SAÚDE
Consulta pública: Caderno de Atenção Básica de Saúde dos Homens recebe contribuições até 16 de outubro
SAÚDE
O cuidado integral da população masculina ganhou destaque nesta semana. O Ministério da Saúde lançou uma consulta pública sobre o Caderno de Atenção Básica (CAB) nº 42 – Saúde dos Homens. O material em construção é inédito e será o primeiro CAB voltado a esse público no Sistema Único de Saúde (SUS). As contribuições poderão ser enviadas pelo Brasil Participativo até 16 de outubro.
O caderno terá como base a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (Pnaish), instituída em 2009, para qualificar o cuidado de homens de 20 a 59 anos, contribuindo para a redução da morbidade e da mortalidade. A política tem cinco eixos estratégicos: acesso e acolhimento; saúde sexual e reprodutiva; paternidade e cuidado; doenças prevalentes; e prevenção de violências e acidentes.
“Reforçando a centralidade da participação social no SUS, queremos ouvir profissionais de saúde, gestores, pesquisadores e toda a sociedade, assegurando que o conteúdo reflita de forma legítima as demandas e especificidades da população masculina em seus diferentes contextos”, convida o coordenador de Atenção à Saúde do Homem, Celmário Brandão.
O CAB auxiliará profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) a promoverem práticas integrais, reconhecendo as masculinidades como determinantes sociais de saúde e o respeito às diversidades. “O documento não busca esgotar o tema, mas oferecer diretrizes flexíveis e adaptáveis às realidades locais, reafirmando a APS como porta de entrada privilegiada no SUS”, ressalta.
Fórum nacional
O Caderno de Atenção Básica de Saúde dos Homens também foi apresentado no Fórum Nacional de Coordenadores Estaduais de Saúde do Homem, em Brasília (DF), nesta quinta-feira (25). O evento reuniu dirigentes do Ministério da Saúde, instituições parceiras e os 27 coordenadores estaduais e distrital de saúde do homem para discutir temas relativos à masculinidade a partir dos eixos da Pnaish, além de desafios e potencialidades da atenção à saúde dos homens nos territórios.
“A gente não pode resumir a saúde do homem apenas ao Novembro Azul, ao câncer de próstata e à violência. É necessário abordar esse tema de forma integral, com a complexidade que ele precisa”, ressaltou o secretário-adjunto de Atenção Primária à Saúde, Ilano Barreto, na abertura do fórum ontem (24).
Os debates contaram com a apresentação de projetos estratégicos da Coordenação de Atenção à Saúde do Homem em parceria com as universidades federais de Pernambuco (UFPE), da Bahia (Ufba) e de Brasília (UnB), além do Instituto Promundo. Eles abordaram participação social, pesquisa-ação na atenção à saúde do homem, territórios de cuidado, formação sobre masculinidades, paternidades e pré-natal do parceiro e a Estratégia Nacional da Saúde do Homem e Masculinidades (Equalisah). Os participantes ainda elaboraram a Agenda Nacional de Saúde do Homem 2025/2026.
Iniciativas premiadas
No primeiro dia do evento, houve a premiação dos três primeiros colocados na I Mostra de Práticas Bem-Sucedidas da Gestão e da Assistência à Saúde dos Homens no SUS, promovida pelo Ministério da Saúde:
- O poder da intersetorialidade na promoção à saúde integral do homem
“As ações intersetoriais potencializam e promovem o cuidado integral, o conhecimento sobre a realidade e a demanda local, fortalecendo os saberes multiprofissionais”, relatou a coordenadora da Saúde do Adulto e Idoso de Campinas (SP), Camila Monteiro.
- Ouvindo o silêncio dos homens na encruzilhada entre a justiça e a saúde
“Nós estamos ouvindo o silêncio do homem, entendendo os padrões de violência transnacionais que ele vivenciou e como é que essa violência impacta no modo de esse homem se comportar, de ele ser e estar no mundo”, compartilhou o psicólogo da Policlínica Municipal de Alagoinhas (BA), Itamar Carneiro.
- Influência das ações da Rede Bem Cuidar na promoção do pré-natal do parceiro na Atenção Primária à Saúde
“A Rede Bem Cuidar é um projeto estratégico de financiamento do governo do estado para o fortalecimento e a qualificação da APS, que tem induzido as ações do pré-natal do parceiro na prática cotidiana das equipes do Rio Grande do Sul”, disse a assessora técnica da Coordenação Estadual da Saúde do Homem do Rio Grande do Sul, Talita Donatti.
