POLITÍCA NACIONAL
Na CRE, brasileiras relatam não ter acesso a filhos em países muçulmanos
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A situação de mães brasileiras que tiveram seus filhos levados para países de maioria muçulmana foi o tema da audiência pública promovida na terça-feira (18) pela Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado. O debate foi conduzido pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP).
Essas mulheres são chamadas de “Mães de Sharia”, que são aquelas que lutam pela guarda dos filhos em países com jurisdições onde a Lei Islâmica (Sharia) regula as relações familiares. Elas afirmam que, nesses países, os homens recebem maior proteção legal e as mães podem ser impedidas de ter acesso aos filhos. Muitas delas também dizem ter sido vítimas de violência doméstica.
Para Mara Gabrilli, além da questão individual, o assunto tem dimensões humanitárias e diplomáticas. Ela afirma que o problema envolve mulheres e crianças brasileiras submetidas a litígios familiares complexos e a decisões judiciais de outros países — que, de acordo com a senadora, não reconhecem a importância da mulher e da maternidade, além de desconsiderarem históricos de violência vivido por essas mães.
— Estamos diante de um fenômeno que exige a atenção do Estado brasileiro, diálogo internacional e a construção de caminhos que protejam nossas crianças e garantam que mulheres possam exercer sua maternidade, que é roubada pelos genitores, que as impedem de ter acesso aos seus filhos — disse Mara.
A senadora argumentou que o Brasil precisa aprimorar sua atuação internacional, seja pela aplicação da Convenção da Haia de 1980 em países muçulmanos ou por acordos bilaterais para fortalecer medidas de proteção às vítimas de violência doméstica envolvidas em processos transnacionais.
Luta solitária
As mães nessa situação que participaram da audiência relataram dificuldades para ter acesso à proteção consular (quando procuraram ajuda para se defender em processos em países com leis que, segundo elas, são muito diferentes das leis brasileiras e favorecem os pais).
Claudia Grabois, advogada e consultora especialista em direitos humanos e direito internacional de família, reiterou a dificuldade enfrentada por essas mulheres.
— Essas mães travam uma luta solitária, e muitas acabam desenvolvendo estresse pós-traumático e outras condições de saúde mental — ressaltou Grabois.
Segundo Juliana Wahlgren, diretora-fundadora da Revibra (Rede de Apoio às Vítimas Brasileiras de Violência Doméstica) Europa, a mãe que não mulçumana é considerada inadequada em um país muçulmano.
— O que se discute [nesses países] não é o melhor interesse da criança, mas o melhor interesse do homem mulçumano. O sentimento é sempre de injustiça, de dor infinita — enfatizou Wahlgren.
Subsídios
Mara Gabrilli anunciou que irá reunir os relatos e as contribuições apresentados na audiência para subsidiar o diálogo diplomático e a busca de entendimento sobre a questão.
— O Senado seguirá acompanhando cada passo desse tema. O Brasil tem o dever de proteger suas cidadãs e, sobretudo, de garantir o melhor interesse das nossas crianças — declarou ela.
A audiência reuniu ainda especialistas no assunto, como Nazia Yaqub, professora sênior de Direito da University of Leeds (Reino Unido), o embaixador Aloysio Marés Dias Gomide Filho, diretor do Departamento de Comunidades Brasileiras e Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores; Rodrigo Meira Santos, coordenador-geral de Adoção e Subtração Internacional de Crianças e Adolescentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública; e Karina Nathércia Lopes, assessora jurídica e representante do Ministério das Mulheres.
Com assessoria da senadora Mara Gabrilli
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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Cleitinho volta a defender fim da escala 6×1 e critica piadas sobre tragédia
Em pronunciamento nesta terça-feira (16), em Plenário, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) voltou a defender a aprovação da proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1 e adota o modelo 5×2. A PEC 221/2019 já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e está em análise no Senado.
Cleitinho comparou a realidade dos trabalhadores, que enfrentam longas jornadas e recebem salários muitas vezes baixos, à da classe política. Ele criticou privilégios como pensões para filhas solteiras de servidores da Câmara dos Deputados e de militares, plano de saúde vitalício para ex-senadores, aluguéis de carros oficiais e aposentadoria compulsória como punição administrativa para juízes.
— Eu vou sempre bater nessa tecla aqui. Enquanto a gente não votar ao fim da escala 6×1 eu vou fazer algumas comparações, doa a quem doer. (…) O problema não é o fim da escala 6×1. A verdade que o problema está nos três Poderes, está aqui, e a gente tem cortado a própria carne para dar dignidade para o trabalhador — disse o senador.
Repúdio
No mesmo pronunciamento, o senador criticou as piadas feitas nas redes sociais usando o caso de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu ao ser atirada sem cordas durante um salto de rope jump, em Limeira (SP).
Na imagem mostrada pelo senador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece no lugar da jovem. Para o senador, é inadmissível que o caso seja usado como provocação política, seja contra quem for.
— Isso aqui não é política, isso aqui nunca foi política; é baixaria, nível baixo, e vocês estão desrespeitando de verdade não é nem o presidente da República, é a família dessa jovem que teve a vida interrompida.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado

