça Eleitoral, traduzir as explicações sobre o sistema eletrônico de votação em linguagem simples é mais do que uma questão de clareza — é uma forma de fortalecer a confiança e a própria democracia. A comunicação clara é uma ponte entre o cidadão e o Estado, capaz de aproximar, esclarecer e gerar pertencimento”, destaca Marcela Lopes, servidora do TRE-MT e coautora do projeto.

A participação no evento reforça o papel do TRE-MT como instituição que aposta na inovação e na comunicação clara para aproximar o cidadão do processo eleitoral. Ao tornar informações complexas mais acessíveis, o Tribunal atua em consonância com a Agenda 2030, especialmente com o ODS 16, que incentiva instituições transparentes, inclusivas e eficazes, pilares essenciais para a democracia.
Sobre o evento
O Brussels Plain Language Experience 2025 (Experiência de Linguagem Simples de Bruxelas 2025) é um dos principais encontros internacionais dedicados à linguagem simples e comunicação clara. Promovido pela Plain Language Association International (PLAIN) (Associação Internacional de Linguagem Simples), em parceria com a Clarity International, o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia, o Governo da Bélgica e o Instituto Belga de Formação Judicial (Judicial Training Institute), o evento reuniu centenas de especialistas, pesquisadores e profissionais de governo de todo o mundo.
Com o tema “Uniting for a Brighter Future: A New Era for Plain Language” (Unindo-nos por um futuro mais luminoso: uma nova era para a linguagem simples), a conferência discutiu o papel da linguagem simples como instrumento de inclusão, transparência e fortalecimento democrático. A programação incluiu painéis sobre inteligência artificial aplicada à comunicação clara, linguagem simples e mídia, design da informação e tradução institucional multilíngue.
A sessão de pôsteres ocorreu em dois momentos: no dia 5 de novembro, no Instituto Belga de Formação Judicial (Judicial Training Institute), e no dia 7 de novembro, na sede do Governo da Bélgica (Chancellery of the Prime Minister), proporcionando aos participantes a oportunidade de compartilhar experiências e resultados de projetos inovadores de linguagem simples de diferentes países.
Saiba mais
🌐 Evento oficial: Brussels Plain Language Experience 2025 (https://plainlanguagenetwork.glueup.com/event/brussels-plain-language-experience-2025-151260)
💡 Conheça o cartaz e folder produzido (https://inovagov.enap.gov.br/content/show/184)
Assessoria de Comunicação do TRE-MT
Fonte: TRE – MT
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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.