Os profissionais compartilharam com o público como foi o desenvolvimento dos trabalhos em cada território, abordando estratégias que deram certo e que podem auxiliar outros estados e municípios a implementar iniciativas semelhantes. Essas e outras 17 experiências exitosas selecionadas na Mostra serão detalhadas em um caderno temático em breve.
O Fórum Nacional de Coordenadores Estaduais de Saúde do Homem contou com representantes do Conselho Nacional de Saúde (CNS), da Organização Panamericana de Saúde (Opas/OMS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa).
Conheça as iniciativas do Ministério da Saúde para os homens
Laísa Queiroz, Renata Osório e Luciana Soares
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Ministério da Saúde lança obra que celebra os 15 anos da Sesai e resgata a trajetória da saúde indígena no Brasil
A saúde indígena brasileira ganhou um novo registro histórico nesta quarta-feira, 1º de julho, com o lançamento do livro “15 anos de História e Luta: Memórias, Caminhos e Futuro“, obra que celebra a trajetória da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. O evento, realizado no Auditório Emílio Ribas, em Brasília, reuniu lideranças indígenas, autoridades e parceiros que acompanharam a consolidação desta política pública voltada aos povos originários.
Mais do que um registro cronológico, a publicação apresenta a criação da Sesai como um marco na consolidação da responsabilidade do Estado em garantir atenção integral, universal e equitativa. A obra revisita a implantação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) e da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (Pnaspi), destacando um modelo baseado no diálogo intercultural e na participação ativa dos indígenas.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o livro “preserva a memória de uma conquista participativa e reafirma o compromisso do governo do Brasil com a saúde dos povos indígenas”. Padilha ressalta, em artigo publicado na obra, a necessidade de um SasiSUS “cada vez mais fortalecido, participativo e capaz de levar cuidado de qualidade a todos os territórios”.
Estrutura e avanços no chão da aldeia
Ao longo de uma década e meia, a Sesai estruturou-se em 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), que atuam como unidades gestoras descentralizadas. Além disso, fortaleceu as equipes multidisciplinares, as Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e as Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casai), respeitando as especificidades culturais, linguísticas e territoriais dos povos indígenas.
Durante o lançamento do livro, a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, destacou que a obra registra a história de quem enfrenta “rios, florestas, estradas e longas distâncias para garantir cuidado, proteção e dignidade”: “Cada página desta obra é um testemunho de que a saúde indígena é uma política de Estado construída com diálogo, respeito e reconhecimento da diversidade dos povos que formam o Brasil”.
Entre os avanços recentes, o livro cita o programa Agora Tem Especialistas, a expansão da telessaúde e investimentos via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Outro pilar estratégico é a atuação junto aos povos isolados e de recente contato, regida pelo princípio do não-contato para evitar a introdução de doenças devastadoras e proteger a autodeterminação desses grupos.
Desafios emergentes e o olhar para o amanhã
A publicação não foge dos temas críticos, como a resposta à emergência sanitária no território Yanomami, com a criação do Centro de Operação de Emergências (COE) Yanomami, onde o reforço das equipes multiprofissionais foram fundamentais para mitigar crises de desassistência. Olhando para frente, a obra aponta os impactos das mudanças climáticas como um dos grandes desafios, exigindo uma “saúde climática” que prepare os territórios para fenômenos extremos e o ressurgimento de doenças.
A integração entre a biomedicina e as medicinas indígenas aparece como caminho inegociável para o futuro. Iniciativas como a Semana Nacional da Saúde Bucal e projetos do Proadi-SUS para o manejo de condições crônicas, como diabetes e hipertensão, já mostram essa evolução na ponta.
Para as lideranças que estiveram na linha de frente desde o início, a autonomia é a palavra de ordem. Megaron Txucarramãe, liderança da TI Capoto Jarina, expressou seu desejo de que a administração indígena nos distritos continue e se fortaleça. “O futuro para o indígena é manter a Sesai com administração indígena nos distritos. Espero que continue do jeito que está e melhorando cada vez mais. Os indígenas estão fazendo curso de medicina do branco e eles vão começar a ocupar e assumir a saúde indígena”, concluiu.
A Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde conta com gestores indígenas na liderança, incluindo a secretária adjunta de Saúde Indígena, Putira Sacuena; e a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé. “Este livro aponta para um futuro em que a saúde indígena continue sendo fortalecida com participação social, valorização dos saberes tradicionais, ampliação do acesso à atenção especializada, fortalecimento do saneamento e formação de cada vez mais profissionais indígenas ocupando espaços de gestão e decisão”, finaliza Lucinha.
Leidiane Souza
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde


