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GT da Mineração discute impostos e conscientização a respeito do setor em primeira reunião do ano
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Professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o geólogo Caiubi Kuhn fez uma apresentação sobre Educação para Mineração.
Foto: Ronaldo Mazza
O Grupo de Trabalho (GT) para discutir políticas públicas para área da mineração recebeu convidados para debater questões tributárias do setor, ações do projeto Educa Mineração e o evento Expominério na primeira reunião de 2025, realizada na tarde desta quinta-feira (20) na sede da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Os advogados Pamela Alegria e Jorge Rachid falaram sobre impostos e contribuições cobrados da mineração no estado. “Existe uma discussão de que a mineração é uma atividade pouco tributada. Mas nós sabemos que ela tem contribuições federais, como a CFEM [Compensação Financeira pela Exploração Mineral], tem IOF, tem o IPI [imposto sobre produtos industrializados] em cima das exportações, tem o imposto de importação. Dependendo da forma como o ouro é comercializado, se ele for mercadoria, ele tem imposto sobre circulação [ICMS]. Então, é muito precário falar que é uma atividade que não tem tributação”, defendeu Pamela Alegria.
“Dentro do estado de Mato Grosso, hoje nós temos até TRFM [Taxa de Fiscalização de Recursos Minerais], que é específico sobre a mineração. Há toda uma cadeia, incluindo imposto de renda, todas as contribuições trabalhistas. A CFEM, parte dela fica para a União, parte para o Estado e parte para o município de onde é retirado aquele minério”, completou a advogada.
Professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o geólogo Caiubi Kuhn fez uma apresentação sobre Educação para Mineração, tema de um projeto de extensão da UFMT e também da Lei nº 12.727/2024 – que institui a Semana Estadual da Campanha Educa Mineração—, de autoria do presidente da ALMT, deputado Max Russi (PSB). “A mineração está em tudo na nossa vida, o celular, a casa, a escola, a fiação, os satélites que estão em volta do planeta, tudo é feito diretamente com o uso de recursos minerais. Então, é importante as pessoas saberem isso, até mesmo se a gente for buscar no futuro ter um menor consumo de recursos minerais”, expôs Caiubi Kuhn, que tem atuado junto a estudantes para divulgar conhecimentos a respeito da mineração.
Ele também falou sobre o desempenho do estado no setor e disse acreditar que Mato Grosso pode crescer ainda mais. “Há áreas com grande potencial para extração mineral. Esses locais podem ter novos empreendimentos sendo viabilizados com a melhora da logística, com o crescimento da malha de rodovias do estado, ferrovias, com a ampliação do conhecimento geológico. A tendência é que Mato Grosso nas próximas décadas continue a crescer no setor mineral. Hoje já somos o quinto estado em mineração no Brasil. Algum tempo atrás não estávamos nem entre os dez e a gente pode, quem sabe, até vir a ser o terceiro futuramente”, avaliou Caiubi Kuhn.
Empresária da mineração, Núbia Braz, contou na reunião que decidiu instalar uma filial em Mato Grosso neste ano a partir de participação, em 2023, na Expominério, maior evento de mineração no Centro-Oeste. “Foi onde eu tive a visão do cenário de Mato Grosso na mineração e o que me motivou a investir aqui. Vou abrir uma base no estado para atender as demandas da região, porque Mato Grosso tem crescido e tem se destacado nesse mercado, no mercado da pesquisa e da sondagem”, compartilhou. O organizador da conferência, Disney de Paula, adiantou que a edição deste ano da Expominério será do dia 26 a 28 de novembro, com expectativa de receber cerca de 80 expositores.
“Hoje foi muito proveitoso, foi a primeira reunião do ano. A gente trouxe aqui o Educa Mineração, que é uma lei nossa que vai levar para as escolas a importância da mineração. A gente trouxe questões tributárias, já que muitos escritórios vêm nos procurando por apoio. A gente trouxe aqui a visão do empresariado, que também tem espaço aqui na Casa de Leis. E a Expominério, que é um evento da Assembleia”, considerou a vice-presidente do GT, Taís Costa.
O Grupo de Trabalho com a finalidade de acompanhar e propor a implementação de políticas públicas para exploração dos recursos minerais do estado de Mato Grosso foi criado em abril do ano passado por ato da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Taís Costa explica que se trata da continuação dos trabalhos iniciados pela Câmara Setorial Temática da Mineração, encerrada em 2024. Todas essas discussões foram iniciadas a partir de requerimento do deputado Max Russi, que é presidente do GT. “O principal legado que a gente quer deixar com o grupo de trabalho é a construção da política pública da mineração dentro da Constituição Estadual”, concluiu Taís Costa.
Fonte: ALMT – MT
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Após atuação da ALMT, STF reconhece cumprimento por MT à apresentação de propostas sobre divisa entre Mato Grosso e Pará
A atuação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) na discussão sobre a divisa entre Mato Grosso e Pará alcançou uma nova etapa no Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão proferida pelo ministro Flávio Dino, no último dia 11, na Ação Rescisória nº 2.964, o relator reconheceu como cumprida por Mato Grosso a etapa destinada à apresentação de propostas adicionais de acordo e determinou que o estado do Pará se manifeste sobre elas no prazo de 30 dias.
