POLITÍCA NACIONAL
Debatedores defendem projeto que proíbe alterações na Bíblia
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Em audiência promovida pela Comissão de Educação e Cultura do Senado (CE) nesta terça-feira (16), debatedores manifestaram apoio ao projeto de lei que proíbe alterações nos textos da Bíblia, ao contrário do que aconteceu em debate anterior, promovido em outubro, quando os participantes criticaram a iniciativa.
O projeto (PL 4.606/2019) é de autoria do deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA). O texto “veda qualquer alteração, adaptação, edição, supressão ou adição nos textos da Bíblia Sagrada, para manter a inviolabilidade de seus capítulos e versículos, e garante a pregação do seu conteúdo em todo o território nacional”.
Já aprovado na Câmara dos Deputados, a iniciativa recebeu em abril parecer favorável na Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH), onde o relator da matéria foi o senador Magno Malta (PL-ES).
Na CE, a relatora da proposta é a senadora Dra. Eudócia (PL-AL). Foi ela quem solicitou a audiência desta terça-feira (por meio do REQ 52/2025 – CE).
O deputado federal Pastor Sargento Isidório participou do debate. Ele declarou que a Bíblia ilumina os caminhos dos cristãos e que seu projeto não vai invalidar as traduções já existentes nem impedir novas versões para os povos indígenas.
— O projeto não viola o direito de ninguém. Queremos apenas que não seja tocado o texto que é sagrado para católicos e evangélicos — disse ele.
Proteção
O pastor e professor João Batista Cavalcante Júnior reiterou que o texto da Bíblia “é a palavra de Deus”. Por isso, argumentou, o texto bíblico não pode ser alterado ou modificado, e nem mesmo transformado por uma narrativa. Segundo ele, pesquisas mostram que os cristãos, sejam católicos ou evangélicos, são a grande maioria da população brasileira e têm a Bíblia como livro sagrado.
— O projeto protege a Bíblia Sagrada. A Bíblia não pode ser mexida ou modificada. A autoridade textual não pode ser substituída por narrativas ideológicas. A palavra tem poder e transforma vidas — ressaltou.
O empresário e missionário Charlston Soares do Santos classificou o projeto como “muito importante”, por manter a Bíblia “como ela é no original”. Ele citou várias passagens bíblicas e elogiou o deputado Pastor Sargento Isidório pela iniciativa.
— A palavra de Deus é o norte. E esse projeto é essencial para que a Bíblia seja preservada na sua essência — enfatizou o missionário.
O pastor Israel Alves Ferreira, da igreja Assembleia de Deus em Ilhéus (BA), participou do debate de forma on-line. Para ele, a Bíblia é importante não só do ponto de vista religioso, mas também sob a ótica cultural e moral. Ele salientou que ninguém busca mudar textos clássicos como A República, de Platão, ou o Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos. Assim, argumenta Ferreira, o texto bíblico também deveria ser preservado.
— A Bíblia jamais pode ser violada. Deve ser amada e protegida — acrescentou Ferreira.
No parecer que apresentou à CDH em abril, o senador Magno Malta defendeu o projeto. Segundo ele, “a Bíblia não deve ser objeto de alterações motivadas por ideologias, agendas culturais ou militantes”.
Questionamentos
No último dia 30 de outubro, em outra audiência pública promovida pela CE, os debatedores questionaram a viabilidade da iniciativa. Segundo os teólogos que participaram do debate, a proposta pode trazer problemas acadêmicos e legais. Eles também lembraram que a dinâmica da interpretação e reinterpretação dos textos bíblicos é recorrente do ponto de vista histórico.
Na ocasião, o advogado Renato Gugliano Herani, doutor em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e representante da Igreja Universal do Reino de Deus, disse que, se o projeto passar da forma como está, o Estado será transformado — por lei — em guardião oficial de um texto sagrado.
Herani afirmou que é necessária uma reflexão sobre o projeto e o conceito de Estado laico. E ressaltou que, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, não há autorização para o controle estatal das questões de fé.
— O Estado [com a aprovação da proposta] passaria a tutelar a sacralidade de um cânon, atuando como um guardião teológico, deslocando o Estado laico — afirmou ele, que também questionou o interesse público do projeto.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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CAS discute projeto de fiscalização de políticas sociais do governo federal
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) discute nesta terça (25) o projeto que estabelece agosto como o mês em que o Congresso Nacional deve dar atenção especial à análise e à fiscalização das políticas públicas do governo federal na área social.
Entre os convidados para o debate estão dois ministros de Estado. A reunião terá início às 10h.
O projeto (PL 4.035/2023) também cria uma campanha de conscientização, determinando que agosto será o Mês Nacional de Combate à Desigualdade Social e de Enfrentamento à Pobreza.
A proposta foi apresentada em 2023 pelo então deputado federal Guilherme Boulos, que se licenciou do cargo em 2025 para assumir a chefia da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele deve participar do encontro.
O debate, que acontecerá sob a forma de audiência pública interativa, foi solicitado pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que é o relator do projeto.
No requerimento que apresentou para solicitar o debate (REQ 84/2026 – CAS), Paim ressalta que “o Brasil permanece entre os países mais desiguais do mundo. Essa realidade não se restringe aos indicadores econômicos: manifesta-se nas profundas diferenças de acesso à saúde, à educação, ao trabalho digno, à moradia, à segurança alimentar, ao saneamento básico e à própria expectativa de vida entre diferentes grupos sociais e territórios”.
Convidados
Entre os convidados que já confirmaram a participação na audiência estão:
- o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos;
- o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias;
- a diretora de Promoção dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Luana Medeiros;
- a integrante da diretoria do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Adriana Marcolino;
- a coordenadora da Ação Brasileira de Combate às Desigualdades, Renata Boulos;
- o coordenador nacional do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Rud Rafael.
A reunião será realizada na sala 3 da ala Alexandre Costa.
Como participarO evento será interativo: qualquer pessoa pode enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e‑Cidadania. As mensagens podem ser lidas e respondidas pelos senadores e debatedores ao vivo. O Senado oferece uma declaração de participação, que pode ser usada como atividade complementar em curso universitário, por exemplo. Pelo Portal e‑Cidadania também é possível opinar sobre projetos e até sugerir novas leis. |
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado



