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CRA: Paulo Teixeira afirma que alimentos estão caros em razão do dólar e de Trump

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O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou ao Senado nesta quarta-feira (9) que a alta dos preços dos alimentos nos últimos meses se deve principalmente à variação cambial, que elevou o preço do dólar, e às políticas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Ele também afirmou a senadores na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) que o Plano Safra da agricultura familiar chegará ao montante de R$ 76 bilhões financiados entre 2024 e 2025. 

— O aumento dos alimentos no Brasil tem um nome. O aumento de preços no Brasil se deveu a uma variação cambial que teve como razão a eleição de Donald Trump (…) o dólar, hoje, é o elemento principal da inflação de alimentos no Brasil — disse o ministro em resposta ao senador Marcos Rogério (PL-RO).

Em resposta à afirmação, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) disse que o governo dos EUA tem pequena participação na alta dos preços dos alimentos no Brasil. O principal responsável, na avaliação do senador, é o governo federal, por não ter compromisso com o equilíbrio fiscal nem com a redução da dívida pública.

A audiência pública foi conduzida pelo presidente da CRA, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA). Ele disse que a região amazônica tem mais de 2,3 mil projetos de assentamento com 447 mil famílias em quase 70 milhões de hectares de terras.

— Precisamos trabalhar, produzir, entregar, a fim de que este país melhore, que a Amazônia melhore e a que a gente possa ter mais qualidade de vida e que a terra seja para a gente a fonte da riqueza, do alimento e das oportunidades — afirmou o presidente.

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Programas

O ministro acrescentou que o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) chegou a mais de 1,8 milhão de operações em 2024 e a meta é de 2 milhões em 2025. O dinheiro vai para produção de alimentos como batata, feijão, arroz, banana, açaí, tomate, cenoura, carne de porco e peixe; mecanização; microcrédito e sustentabilidade, disse. A alta do dólar, lamentou, impacta inúmeras cadeias produtivas e comerciais do país, o que acaba refletindo nos preços aos consumidores.

Ele afirmou, ainda, que o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) chegou a 2,2 milhões de cadastros ativos em janeiro de 2025 e que o crédito para a agricultura familiar aumentou no governo Lula. 

Além disso, citou o programa Desenrola Rural, que dá descontos de até 85%, com meta para 2025 de 250 mil dívidas renegociadas; e o programa de reforma agrária Terra da Gente, com mais de 115 mil famílias em 1.180 acampamentos, mais de 74 mil famílias assentadas em 2024 e previsão de chegar a 100 mil em 2025.

Evasão

O senador Marcos Rogério também perguntou sobre dados que apontaram para uma evasão nos assentamentos da reforma agrária da ordem de 30% dos lotes. Para o senador, o governo falha no acompanhamento dos lotes dos assentamentos e acaba sem saber qual empreendimento deu certo e o qual deu errado. Ele citou acórdão do TCU que apontou mais de 205 mil lotes vagos e 580 mil beneficiários com indícios de irregularidades.

Teixeira respondeu que, se 30% dos lotes deram errado, significa que 70% deram certo, o que mostraria que a reforma agrária estaria dando resultados positivos para a maioria dos assentados. Ele disse que a concentração de terras no Brasil junto com a mecanização da produção expulsam os pequenos do campo e acrescentou que há 120 mil pessoas acampadas “em beira de terra”.

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— Não há terras vazias como o TCU falou. Esse estudo do TCU tinha uma série de equívocos — disse o ministro.

De acordo com o senador Beto Faro (PT-PA), o Incra, do qual já foi superintendente, foi enfraquecido nos últimos governos. Ele avisou que o órgão precisa de mais recursos humanos e orçamentários com urgência.

MST

Os senadores Jorge Seif (PL-SC) e Magno Malta (PL-ES) fizeram duras críticas ao Movimento Sem Terra (MST). Seif afirmou que o governo federal não interfere nas ocupações de terras promovidas pelo movimento. Afirmou também que o governo nomeou membros do MST para cargos públicos e duvidou que o governo trabalhe para impedir que dinheiro público seja destinado a acampamentos ilegais.

— O que nós temos visto é uma conivência, um apadrinhamento desse grupo terrorista — declarou Seif.

Luiz Paulo Teixeira disse que não conhece nenhum grupo terrorista no Brasil e que o MST tem cooperativas que produzem leite, queijo e produtos orgânicos, por exemplo, mas não tem privilégios junto ao governo. Registrou ainda que invasões de terras devem ser resolvidas pelos poderes estaduais e prometeu planejar uma assistência técnica rural “específica para o Pantanal”..

Também participaram da audiência pública os senadores Luis Carlos Heinze (PP-RS), Jaime Bagattoli (PL-RO), Chico Rodrigues (PSB-RR) e Wellington Fagundes (PL-MT), entre outros.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Após encontro com Lula, Davi diz que ‘diálogo foi restabelecido’

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse nesta quarta-feira (12) que “o diálogo foi restabelecido” com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois se encontraram pela manhã no Palácio da Alvorada.

— Foi uma reunião institucional, muito boa inclusive. Nós conversamos sobre relação institucional do futuro, não falamos nada do passado. Uma reunião institucional muito importante para a democracia, porque o presidente do Congresso precisa ter o diálogo aberto com o presidente do Brasil, e esse diálogo foi restabelecido. Tanto que já tivemos duas reuniões, todas muito boas e produtivas, pensando no Brasil. Esse é o meu papel, e eu creio que é o dele também — afirmou Davi.

Depois da sessão deliberativa, Davi Alcolumbre foi questionado por jornalistas sobre a possibilidade de votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala de trabalho 6×1. O presidente disse que vai conversar com os senadores sobre o tema.

— Observei muito a fala do presidente da República nas duas conversas que tive com ele. Realmente, o governo tem um desejo de que as pautas prioritárias possam tramitar. Ouvi, compreendo a importância e vou falar com os senadores — afirmou.

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‘Relação destravada’

A líder do Governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), também participou do encontro entre Davi e Lula no Alvorada. A parlamentar disse que “está tudo destravado” na relação entre os chefes dos Poderes Legislativo e Executivo.

— Hoje fomos testemunha de que a conversa teve frutos importantes. O clima é para avançar. [Davi] Alcolumbre se mostrou muito aberto. O diálogo fluiu muito bem. O presidente Lula, muito descontraído e muito esperançoso. Tenho certeza de que o Brasil terá do Senado uma resposta muito condizente. Qual é a mensagem principal desse processo todo? Está tudo destravado — relatou Teresa.

 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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