POLITÍCA NACIONAL
Nelsinho Trad destaca papel da diplomacia parlamentar no Brics
POLITÍCA NACIONAL
O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que a efetiva participação de parlamentares de 15 países indica o sucesso das reuniões dos presidentes das comissões de Relações Exteriores ao longo desta terça-feira (3). As reuniões fazem parte da programação preparatória do 11º Fórum Parlamentar do Brics, marcado para a quarta (4) e a quinta (5) no Congresso Nacional.
Segundo o senador Nelsinho, os parlamentares reforçaram a importância do comércio entre os países do Brics. Ele afirmou que a diplomacia parlamentar ajuda a nortear as ações comerciais dentro do bloco.
— Sem o exercício do diálogo e do entendimento, as tratativas ficam isoladas e mais difíceis — declarou o senador, em entrevista coletiva.
Nelsinho relatou que as reuniões também permitiram o debate sobre a transferência de tecnologia. Disse que o Brasil precisa debater a questão da inteligência artificial (IA). Na visão do senador, as redes sociais são um tema “que precisa ser organizado”. Ele reconheceu o valor da liberdade de opinião, mas apontou a importância do respeito às diferenças.
Moeda
Nelsinho ressaltou que os presidentes das CREs manifestaram a opinião de fortalecer o multilateralismo. Ele disse que o isolamento traz dificuldades para vencer os desafios do comércio internacional. De acordo com o senador, o chamado tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump não foi tratado diretamente. No entanto, a ênfase no respeito ao multilateralismo indicaria uma direção de opinião dos países do bloco.
O senador também afirmou que o entendimento dos parlamentares do Brics é pela diminuição da dependência do dólar no comércio internacional. Nelsinho disse reconhecer que não é uma tarefa fácil, mas apontou que os países têm força para debater um mecanismo de defesa para os “tempos de hoje”.
— A tratativa para uma nova moeda não é tão simples. A partir de um conflito, porém, é natural que aquele que se sente atingido tome medidas para se defender. Penso que é uma alternativa legítima e um caminho que precisa ser analisado — ponderou.
Mercosul e Zambelli
O presidente da CRE do Senado acredita que até o fim do ano deve sair o acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Assim, destacou ele, é natural que o Brics tenha um olhar especial com a região do Mercosul.
Em relação à deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP), que nesta terça deixou o país depois de ser condenada à perda do mandato e à prisão, o senador disse que “fica difícil emitir um juízo”. Ele afirmou, no entanto, que todo gesto tem uma consequência.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLITÍCA NACIONAL
Minerais críticos: relatório amplia controle público, estabelece limites para exportações e cria incentivos fiscais
O relator da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/24 e apensados), deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirmou que seu parecer buscou agregar valor à cadeia produtiva evitando que o Brasil atue apenas como exportador de minerais críticos.
“Não nos sujeitaremos a ser exportadores de commodities minerais. Queremos processá-las, beneficiá-las, transformá-las aqui e agregar valor”, afirmou. Segundo ele, a ideia é estimular o beneficiamento e a transformação mineral e restringir a exportação de commodities minerais.
Jardim apresentou nesta segunda-feira (4) os principais pontos do texto que estabelece uma estratégia para a gestão desses bens minerais. A leitura do relatório e a votação devem ficar para esta terça-feira (5) já no Plenário, pois o projeto está com urgência.
O texto traz limitações à exportação de minerais brutos sem processamento e cria um sistema de incentivos fiscais progressivos. Ou seja, quanto mais a empresa avança nas etapas de beneficiamento dentro do Brasil, maiores os benefícios que recebe.
Segundo o autor da proposta, deputado Zé Silva (União-MG), há uma “força tarefa” para tentar aprovar o texto até a quarta (6).
“Acredito que o projeto está maduro e o Brasil precisa da aprovação do texto neste momento crítico que o mundo está passando. Temos condição, com uma política dessas, de nos estabelecer como segunda potência mundial na produção desses minerais”, declarou.
Incentivos fiscais
O parecer institui o programa que prevê créditos fiscais de até 20% dos valores pagos pelos projetos contemplados, com limite anual de R$ 1 bilhão entre 2030 e 2034 — totalizando R$ 5 bilhões no período. A concessão dos créditos terá percentual variável conforme o nível de agregação de valor promovido no país.
Segundo Jardim, a negociação dos incentivos fiscais foi o ponto mais difícil no diálogo com o governo. Ele afirmou que o texto final busca incentivar não apenas a extração, mas principalmente o beneficiamento e a transformação industrial dos minerais críticos.
Conselho
A proposta também cria o Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) responsável por definir a lista de minerais estratégicos (revisada a cada quatro anos), classificar projetos prioritários e avaliar operações que possam ameaçar a segurança econômica ou geopolítica do país. Fusões, aquisições, entrada de capital estrangeiro e transferência de ativos minerais passarão por análise prévia do poder público.
“A visão que há no parecer é que deveríamos empoderar o poder público de instrumentos para orientar essa política. É o estado, em vez de provedor, mais regulador”, declarou, ao explicar porque o parecer não buscou criar uma nova empresa estatal para o setor.
O texto permite que o poder público estabeleça parâmetros, condicionantes e requisitos técnicos vinculados à exportação dos minerais, especialmente quando houver baixo grau de processamento.
Jardim afirmou que o texto não cria uma taxação direta, mas abre a possibilidade de o governo estabelecer imposto sobre exportação pontualmente para alguns minerais.
“Nenhum projeto de exploração vai se estabelecer aqui sem anuência prévia do governo. Se tiver uma mudança de controle acionário ou de comando de um determinado projeto ou alteração de seu processo, isso poderá ser revisto”, afirmou.
Fundo garantidor
O projeto cria um fundo garantidor da atividade mineral, com capacidade de até R$ 5 bilhões. A União participará com limite de R$ 2 bilhões e o fundo será administrado por uma instituição financeira federal.
Também poderão integrar o fundo empresas com receita vinda de pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação de minerais críticos ou estratégicos no país.
Pesquisa
O relatório também obriga as empresas exploradoras a aplicar anualmente parcela da receita bruta em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica (P&D). Nos primeiros seis anos, a obrigação é de 0,3% em P&D e 0,2% na integralização de cotas do fundo garantidor; após esse prazo, o mínimo passa a ser de 0,5% em P&D.
O texto cria ainda cadastro nacional, com registro obrigatório de projetos implementados no território nacional, unificando informações de órgãos federais, estaduais, municipais e distritais.
Terras raras x minerais críticos
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos que estão dispersos na natureza, o que dificulta a extração, sendo essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos e sistemas de defesa, por exemplo (Veja infográfico abaixo).
Já os minerais críticos são aqueles essenciais para setores como energia limpa, eletrificação e defesa, com alta demanda global e riscos de fornecimento concentrados em poucos países — como lítio, cobalto e nióbio.
As terras raras podem ser consideradas minerais críticos dependendo do contexto, mas nem todo mineral crítico é uma terra rara.
Crítica
Entidades da sociedade civil presentes à apresentação dos principais pontos do texto criticaram a ausência do relatório final e o que classificaram como análise rápida do tema.
Jardim respondeu que o texto está em discussão há dois anos, teve urgência aprovada há 9 meses e já estaria pronto para votação no Plenário. Segundo o relator, a proposta traz ainda preocupação adequada com as comunidades locais e o licenciamento ambiental.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
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