A decisão representa um avanço na estratégia institucional desenvolvida nos últimos meses pela ALMT. As propostas construídas pela Procuradoria-Geral da Assembleia foram incorporadas à estratégia de Mato Grosso para que a discussão não fique restrita à definição territorial e à regularização fundiária, mas alcance também os impactos concretos da mudança de divisa sobre a população.
Na Procuradoria-Geral da ALMT, a construção das teses e das manifestações apresentadas ao Supremo vem sendo conduzida pelos procuradores Ricardo Riva e Bruno Willames Cardoso Leite. Eles são responsáveis pela formulação da linha jurídica que colocou no centro da discussão a continuidade dos serviços públicos e a necessidade de uma transição organizada entre os dois Estados.
Desde o último mês junho, de acordo com Bruno Willames, a Procuradoria da Assembleia passou a defender perante o STF que a solução para o conflito territorial centenário não poderia se resumir à definição de quem é proprietário ou de qual estado determinada área pertence.
“Era necessário enfrentar também questões como saúde, educação, transporte escolar, estradas, segurança pública, sanidade animal, tributação, regularização ambiental, atividade produtiva, ressarcimento de despesas e continuidade dos serviços atualmente prestados por Mato Grosso e seus municípios”, afirmou o procurador.
De acordo com o procurador, a atuação tem respaldado a participação institucional da Assembleia Legislativa na discussão e aproximação com os municípios diretamente atingidos pelo conflito. “A estratégia da ALMT tem buscado levar ao processo não apenas argumentos jurídicos, mas informações produzidas pelas prefeituras, representantes das comunidades e setores econômicos que convivem diariamente com os efeitos da indefinição histórica da divisa”, afirmou.
Na nova decisão, o relator Flávio Dino registrou detalhadamente a proposta apresentada por Mato Grosso, incluindo a criação de uma Mesa Técnica de Trabalho Mato Grosso e Pará, com participação dos municípios, e a construção de uma solução piloto para a região da Serra dos Apiacás, envolvendo inicialmente Apiacás, Paranaíta e Alta Floresta, em Mato Grosso, e Jacareacanga e Novo Progresso, no Pará.
O ministro considerou que a manifestação apresentada por Mato Grosso em 31 de agosto, materializando o cumprimento da obrigação do acordo celebrado anteriormente entre os dois estados. Com isso, Flávio Dino determinou que o Pará seja intimado para se manifestar, em 30 dias, sobre as propostas.
Após a manifestação paraense, segundo o procurador, Mato Grosso terá prazo de 10 dias úteis. Em seguida, o processo retornará ao gabinete do relator para novas providências, havendo ainda previsão de que as partes possam requerer nova audiência de conciliação para tratar dos pontos que permanecerem controvertidos.
A decisão também reconheceu o avanço dos trabalhos na área fundiária. O ministro registrou a apresentação por Mato Grosso de cadeias dominiais, parecer técnico sobre a metodologia cartográfica histórica, mapas, cartografias, arquivos em formato shapefile e títulos definitivos emitidos pelo Intermat, considerando cumpridas pelo Estado as etapas correspondentes do acordo.
“Agora, caberá também ao Pará, no prazo determinado pelo STF, apresentar o compilado de dados dos imóveis necessário para que sejam requisitadas aos cartórios as respectivas cadeias dominiais”, afirmou o procurador.
Para o procurador Ricardo Riva, um dos responsáveis pela estratégia jurídica da ALMT no caso, a participação da Assembleia busca assegurar que a transição territorial seja acompanhada por soluções administrativas capazes de funcionar na prática.
“A regularização fundiária é indispensável, mas existe uma população inteira vivendo nessa região. Saúde, educação, estradas, segurança, produção e os demais serviços públicos precisam continuar funcionando durante e depois dessa transição. Foi essa preocupação que levou a Assembleia a ampliar a discussão perante o Supremo”, destacou Riva.
O procurador Bruno Willames Cardoso Leite ressalta que a nova fase permite transformar problemas identificados ao longo dos trabalhos em propostas concretas de cooperação entre os entes públicos.
“Desde o início defendemos que não seria suficiente resolver a terra e deixar as pessoas para depois. A definição territorial precisa vir acompanhada de uma transição segura, com responsabilidades claras e participação dos municípios que conhecem e atendem essa população diariamente. Agora o Pará terá oportunidade de se manifestar sobre essas propostas e apresentar também suas soluções”, afirmou o procurador.
A Assembleia Legislativa, de acordo com o procurador Bruno Willames, continuará reunindo informações dos municípios enquanto transcorre o prazo concedido pelo STF, a Procuradoria-Geral da ALMT continuará trabalhando na reunião de informações sobre a realidade da região, especialmente dados relativos aos serviços efetivamente prestados por Mato Grosso e pelos municípios às comunidades localizadas do lado paraense da divisa.
Documentos já obtidos demonstram, por exemplo, atendimentos realizados pela rede pública de saúde de Mato Grosso a moradores do Pará. Esse tipo de informação deverá auxiliar na construção de soluções para continuidade dos serviços e eventual divisão de responsabilidades entre os entes públicos.
A Assembleia também pretende continuar ouvindo prefeitos, gestores, produtores e moradores das áreas atingidas, fortalecendo a participação dos municípios na próxima etapa da conciliação.
Fonte: ALMT – MT



